“Uma batalha após a outra” foi o grande vencedor do Oscar 2026. A sátira sobre o autoritarismo nos Estados Unidos, que aborda temas quentes como a polarização política e a crise migratória, levou seis dos 13 prêmios a que havia sido nomeada.
Saiu da cerimônia deste domingo (15/3), em Los Angeles, com os principais troféus: Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado (ambos assinados por Paul Thomas Anderson), além de Direção de Elenco, Ator Coadjuvante (Sean Penn) e Montagem.
Dupla vitória da Warner Bros.
Seu principal concorrente, “Pecadores”, que entrou para a história como o filme com o maior número de nomeações (16, ao todo), saiu com quatro Oscars: Melhor Ator (Michael B. Jordan), Roteiro Original (Ryan Coogler), Trilha Sonora e Fotografia. Os dois longas são da Warner Bros., vendida em fevereiro para a Paramount, após uma disputa bilionária com a Netflix.
O terceiro filme com o maior número de troféus foi “Frankenstein”, de Guillermo Del Toro, com os prêmios de Melhor Figurino, Cabelo e Maquiagem e Design de Produção.
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Os três Oscars recebidos por Paul Thomas Anderson foram os primeiros de sua carreira. O cineasta disse que fez o filme para seus quatro filhos (com a atriz Maya Rudolph) “para pedir desculpas pela bagunça que deixamos neste mundo para eles. Quis também deixar um incentivo, para trazer a decência de volta”. Dedicou o Oscar de Melhor Direção para o amigo Adam (Somner, seu diretor assistente, morto no final de 2024), “que está do outro lado, tomando gim tônica”.
“Entre gigantes”
Ovacionado pela plateia do Dolby Theatre, Michael B. Jordan, o sexto negro a vencer na categoria de Melhor Ator, fez questão de se lembrar dos que o antecederam – Sidney Poitier, Denzel Washington, Jamie Foxx, Forest Whitaker e Will Smith, além de Halle Berry, na categoria de Melhor Atriz. “Estou aqui por causa dessas pessoas. Estou entre os gigantes, meus ancestrais, e vou continuar a ser a melhor versão que posso ser.”
Michael B. Jordan, vencedor do Oscar, homenageou os ancestrais e atores negros premiados antes dele: Sidney Poitier, Denzel Washington, Jamie Foxx, Forest Whitaker, Will Smith e Halle Berry
Também emocionante foi o discurso de Jessie Buckley, eleita a Melhor Atriz (único Oscar dos oito a que “Hamnet” havia sido indicado). Dirigindo-se à cineasta Chloé Zhao, a atriz irlandesa afirmou que o melhor foi “conhecer esta mulher incandescente nesta jornada para entender o amor de uma mãe”. A atriz, que há oito meses teve uma filha, contou que o domingo foi Dia das Mães no Reino Unido.
“Dedico o prêmio ao lindo caos do coração de uma mulher. Nós continuamos, apesar dos pesares.”
Autumn Durald Arkapaw, de “Pecadores”, a primeira mulher a receber o Oscar de Melhor Fotografia, se dirigiu às mulheres da plateia dizendo: “Eu não cheguei aqui sem vocês”.
Autumn Durald Arkapaw exibe o Oscar, com seu nome gravado na estatueta. Ela é a primeira mulher a receber o Oscar de Melhor Fotografia, por seu trabalho em 'Pecadores', em 98 edições do prêmio
Na seara das surpresas, houve um empate, apenas o sétimo em 98 edições do Oscar, entre os curtas de ficção “Duas pessoas trocando saliva” (francês, o favorito) e “Os cantores” (americano).
Outro momento inusitado foi a ausência de Sean Penn. O Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Uma batalha após a outra” foi o terceiro do ator americano. Segundo o “The New York Times”, Penn estava na Ucrânia. Em 2022, ele havia presenteado o presidente Volodymyr Zelensky com um de seus Oscars.
Tom otimista
Diante do momento geopolítico complicadíssimo, a cerimônia em si buscou um tom mais otimista. “Este é um evento internacional, com a participação de filmes de 31 países de seis continentes. Vamos hoje comemorar não por achar que está tudo bem, mas porque trabalhamos para fazer algo melhor”, disse o apresentador Conan O’Brien.
Os conflitos no Irã (que levaram ao aumento da segurança no evento, diante de suspeitas de um ataque de drone na Costa Oeste americana), na Ucrânia e na Palestina foram tratados apenas tangencialmente.
O’Brien brincou que o reforço na segurança era, na verdade, por “preocupações com ataques das comunidades de ópera e balé” diante dos comentários controversos de Timothée Chalamet – não só o ator como seu filme, “Marty Supreme”, saíram de mãos vazias da festa.
A tradicional sequência in memoriam foi emoção pura. Billy Crystal homenageou seu grande amigo, o cineasta e produtor Rob Reiner, e a mulher, a fotógrafa Michele Singer, assassinados em dezembro passado pelo próprio filho, Nick. Crystal citou os filmes de Reiner, lembrou a força com que o casal trabalhou para a igualdade de casamentos. “Perdê-los foi algo imensurável.”
Ao final, atores que trabalharam nos filmes de Reiner – Meg Ryan, Demi Moore, Kathy Bates e Kiefer Sutherland, entre eles – se juntaram a Crystal no tributo.
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Na sequência, houve duas falas também muito emocionantes. Rachel McAdams homenageou Diane Keaton – “Não tem uma atriz da minha geração que não tenha sido inspirada por ela” – e Barbra Streisand prestou tributo a Robert Redford. Ela contou que era chamada de Babs por ele. Terminou a homenagem interpretando a vencedora do Oscar “The way we were”, música-tema de “Nosso amor de ontem” (1973), protagonizado por ambos.
