Garoto de 16 anos no balneário inglês de Bournemouth, Andy Summers ficou extasiado ao assistir a “Orfeu negro” (1959) no cinema de arte local. Apresentado à cultura brasileira por meio do filme do francês Marcel Camus, “imediatamente”, ele diz, aprendeu a tocar “Manhã de carnaval”, de Luiz Bonfá e Antonio Maria.
“Acho que Deus quis que eu passasse muito tempo no Brasil”, afirma hoje, aos 83 anos, Summers, o guitarrista do Police. Com constantes passagens pelo país, ele está mais uma vez às voltas com a turnê do Call The Police.
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O trio formado por Summers, o baterista dos Paralamas, João Barone, e o baixista e vocalista Rodrigo Santos (ex-Barão Vermelho) está completando 10 anos. Chega a BH neste domingo (8/3), para show no Palácio das Artes. A excursão atual, com nove datas, já passou pela Argentina, Uruguai e São Paulo, no Brasil. A temporada termina terça-feira (10/3), no Rio.
O repertório, obviamente, reúne todos os hits do Police e sua mistura de punk, reggae e new wave, com “Every little thing she does is magic”, “Every breath you take”, “Message in a bottle” e “Roxanne”, entre tantas outras.
O trio que Summers, Sting e Stewart Copeland mantiveram entre o final dos anos 1970 e meados dos 1980 – com turnê celebratória de quase 20 anos, que veio ao Brasil – é, ainda hoje, uma das formações mais influentes do período.
Sobre os parceiros brasileiros, o guitarrista é categórico. “Toda vez que voltamos a tocar juntos, quase não precisamos ensaiar, pois conhecemos o repertório muito bem.”
Summers ousa dizer que Call The Police é, por vezes, “até melhor do que o Police”. “É mais livre, não é tão exato. Não sinto que estou tocando as músicas do Police, e a gente se diverte muito.”
O projeto começou por sugestão do produtor musical e empresário Luiz Paulo Assunção, com quem o inglês trabalha desde a década de 1990. Foi ele quem apresentou Summers a Santos. Corria o ano de 2014 e os dois logo emendaram alguns shows.
“O Rodrigo cantava umas músicas dele, eu fazia umas coisas do Police, que ele cantava muito bem”, conta o guitarrista. Em 2016, Barone entrou no barco, estabelecendo o grupo – não dá para esquecer que o trio britânico é uma referência fundamental na trajetória dos Paralamas.
Até hoje, as turnês ocorreram somente na América do Sul. “Talvez um dia a gente vá para outro lugar. Quer dizer, um empresário queria levar a banda para shows nos EUA, mas não sei se é boa ideia. O que sei é que sempre fico feliz em vir para cá. O Brasil é parte importante da minha vida.”
Bossa nova
Summers vive em Los Angeles. Foi lá que ele aprendeu a fundo a tocar bossa nova. Já lançou os álbuns “United Kingdom of Ipanema” (2018), com Roberto Menescal, e “Fundamental” (2012), com o autor de “O barquinho” e Fernanda Takai.
Não foi difícil compreender a batida da bossa, ele diz. “Quando tinha 12, 13, 14 anos, o que mais queria tocar ao violão era jazz. A bossa teve grande influência para mim. Tive um professor muito bom, Howard Heitmeyer (lenda entre os guitarristas californianos, morto aos 97 anos em 2020). Foi ele quem me fez mergulhar ainda mais na música brasileira.” Seu standard favorito continua sendo “Manhã de carnaval”.
“Aberto a muita coisa”, Summers não descarta nova parceria com brasileiros. “Gosto de coisas desafiadoras, você tem de se dedicar a elas para fazer muito bem.”
Por ora, o inglês planeja gravar em casa, nos próximos meses. “Estou pensando em um novo disco radicalmente diferente. Tenho 13 faixas instrumentais com pegada jazzística. Ainda não as terminei, mas as composições são realmente ótimas”, finaliza.
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CALL THE POLICE
Show neste domingo (8/3), às 19h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Plateia 1: R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia). Plateia 2: R$ 270 e R$ 135 (meia). Plateia superior: R$ 230 e R$ 115 (meia). Ingressos à venda na bilheteria e na plataforma Sympla
