Artista expõe obras que mesclam retalhos, bordado e grafite sobre papel
Rita de Souza inaugura nesta terça-feira (7/4), na Piccola Galleria, na Casa Fiat, a individual ‘Reparar entre linhas’, que fica em cartaz até 24 de maio
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Chita é daquelas coisas que não precisam de explicação. Todo brasileiro conhece – se não, deveria conhecer – o tecido rústico, muito colorido, com estampas florais. Pois a chita é a base da nova exposição da Piccola Galleria, da Casa Fiat. Com abertura nesta terça-feira (7/4), a mostra “Reparar entre linhas”, de Rita de Souza, reúne 14 desenhos e bordados sobre papel.
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A relação da artista com a chita começou cinco anos atrás, quando Rita participou de residência artística no Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), do Palácio das Artes. Na época, estudava a relação entre os tecidos e a arte contemporânea. Quando foi apresentar seu trabalho, decidiu trabalhar na chita, “pois é extremamente simbólica culturalmente”.
A partir do tecido, Rita criou trabalhos que dialogam com temas atuais, como a violência contra a mulher e questões de gênero. Para criar obras da série “Saias de Maria”, a artista desbotava uma parte dos tecidos para escrever histórias de mulheres.
Até que passou por uma experiência interessante. Um dos tecidos não desbotou. “A cor da chita é muito forte. Deixei um dia na água sanitária e a cor ficou intacta”, conta Rita. Só que, na hora em que foi pegá-lo, o tecido se desfez. “Ele parecia intacto visualmente, mas a trama, que era frágil, tinha se desfeito.”
Desde então, Rita passou a se interessar mais pelas tramas do que pelos tecidos em si. São estes os trabalhos que exibe na Piccola Galleria. Ela desfaz as tramas de retalhos, que ficam com rasgos ou buracos. “A partir dos retalhos desfiados, crio desenhos. São desenhos de observação de grafite sobre papel”, conta. Uma vez feitos os desenhos, nas partes desfiadas ela faz bordados coloridos.
“Como faço desenho em grafite, não há cor. É na segunda parte do trabalho (quando ela borda nos buracos feitos na trama com as cores que o retalho tinha originalmente) que a chita retoma a cor. É uma forma de mostrar a superação”, afirma a artista. Os trabalhos expostos na Casa Fiat têm o mesmo tamanho: 38cm X 38cm. Mas cada um tem uma forma de bordar.
Para realizar os trabalhos, Rita teve que aprender a bordar. “Mas não me considero bordadeira. Não tenho pontos perfeitos, faço um bordado mais livre. É interessante pensar na interação das linhas. Começo cada trabalho desfiando as linhas da trama, depois venho com um desenho de linhas para, mais tarde, entrar com a linha do bordado”, comenta a artista.
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“REPARAR ENTRE LINHAS”
Abertura nesta terça-feira (7/4) da exposição de Rita de Souza na Piccola Galleria – Casa Fiat (Praça da Liberdade, 10, Funcionários). Às 19h, a artista promove um bate-papo com o público. Visitação de terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Entrada franca. Até 24 de maio.