O espetáculo “Peças sonoras”, da coreógrafa Thembi Rosa e do duo instrumental O grivo, formado por Nelson Soares e Marcos Moreira, foi criado em 2021, mas só estreia nos palcos nesta semana, com apresentações terça (7/4) e quarta (8/4), no Teatro Marília, como parte do projeto Terça da Dança. A montagem mescla dança, música, improviso, instalações e esculturas.

A apresentação desta semana ainda inclui uma oficina, ministrada pela coreógrafa, e voltada para a relação entre dança, música, improvisação e objetos sonoros. A participação é gratuita e por ordem de chegada.

“Estou fazendo uma leitura de arquivos dos meus trabalhos desde os anos 2000, trago na oficina um pouco desse histórico. Vou dar uma pincelada de princípios coreográficos que trabalhei em várias obras para as pessoas experimentarem de maneira prática.”

“O Grivo tem um trabalho de concertos e instalações e eles fazem alguns objetos pequenos que tocam junto com eles, esculturas cinéticas e sonoras. Sempre tive vontade de ver essas esculturas em uma escala maior, em que eu pudesse dançar com elas", conta Thembi.

"Durante a pandemia idealizamos isso, já que estava todo mundo de quarentena, então conseguimos criar. Fizemos uma série de vídeos primeiro e, agora, vamos circular pela primeira vez nos palcos”, diz a coreógrafa. 

Algumas das esculturas são feitas de bambu, com microfones de contato que amplificam o som quando a coreógrafa encosta nelas. A trilha sonora que a acompanha é feita ao vivo pelo duo, vai acontecendo conforme o espetáculo flui.

“Eles usam alguns instrumentos de percussão e o computador, que eles sempre trabalham. A dança é muito conectada ao som, como se também fosse um grande instrumento, porque eu toco nas esculturas enquanto me movo”, conta. 

Thembi Rosa trabalha, conforme diz, especialmente com técnicas voltadas às regras de movimento e menos com coreografias marcadas. Para a coreógrafa, a presença de um objeto em cena é uma camada a mais para lidar e abre espaço para o acaso, já que, neste caso, não há controle total dos sons que serão emitidos. 

“O objeto acaba instigando mais, sendo um fator de instabilidade que eu gosto, algo que deixa o corpo mais presente, mais vivo no momento. Você deve encontrar uma solução ali porque não vai ser todo dia igual. Tudo muda, o jeito da escultura, quando o bambu está quente ele desce mais. Além da música ao vivo, que não tem uma partitura que eles repetem, a composição é no momento, por mais que a gente tenha uma estrutura.”

Trajetória

Thembi Rosa trilha seu caminho na dança desde criança e, aos 15 anos, passou a estudar balé e dança contemporânea. “Estudei no Palácio das Artes, no Ana Pavlova, no Corpo e fui do grupo Oficcina Multimédia, depois dancei com a Adriana Banana. Desde 2000, tenho um trabalho solo de dança e atuo como coreógrafa, inclusive vários desses trabalhos foram feitos com o Grivo.”

A parceria com o duo vem de anos. Os três se conheceram por meio da Fundação de Educação Artística, onde, ainda adolescente, Thembi travou contato com o trabalho de Nelson Soares e Marcos Moreira. “Em 2000, eu os convidei para fazermos um trabalho que estreou inclusive no Teatro Marília. Depois disso, eles sempre fizeram a trilha dos meus espetáculos”

“PEÇAS SONORAS” NO TEATRO MARÍLIA

Com Thembi Rosa e O Grivo, nesta terça-feira (7/4) e quarta (8/4), às 19h, no Teatro Marília (Avenida Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Entrada gratuita mediante retirada de ingresso pela plataforma Sympla. Apresentação do dia 8/4 tem audiodescrição para pessoas cegas e de baixa visão, além de visita ao palco para este público às 18h30. 

OFICINA MÚSICA, DANÇA, IMPROVISAÇÃO E OBJETOS SONOROS

Com Thembi Rosa, nesta quarta-feira (8/4), das 14h às 16h, no Teatro Marília (Avenida Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Participação gratuita e por ordem de chegada. 

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 *Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

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