O álbum “Falso antigo” (Biscoito Fino), lançado pelos irmãos Mário e Chico Adnet, reúne nove faixas autorais e faz ode bem-humorada à música popular brasileira. A dupla brinca com compositores do passado que deixaram importante legado para a cultura do país.


“A gente fez a nossa galhofa homenageando precursores como o grupo Anjos do Inferno, que poucos conhecem, mas teve grande influência sobre João Gilberto”, diz Mário Adnet. O conjunto vocal e instrumental formado em 1934 se dedicava ao samba e a marchinhas de carnaval.


Surdina

Outro homenageado foi o Surdina, grupo formado por Fafá Lemos (1921-2004), Chiquinho do Acordeon (1928-1993) e Garoto (1915-1955).


Adnet destaca a importância de Garoto, um pioneiro bem antes de “Garota de Ipanema” estourar mundialmente. “O violão dele já era bossa nova, moderno, com acordes dissonantes, um pouco de jazz e de Ravel”, afirma.


Outro contemplado foi Moreira da Silva (1902-2000). “Chico fez ‘De Aniceto ao acetato’, samba de breque à la Moreira da Silva, e chamamos o Jards Macalé para participar conosco. A música fala da venda de samba, muito comum antigamente.”


Além de Jards Macalé, participa da faixa o humorista Marcelo Adnet, filho de Chico. “Os dois se divertiram muito”, conta o tio. Outros convidados são Mosquito, Roberta Sá, Mônica Salmaso, Pedro Miranda e Pedro Paulo Malta.


A canção “Falso baiano” se inspirou em um mineiro de Juiz de Fora, o compositor Geraldo Pereira (1918-1955), autor do clássico “Falsa baiana”. Pereira, que se mudou adolescente para o Rio de Janeiro, é “o falso baiano do bairro carioca da Tijuca”, brinca Mário.


Tudo começou em 2010, quando os Adnet decidiram compor algo em homenagem a um sujeito feio, mas com talento e suingue. Entre gargalhadas, a dupla tinha em mente o dançarino Fred Astaire. Saiu “Fred Astaire no samba”, que foi parar na rádio digital de Nelson Motta. O jornalista e compositor batizou a canção de “falso antigo”.


Adnet explica que a “galhofa de irmãos” é uma forma divertida de manter viva a arte dos antigos. “É muito importante conhecer a história da música brasileira”, defende.


Participaram do álbum Marcos Nimrichter (acordeom), Edu Neves (flautas e sax), Rogério Caetano (violão de sete cordas), Marcus Thadeu (percussão), Jurim Moreira (bateria), Ana Rabello (cavaquinho), Jorge Helder (baixo), Marcelo Martins (sax), Everson Moraes (trombone e bombardino) e Aquiles Moraes (trompete).


Pela primeira vez, os irmãos, nomes respeitados da cena musical, realizaram um trabalho conjunto. “Isso agora, depois de velhos”, brinca Mário.


“Na verdade, foi uma lembrança da época de garotos. A gente dormia no mesmo quarto, onde tocávamos, ouvíamos e aprendíamos. É muito bom vivenciar aquilo novamente, cada um com sua evolução e maturidade”, conclui.


FAIXA A FAIXA

“Falso baiano”
De Chico e Mário Adnet. Participação de Roberta Sá

“Fake falso”
De Chico e Mário Adnet. Participação de Pedro Miranda

“De Aniceto ao acetato”
De Chico Adnet. Participações de Marcelo Adnet e Jards Macalé

“Acende o lampião”
De Chico e Mário Adnet. Participação de Mônica Salmaso

“Samba réquiem”
De Chico e Mário Adnet. Participação de Mosquito

“Vem papá”
De Chico e Mário Adnet

“Santinha”
De Chico Adnet. Participação de Pedro Paulo Malta

“Fred Astaire do samba”
De Chico e Mário Adnet. Participação de Pedro Miranda

“Astronauta no asfalto”
De Chico e Mário Adnet

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“FALSO ANTIGO”
• Álbum de Mário e Chico Adnet
• Biscoito Fino
• Nove faixas
• Disponível nas plataformas digitais

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