Fascinante e perturbadora em igual medida, “Macbeth”, obra-prima de Shakespeare, ganha duas leituras na Mostra Ao Teatro. O projeto, que segue até o fim de março no Teatro de Bolso do Sesc Palladium, apresenta nesta terça (17/3) e amanhã (18/3) “Escorpiões na alma”, com Júlio Maciel, do Grupo Galpão. De 27 a 29 deste mês, será a vez de Rita Clemente com “Delírio e queda”.
Ainda que ambos sejam solos nascidos de “Macbeth”, o primeiro é uma cena, enquanto o segundo já tem o formato de espetáculo. Os dois integram a segunda edição da mostra, que vem apresentando ao longo deste mês seis trabalhos inéditos com atores experientes da cena mineira. A iniciativa busca a formação de público, bem como a valorização do ofício do ator. A direção-geral é da própria Rita Clemente.
Leia Mais
Maciel encarna o general que se torna rei no experimento cênico que apresenta a parte final do texto. “A rainha já morreu e ele vê que tudo está ruindo. Macbeth, que cometeu várias atrocidades, começa a entender os enigmas de que as bruxas falaram. Ele está começando a cair na real, vendo que tudo acabou. Ao mesmo tempo, tenta se encher de coragem para continuar”, diz o ator, que fica não mais de 20 minutos em cena.
Rita assina a adaptação, a partir do texto shakespeareano. “É tudo bem concentrado, e para mim um grande desafio, pois Macbeth é um personagem incrível. Além do mais, é um solo”, afirma Júlio Maciel. Após as duas sessões, ator e diretora vão conversar com o público sobre o processo criativo.
Rita Clemente interpreta a rainha, mulher de Macbeth, em 'Delírio em queda', com sessões de 27 a 29 de março
Em “Delírio e queda”, Rita se assume como Lady Macbeth. “Em três quintos da peça, ela é a protagonista. Então, resolvi fazer a montagem focada nas ações dela. Ficamos sabendo tudo o que acontece, enquanto a cena do Júlio é o fim. Os dois solos têm abordagens bastante específicas, mostram o nosso jeito de entender os valores que aquele texto pode gerar de discussão nos dias de hoje”, explica a atriz e diretora.
Conexão cênica
“Escorpiões na alma” nasceu de “Delírio e queda”. “A cena do Júlio e o meu espetáculo têm uma comunicação. Também utilizamos elementos cênicos muito aproximados, compartilhamos o cenário. Mas são solos bem diferentes”, explica Rita. Os dois pretendem seguir com a imersão em Shakespeare, mas sem projetos definidos por enquanto.
Para Maciel, fazer projetos fora de seu grupo é sempre muito saudável. “Ator tem de pensar o teatro de todas as formas. O Galpão nos dá a possibilidade de trabalhar com outros diretores e esses trabalhos externos alimentam a gente”, diz.
Terminadas as duas apresentações, o ator segue viajando com o grupo com “(Um) Ensaio sobre a cegueira”, que neste fim de semana será apresentado em Bauru, no interior de São Paulo.
A Mostra Ao Teatro prossegue esta semana. A partir de quinta-feira (19/3), outra obra-prima ganha releitura no Teatro de Bolso. “Grande sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, foi a base do inédito “Haicais para Diadorim – para os amantes tornados invisíveis”.
Escrito em haicais por Carlos Viegas, o monólogo foi adaptado para o palco por Rita Clemente como solo para dois atores: Cláudio Dias (do grupo Luna Lunera) e Letícia Castilho.
Ingressos disputados
A Mostra Ao Teatro segue até o fim de março. De 19 a 21/3, às 20h30, e 22/3, às 19h, será apresentado “Haicais para Diadorim – para os amantes tornados invisíveis”. Já em 27 e 28/3, às 20h30, e 29/3, às 19h, a atração é “Delírio e queda”.
Há ingressos disponíveis apenas para “Haicais”: R$ 20 e R$ 10 (meia), na plataforma Sympla e na bilheteria. Também paga meia quem doar 1kg de alimento.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
“ESCORPIÕES NA ALMA”
Solo com Júlio Maciel. Nesta terça (17/3) e quarta (18/3), às 19h, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Entrada franca. Ingressos na plataforma Sympla já esgotados, mas haverá lote disponível na bilheteria na hora da apresentação.
