BH é palco da Companhia Nacional da Ópera de Pequim
Grupo apresenta "A lenda da serpente" neste sábado (16/5), no Grande Teatro do Minascentro. A equipe, composta por 75 artistas, chegou ao Brasil nesta semana
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Uma equipe de 75 artistas, técnicos e produtores chineses desembarcou no Brasil nesta semana após um trajeto de ao menos 16 mil quilômetros e cerca de 24 horas de viagem. Trata-se da Companhia Nacional da Ópera de Pequim, que chega a BH neste sábado (16/5) para duas apresentações do espetáculo “A lenda da serpente”, no Grande Teatro do Minascentro.
Nesta semana, o grupo já se apresentou em São Paulo e, depois da capital mineira, segue para Brasília e Salvador, cidades onde também apresentará o espetáculo “As mulheres generais da Família Yang”.
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Reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial em 2010, a companhia é ligada ao governo chinês e vista como a ópera “oficial” do país. Muitas vezes, é usada em apresentações em contextos diplomáticos e de estreitamento do diálogo com diferentes países, levando a tradição da cultura chinesa. A companhia tem sede em Pequim.
Nos últimos 15 anos, a Companhia Nacional da Ópera de Pequim esteve no Brasil outras três vezes. Em 2026, a chegada do grupo também celebra o Ano Cultural Brasil-China.
“É um conjunto composto por craques. Cada um tem suas especialidades, e a ópera é um gênero artístico muito tradicional da China. Eles utilizam diversas artes dentro do espetáculo, que vão desde a música e o teatro até a dança, as acrobacias e as artes marciais”, afirma Steffen Dauelsberg, diretor da Dellarte, produtora responsável pelo espetáculo no Brasil.
Fundada em 1955, a Companhia Nacional da Ópera de Pequim acumula cerca de 600 obras. Para a turnê no Brasil, o grupo escolheu trazer duas das mais tradicionais. Em “A lenda da serpente”, história clássica do folclore chinês, o jovem Xu Xian se apaixona pela Dama Branca, espírito de uma serpente que assume forma humana. Os dois se casam após um encontro às margens do Lago Ocidental, contrariando o monge Fahai, que considera a união entre humanos e espíritos uma violação das leis naturais.
Já no espetáculo “As mulheres generais da Família Yang”, uma família de guerreiros da China antiga perde grande parte dos homens da família em uma batalha após a morte do marechal Yang Zongbao. É quando a avó da família, Lady She, decide liderar as mulheres da linhagem Yang na defesa do país.
“São espetáculos muito fantasiosos e criativos. Nas apresentações, temos orquestras com instrumentos tradicionais chineses que trazem um timbre e uma sonoridade que não estamos acostumados. São instrumentos diferentes, com uma parte percussiva muito importante, usada para marcar passos e movimentos”, afirma o diretor. Segundo ele, o diálogo entre a narrativa cênica e as pontuações musicais é próximo.
A banda da companhia é composta pela orquestra, que normalmente acompanha cenas pacíficas, e pela banda de percussão, especialmente em cenas de batalha. Os instrumentos da orquestra são da tradição musical chinesa e incluem o erhu, huqin e yueqin, da família das cordas, o sheng (sopro) e a pipa (alaúde). Na percussão, castanholas, tambores, sinos e címbalos são comuns.
Os figurinos e cenários estão entre os destaques do espetáculo. Conhecidos como Xingtou, ou Xifu, são peças grandes e ornamentadas. Os trajes distinguem o sexo e o status social do personagem logo à primeira vista, considerando especialmente os adornos de cabeça e sapatos.
Pinturas faciais e máscaras enfatizam as “mudanças de rostos” na expressão teatral dos espetáculos. Esse recurso representa o humor e os papéis dos personagens. Normalmente, um rosto vermelho representa bravura heroica e lealdade. O branco simboliza o sinistro e o traiçoeiro, enquanto o verde indica teimosia, impetuosidade e falta de autocontrole.
Também são utilizadas máscaras nas trocas de expressões faciais na ópera. Essa técnica é usada para revelar sentimentos internos e retratar personalidades. As mudanças devem ocorrer sem que o público perceba. Sendo assim, há quatro maneiras mais comuns utilizadas em cena.
Soprar poeira: acontece quando o ator sopra uma poeira escondida para que ela volte ao seu rosto; Manipulação de barba: a cor da barba é alterada durante a manipulação, do preto ou cinza para o branco, mostrando raiva ou excitação; Abaixando as máscaras: uma máscara escondida sobre a cabeça do ator é colocada discretamente; Esfregão: o ator remove maquiagem nas costeletas, sobrancelhas ou ao redor dos olhos e do nariz.
“A LENDA DA SERPENTE”
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Da Companhia Nacional da Ópera de Pequim, neste sábado (16/5), no BeFly Minascentro (Avenida Augusto de Lima, 785, Centro), às 15h30 e às 20h30. Ingressos à venda na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro. Setor 1: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia); Setor 3: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).