Na visita à exposição em cartaz no Palácio das Artes, prorrogada até 26 de abril, os bonecos do Grupo Giramundo parecem protegidos e valorizados. Porém, a impressão é enganosa. O diretor da companhia, Marcos Malafaia, alerta que o acervo está apenas provisoriamente seguro e pode voltar a enfrentar risco concreto de deterioração assim que a mostra terminar.

“A exposição chama a atenção e dá a dimensão que o acervo tem, como algo grande e difícil de ser mantido”, diz Malafaia. “Os bonecos foram restaurados, estão lá todos lindos, maravilhosos, com pinturas refeitas. Mas se eles voltarem para nossas caixas empilhadas e apertadas na umidade, não vão durar”.

A companhia mineira chegou a manter museu próprio na Rua Varginha, no Bairro Floresta, mas está fechado desde 2019. Desde então, o acervo, com milhares de itens, permanece guardado em galpões, longe do público e exposto a danos físicos e infestação de cupins, risco constante para peças majoritariamente feitas de madeira. Em 2025, mais de 100 bonecos foram perdidos por causa dessas condições.

Além da exposição inédita de bonecos, a mostra inclui atividades educativas, mostra de cinema, espetáculo e visitas guiadas. Leandro Couri/EM/D.A. Press
Até 26 de abril, Grupo Giramundo expõe bonecos e outros elementos cênicos no Palácio das Artes Leandro Couri/EM/D.A. Press
No sábado (11/10), será aberta na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes, a exposição 'Ocupação Giramundo', em cartaz até o dia 22 de fevereiro, com entrada gratuita. Leandro Couri/EM/D.A. Press
A curadoria é organizada em três grandes eixos. O primeiro é a 'Coleção Álvaro Apocalypse', com obras criadas entre 1970 e 2003 pelo artista, considerado o maior criador de bonecos do Brasil. Há também a 'Coleção Giramundo século 21' e a 'Cine Giramundo. Leandro Couri/EM/D.A. Press
O grupo montou mais de 40 espetáculos com bonecos que podem ser manuseados por meio de fios, varas, luvas ou até vestidos. Leandro Couri/EM/D.A. Press
A mostra tem cerca de 600 peças, entre bonecos, máscaras, objetos de cena e elementos cenográficos. Os objetos referem-se à trajetória do grupo no teatro, no cinema e na televisão. Leandro Couri/EM/D.A. Press
No domingo (12/10) será apresentado o espetáculo 'Alice no País das Maravilhas', às 17h30, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda na plataforma Eventim e na bilheteria do teatro. Leandro Couri/EM/D.A. Press

Malafaia afirma que o problema ultrapassa a gestão da companhia, envolvendo a preservação do patrimônio cultural de Belo Horizonte. “O caminho é que a gente, seja a comunidade de Belo Horizonte ou do estado, comece a pensar em um lugar para guardar esses bonecos, porque eles precisam de um museu”, afirma.

Por enquanto, o grupo segue fazendo negociações com o objetivo de sensibilizar tanto o poder público quanto a iniciativa privada para encontrar um espaço definitivo para as peças.

“O Giramundo conseguiu guardar o acervo e trazê-lo ele até os dias de hoje, mas não garante mais a preservação. Assim, a gente perde espetáculos, perde história. Belo Horizonte merece o Museu Giramundo”, conclui Marcos Malafaia.

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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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