Jane Duboc convida o público a embarcar na cantoria dos jipes de sua vida
Cantora traz a turnê 'De lá para cá' à capital e comemora seus 50 anos de carreira, no Cine Brasil, com músicas e causos
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Neste fim de semana, a cantora Jane Duboc terá tripla jornada no Cine Theatro Brasil, em Belo Horizonte. Amanhã e domingo à noite (28/2 e 1º/3), ela apresenta o show “De lá para cá”. No domingo, é convidada especial do projeto Artistas Mineiros in Concert, que começa às 18h.
A turnê “De lá para cá” faz um passeio pela trajetória da artista paraense, que tem cinco décadas de carreira e 33 álbuns lançados. Jane diz que o show relembra os tempos em que dirigia um jipe sem capota na região de Natal (RN), onde morava com a família.
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No caminho para o sítio, ela cantava “Não diga não”. Quando viveu em Belém, a cantoria acontecia dentro de outro jipe, o “Mutuquinha”, que pertencia a um primo.
Não podia dar outra: “Manuel, O Audaz”, canção de Toninho Horta e Fernando Brant inspirada no jipe do letrista mineiro, faz parte do repertório de Jane. “Quando morava em Belém, eu disse: 'Um dia vou gravar esta música. E gravei, com o Toninho tocando. Ele fez um arranjo de cordas lindo”, conta.
No final dos anos 1960, Jane trocou Belém pelos Estados Unidos, onde também dirigia um jipe. Cantou em bares, casamentos e boates. De volta ao Brasil, gravou disco com Raul Seixas, que tinha arranjos de Luiz Eça.
“Em 1980, lancei o álbum ‘Languidez’ com a canção ‘Que outro dia amanheça’, música que me deu sorte, pois tocou muito nas rádios. Toquinho adorou e acabei indo para a Europa com ele. Minha vida foi toda assim: nada programado. Nunca imaginei ser cantora, apenas fui sendo”, brinca.
Psiquiatra
O sonho dela era virar psiquiatra e cuidar de adolescentes, mas a música não lhe deu trégua. Também pudera. Foi criada ouvindo o chorinho dos tios e do avô, o samba que o pai cantava com seu trio, além de jazz e bossa nova.
Em 1987, Jane gravou “Chama da paixão”, de Cido Bianchi e Thomas Roth, e estourou. Sempre vinha a BH fazer shows com Tunai (1950-2020), por isso se sente em casa na capital mineira.
“Minas é o meu segundo lugar na vida. O primeiro é o Pará, onde nasci. Gravei um disco só com músicas de Flávio Venturini, com arranjos do Torquato Mariano”, comenta.
O show “De lá para cá” relembra os tempos paraenses, com músicas da região, e passa também pelos Estados Unidos. Ela morou na Georgia, interpretava Burt Bacharach e blues em locais frequentados só por negros. Viu de perto a segregação racial nos EUA e a luta pelos direitos civis nos anos 1960 e 1970.
Blues, bossa e valsa
“No meu show, faço um blues em homenagem aos negros. Canto também um pouco de bossa nova e depois Egberto Gismonti, com quem trabalhei vários anos. Vou para Toninho Horta, que adoro, faço também a música que compus em homenagem a Minas, além de “Besame”, do Flávio Venturini.”
Tocando violão e acompanhada do contrabaixo de Aloísio Horta, Jane Duboc promete celebrar a diversidade, a liberdade criativa e a beleza das conexões humanas. E, claro, vai contar histórias de todos os jipes que acompanharam sua jornada musical pelo mundo afora.
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JANE DUBOC
Show “De lá para cá”: sábado (28/2), às 20h, e domingo (1º/3), às 20h15, no Teatro de Câmara do Cine Brasil (Praça Sete, Centro), com ingressos a R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). Domingo, às 18h, a cantora é convidada do projeto Artistas Mineiros in Concert, no Grande Teatro do Cine Brasil, com inteira a R$ 80 (plateia 2). Vendas on-line na plataforma Eventim.