A expressão “afrociberdelia” surge da mistura entre as palavras África, cibernética e psicodelismo. No dia 15 de maio de 1996, a banda recifense Nação Zumbi lançou seu segundo álbum, valendo-se das três influências nas faixas. O disco foi batizado como “Afrociberdelia”. Nesta quinta-feira (19/3) e sexta (20/3), a banda celebra os 30 anos de lançamento do disco com shows n'A Autêntica, em Belo Horizonte. 

A banda, precursora do movimento Manguebeat, se apresenta com Jorge Du Peixe (vocal), Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias (tambor), Da Lua (tambor), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra). O público das duas noites ouvirá “Maracatu atômico”, “Macô”, “Etnia” e “Um passeio no mundo livre” fazem parte da seleção das duas noites. "Afrociberdelia" será tocado na íntegra.

Com mescla de elementos populares da região, como o maracatu, com o hip-hop e o rock and roll internacional, o Manguebeat se popularizou no país, especialmente na década de 1990. O “mangue” faz referência aos manguezais, ecossistema de transição entre regiões marítimas e terrestres. 

O primeiro álbum da banda, “Da lama ao caos” (1994), marcou a história da música brasileira. “Não posso deixar de falar em momento nenhum sobre o ‘Da lama ao caos’ quando eu falo sobre o ‘Afrociberdelia’. Embora sejam discos distintos, momentos distintos, existem elementos ali que vão estar presentes nos dois e ser impactantes, como os tambores. O ‘Afrociberdelia’ é mais psicodélico, com uso dos eletrônicos, enquanto o ‘Da lama ao caos’ é mais orgânico”, afirma Jorge Du Peixe.

Chico Science, vocalista da primeira formação da Nação Zumbi, morreu aos 30 anos, em 1997. “Cada subida no palco é em tom de reverência a Chico, ele sempre foi e sempre será Nação Zumbi, não há como separar isso. No início, tivemos que tirar um tempo para assimilar o baque, éramos amigos antes de tudo isso, uma irmandade”, conta.

Segundo o cantor, a banda conviveu com a sensação de que não poderia abandonar o que havia sido construído após a morte de Chico Science. “Celebrando 30 anos do disco, muita coisa volta à cabeça, vem um filme de todas as memórias. Vamos retomar os ensaios e apresentar músicas que, até então, não tínhamos levado para o palco nem com o Chico. Estamos levando o disco na íntegra mesmo.”

Neste ano, Chico Science e Nação Zumbi foram enredo da Grande Rio (“A nação do mangue”). “É importante a memória do Chico para esse grito dado a partir de Recife nos anos 90. Não sei se a história foi bem contada, não cheguei a ver direito, a Nação Zumbi não estava lá porque também estávamos na corrida do carnaval por aqui e não pudemos estar presentes. Mas é muito importante, as escolas de samba têm uma importância muito grande, não só na cultura do carnaval, como do Rio também”, diz o músico. 

30 ANOS DE "AFROCIBERDELIA"

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Show da Nação Zumbi. Na Autêntica (Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia), nesta quinta-feira (19/3), às 20h, e sexta-feira (20/3), às 21h. Ingressos para o dia 19 à venda na plataforma Sympla, R$ 280 (inteira). Apresentação do dia 20 esgotada. 

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