O brasileiro Adolpho Veloso perdeu a disputa pelo Oscar de Melhor Fotografia, neste domingo (15/3). Ele foi indicado pelo trabalho no filme norte-americano "Sonhos de trem", de Clint Bentley, disponível na Netflix. O prêmio ficou com Autum Durald Arkapaw, de "Pecadores"
Os demais concorrentes na categoria eram Darius Khondji, de "Marty Supreme", Dan Laustsen, de "Frankenstein" e Micheal Bauman, de "Uma batalha após a outra".
Em 98 anos de Oscar, Autumn foi a primeira mulher a levar a estatueta de Melhor Fotografia. Ela foi aplaudida de pé pela plateia. Antes dela, somente outras três haviam sido indicadas.
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"É uma honra estar aqui e quero que todas as mulheres se levantem, porque eu não cheguei aqui sem vocês. Eu digo isso de coração. Senti tanto amor de todas as mulheres nessa campanha. Momentos assim acontece por causa de vocês", destacou Durald Arkapaw em seu discurso.
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O paulistano de 36 anos, torcedor do Corinthians, é filho de família mineira – sua mãe é de Araguari. Ele foi o segundo indicado do Brasil na categoria. Em 2004, Cesar Charlone concorreu a Melhor Fotografia por “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles.
Antes de projetar seu nome internacionalmente, há aproximadamente cinco anos, Adolpho Veloso trabalhou com curtas-metragens; publicidade para marcas globais, como Nike, Adidas e Leica; e videoclipes de artistas como Pabllo Vittar e Gloria Groove, além de outros formatos.
O interesse de Veloso por cinema surgiu cedo, quando tinha 12 anos. Ele fez faculdade na Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, e começou a estagiar no primeiro ano.
Luz do cotidiano
Estrelado por Joel Edgerton e Felicity Jones, "Sonhos de trem" tem na fotografia um de seus principais méritos, com Veloso fazendo uso quase exclusivo da luz natural, para aproximar o espectador dos personagens.
O fotógrafo contou em entrevista recente que a ideia foi trabalhar a luz que as pessoas estão acostumadas a ver no cotidiano, evitando a sensação de artificialidade. A paisagem se torna, dessa forma, um personagem do filme.
"A gente trabalhou quase o filme todo com luz natural. Não tem interferência de luz artificial ou efeitos especiais. É difícil fazer isso, mas foi a maneira que aprendi a trabalhar. Grande parte da minha carreira foi no Brasil, com orçamentos pequenos, e tudo o que tinha era uma locação. Às vezes, nem tinha orçamento para ter uma luz ou uma interferência na pós-produção. Só ampliei isso para uma escala maior", disse.
Baixo custo
"Sonhos de trem" custou US$ 8 milhões, ao passo que "Pecadores" e "Uma batalha após a outra", por exemplo, ultrapassaram a casa dos US$ 150 milhões.
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Em entrevista à BBC, o brasileiro lembrou que "Sonhos de trem" – que teve os direitos de exibição adquiridos pela Netflix após estrear no festival norte-americano de Sundance, em 26 de janeiro de 2025, e ser lançado em algumas salas dos EUA, em novembro – é originalmente um filme independente muito barato perto dos padrões de Hollywood.
