Aos 72 anos, Guilherme Arantes comemora suas cinco décadas de carreira no show que será apresentado neste sábado (18/4), às 21h, no BeFly Minascentro. Dono de clássicos da música brasileira, como “Cheia de charme”, “Deixa chover”, “Amanhã”, “Brincar de viver” e “Vivendo e aprendendo a jogar”, entre outros, ele avisa que não se limitará aos antigos hits.
“Vou cantar várias músicas novas, porque não me contento em ser jukebox de sucessos. Gosto do meu repertório e tenho muito orgulho dele, porque há muita coisa bonita e legal do passado, mas a gente empurra para a frente”, diz o cantor, compositor e pianista.
Esse “empurrar para a frente” é prazeroso, diz. “A gente aproveita o embalo dos 50 anos. Foi tipo uma estratégia que adotei: faço a turnê comemorativa e embuti de carona o LP duplo com as músicas novas”, explica.
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Este ano, Guilherme lançou o álbum “Interdimensional”, com 15 faixas autorais. O próximo disco está previsto para o primeiro semestre.
O cantor e compositor se sente renovado, com a voz superpotente. “Confesso que estou podendo muito em termos vocais. Estou me sentindo muito bem, porque me fez bem a parada para descanso, renovação e criação”, afirma.
Ele conta que, no intervalo, estudou harmonia, aprofundou melodias e letras, formou um repertório cujo acabamento é motivo de orgulho. “Isso me deu muita empolgação, minha voz está limpa, então estou botando pra quebrar nos shows.”
Elogiando a banda que o acompanha, Guilherme se sente em nova carreira. “Um artista começando não do zero, mas do ponto chave de se autoproduzir, de não ter gravadora por trás, de não ter nenhum tipo de curadoria externa. Isso me dá satisfação, os últimos anos têm sido muito bons”, comenta.
Esse processo começou em 2013, com o álbum “Condição humana”, disco consistente, na avaliação dele. “Venho fazendo coisas que talvez não sejam para este tempo imediatista de sucessos, execuções, likes e views.”
Guilherme planeja deixar o seu legado. “Eu já estou com 72 anos, agora se trata de ir para o sublime, em busca do algo que valha a pena.” Diz que, de certa forma, depara-se com o que sonhou quando era muito jovem.
“É como se voltasse aos anos 1970. Quem eu queria ser? Em quem queria me tornar? Aí, olho e falo: queria me tornar eu mesmo, o que sou. Alguém que deu uma volta no mercado, nas gravadoras, no comércio e nas rádios.”
Orgulho
O músico paulista tem orgulho da obra que construiu nesses 50 anos. “Não vou dizer como um Egberto Gismonti, mas como um cara compatível com Taiguara, Beto Guedes, Lô Borges”, comenta.
“Fui companheiro de Belchior e Luiz Melodia, somos da mesma safra. Digo que estou honrando a nossa turma, a nossa geração de ouro. E isso é muito legal.”
Observa que ele e os colegas pegaram “uma pedreira pós-AI-5”. Prejudicados pela ditadura, conviveram com o que Milton Nascimento, Geraldo Vandré e Caetano Veloso , entre outros, haviam criado.
“A porta se fechou para nós. Pegamos as gravadoras no período de censura e comercialismo, além da dificuldade de não ter mais os musicais na TV. Hoje estou à vontade, mostrando meu show e vendo a plateia pasma com o que assiste”, diz.
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“GUILHERME ARANTES: 50 ANOS-LUZ”
Show neste sábado (18/5), às 21h, no BeFly Minascentro (Avenida Augusto de Lima, 785, Centro). Setor 1: R$ 490 (inteira), R$ 245 (meia) e R$ 265 (ingresso social, com doação de 1kg de alimento não perecível ou 1kg de ração para cães e gatos). Setor 2: R$ 430 (inteira), R$ 215 (meia) e R$ 235 (ingresso social). Setor superior: esgotado. Ingressos à venda na plataforma Sympla e na bilheteria da casa.
