“Ora, ninguém é perfeito.” A célebre frase, que encerra a comédia “Quanto mais quente melhor” (1959), sintetiza o humor ácido que marcou a obra de Billy Wilder (1906-2002). Essa é a principal característica que norteia a seleção de filmes para a primeira mostra do ano no Cine Humberto Mauro, dedicada ao diretor e a Marilyn Monroe (1926-1962).
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Nesta sexta (20/2) e no domingo, a programação gratuita “Marilyn Monroe & Billy Wilder: O encanto ácido de Hollywood” exibe cinco dos 30 títulos que integram a retrospectiva, em versões digitais restauradas. Todos os filmes em cartaz nesta semana são dirigidos por Wilder e apenas um deles – a já citada comédia americana – tem Monroe no elenco.
Com sessão hoje às 17h15, “Quanto mais quente melhor” é o segundo e último filme da dupla, que havia colaborado antes em “O pecado mora ao lado” (1955). A parceria do cineasta e da atriz foi conturbada, o que inviabilizou novos projetos juntos. Wilder se queixava de que Monroe estava constantemente atrasada para as gravações e tinha dificuldade de decorar suas falas.
Na comédia que se tornou um dos maiores clássicos do cinema, os músicos Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) fogem da máfia de Chicago após presenciarem um assassinato. Disfarçados de mulheres, encontram refúgio em uma banda feminina, em que Sugar (Monroe) é a cantora. O filme usa o humor para brincar com convenções de gênero e sexualidade.
FILHA DO MOTORISTA
Ainda nesta sexta, “Sabrina” (1954), estrelado por Audrey Hepburn, outra musa do cinema, será exibido às 15h. No romance, ela interpreta a filha do motorista da rica família Larrabee. Após anos afastada em Paris, retorna para os EUA e passa a despertar o interesse dos dois herdeiros da casa, David (William Holden) e Linus (Humphrey Bogart).
Encerrando o dia, às 19h30, será exibido o clássico sobre jornalismo sensacionalista “A montanha dos sete abutres” (1951). O filme acompanha Kirk Douglas como o repórter Chuck Tatum que, após ser demitido de 11 redações, muda-se para o Novo México. Tentando recuperar a reputação, ele manipula o resgate de um homem preso em uma mina para prolongar a cobertura e conseguir mais atenção.
No domingo, as sessões da mostra começam às 18h, com “Farrapo humano” (1945), o longa mais antigo em cartaz no fim de semana. O noir acompanha o escritor alcoólatra Don (Ray Milland) que tenta permanecer sóbrio por alguns dias, enquanto mergulha em alucinações e autossabotagem.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator (Milland) e Melhor Direção (Wilder), o longa inovou a abordagem do alcoolismo no cinema, ao retratá-lo adequadamente como doença.
O cartaz de domingo, às 20h, é “Testemunha de acusação” (1957), adaptação do livro homônimo de Agatha Christie, de 1925. No suspense judicial, Sir Wilfrid Robart (Charles Laughton) assume a defesa de um homem acusado de assassinar uma viúva rica. No entanto, o depoimento da esposa do réu, interpretada por Marlene Dietrich, provoca reviravoltas que colocam em xeque as motivações dos envolvidos.
PROGRAMAÇÃO
Sexta (20/2)
15h - “Sabrina” (Billy Wilder, EUA, 1954)
17h15 - “Quanto mais quente melhor” (Billy Wilder, EUA, 1959)
19h30 - “A montanha dos sete abutres” (Billy Wilder, EUA, 1951)
Domingo (22/2)
18h - “Farrapo humano” (Billy Wilder, EUA, 1945)
20h - “Testemunha de acusação” (Billy Wilder, EUA, 1957)
“MARILYN MONROE & BILLY WILDER: O ENCANTO ÁCIDO DE HOLLYWOOD”
A mostra segue até o dia 28 de fevereiro no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada franca, com retirada de ingressos na plataforma Eventim, a partir das 12h do dia de cada sessão, ou meia hora antes, na bilheteria. Programação completa no site da Fundação Clóvis Salgado.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes
