A matriarca de uma família enlutada é o novo papel de Michelle Pfeiffer na série “Madison” (Paramount+), assinada por Taylor Sheridan, o mesmo criador de “Yellowstone”.


É um momento diferente na carreira da atriz, agora rendida à TV, distante do cinema que lhe rendeu indicações ao Oscar por “Ligações perigosas” (1988), “Susie e os Baker Boys” (1990) e “As barreiras do amor” (1993).


Mulher-gato

À época na casa dos 30 anos, Pfeiffer encantou Hollywood com seu jeito sensual de fazer drama em “Ligações perigosas” e com a Mulher-Gato de “Batman: O retorno” (1992), a versão mais memorável da gatuna.


Nos anos 2000, a estrela enfrentou a derrocada, com poucos trabalhos de destaque. Mais velha, passou a receber convites para interpretar madrastas malvadas ou tipos que considerava degradantes.


“Quando comecei, a carreira da mulher meio que acabava aos 40. Mudou muito. Agora, com tanto conteúdo na televisão, há mais oportunidades, especialmente para atrizes da minha geração”, diz michelle, de 67 anos. “Os melhores trabalhos hoje, aliás, vêm de mulheres da minha geração ou mais velhas.”


Antes de aceitar o convite para “Madison”, ela se aconselhou com Helen Mirren, de 80, a consagrada atriz britânica que estrela “1923”, outra série de Taylor Sheridan.


Certamente, Helen teria algo bom ou ruim a dizer sobre aquele homem, Pfeiffer pensou. Dito e feito. A atriz respondeu que nunca havia se divertido tanto em uma produção.


Convite aceito, Michele Pfeiffer recebeu o papel de Stacy Clyburn, ricaça de Nova York que convence a família a trocar o luxo da cidade grande por um rancho em Montana, onde, na quietude da natureza, eles talvez conseguissem desvendar um jeito de curar o luto.


É um papel carregado de drama, do tipo que Michelle gosta de fazer. Mas há uma questão. Embora acuse a indústria de machismo, a atriz se entrega à obra de um escritor constantemente criticado pela forma como trata as mulheres em seus roteiros.


Taylor Sheridan se tornou poderoso na TV americana com “Yellowstone”, dramalhão sobre a vida no campo. A série rendeu outras, todas protagonizadas por homens, criando um império do faroeste na televisão.


Pfeiffer admite ter desconfiado do projeto. Sheridan não tinha nem o roteiro quando a convidou. Mas ela jantou com ele e a mulher, ouviu os detalhes e só depois da bênção de Helen Mirren se sentiu confortável. Aliás, “Madison” é dirigida por uma mulher, Christina Alexandra Voros, que trabalhou em alguns episódios de “Yellowstone”.


Com duas temporadas gravadas, Michelle e Kurt Russell interpretam marido e mulher. Uma das filhas do casal é vivida por Elle Chapman, que diz ver Pfeiffer como exemplo de resistência em Hollywood.


A personagem Stacy está, de certa forma, conectada ao papel que a atriz desempenhou na vida real quando escolheu se afastar do cinema. Diante de tantos convites que a desagradavam, decidiu dar um tempo para cuidar dos filhos com o produtor David E. Kelley. Ser mãe fez dela menos narcisista e obcecada pelo trabalho, revelou ao jornal The New York Times.


Perua

Kelley aproveitou que a mulher pegou gosto pela TV e a escalou para outra série, assinada por ele. “Margô está em apuros”, que chega em abril à plataforma Apple TV. Pfeiffer vive o papel cômico de uma mulher meio perua casada com um religioso.


Longe do drama de “Madison”, o seriado lembra, de certa forma, a comédia “Hairspray: Em busca da fama” (2007), na qual ela interpretou Velma Von Tussle. Naquela época, trabalhar com o marido estava longe de suas prioridades. Mas as coisas mudaram. (Guilherme Luis)

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“MADISON”
• Primeira temporada, com seis episódios, disponível na plataforma Paramount+.

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