LUTO NO CINEMA

Morre o mestre do documentário Frederick Wiseman

Diretor que esquadrinhou com rigor e sobriedade as instituições americanas em títulos como ‘Violência doméstica’ morreu aos 96 anos, em casa, nos EUA

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O documentarista norte-americano Frederick Wiseman morreu na última segunda-feira (16/2), aos 96 anos.Wiseman faleceu pacificamente em sua casa, em Cambridge, Massachusetts, segundo um comunicado de sua produtora, Zipporah Films.

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O cineasta realizou mais de 40 documentários sobre as instituições dos Estados Unidos. Foi reconhecido por seu olhar particular e pouco intrusivo sobre a vida cotidiana das pessoas. O método de não interferir nas situações que registrava passou a ser reconhecido como “mosca na parede”, em referência ao fato de que sua câmera era tão pouco perceptível como um inseto no ambiente.


Seu primeiro filme, “Titicut Follies”, capturou a dura realidade de uma instituição judiciária para pessoas com transtornos psíquicos, Bridgewater, localizada em Massachusetts.

Filmado em 1967, o documentário mostrou imagens de maus-tratos aos pacientes, incluindo uma cena polêmica em que um homem era alimentado à força por um médico enquanto este fumava, e as cinzas caíam no funil da comida.

O filme chegou a ter exibições públicas proibidas, por supostamente invadir a privacidade dos internos.


Ficção sobre Tolstói

Em um de seus projetos de 2020, chamado “City Hall”, Wiseman voltou à sua cidade natal, Boston. Dois anos depois, fez uma incursão pouco frequente na ficção com “A couple” (Um casal), inspirado na conturbada relação e na correspondência entre Leon Tolstói e sua esposa, Sofia.


Em uma entrevista concedida em 2021, ele afirmou que a lista de instituições sobre as quais queria fazer filmes era “interminável”. “E se o grande romancista americano não escrevesse romances?”, intitulou o “New York Times” em 2020, ao descrever a obra de Wiseman como “o equivalente contemporâneo mais próximo” do romance clássico.


Em 2001, Frederick Wiseman teve parte de sua obra – que então somava 32 títulos – exibida pelo Festival É Tudo Verdade, do qual participou como convidado. Na ocasião, ele participou de um debate com o documentarista brasileiro João Moreira Salles, que classificou sua obra como “o cinema mais político que os Estados Unidos já viram”.


“Se entendermos política como uma análise do poder na sociedade, veremos que o cinema de Wiseman é isso. É sobre como as pessoas se submetem às instituições, e o poder acaba se degenerando em pequenos atos de crueldade e opressão. Mostra como você se modifica em contato com essa lógica burocrática e como isso modifica você ao atravessar uma instituição. Essa é a essência de uma análise política dos EUA”, afirmou Moreira Salles antes do encontro com Wiseman.

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Via redes sociais, o É Tudo Verdade se expressou sobre a morte de Wiseman. “A equipe do É Tudo Verdade expressa seu luto profundo pela morte do documentarista Frederick Wiseman (1930-2026), mestre maior que nos honrou como convidado especial da retrospectiva internacional de 2001”. (Com agências de notícias) 

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