“Rotomusic de liquidificapum” (1993) marcou a estreia do Pato Fu. Ali, o grupo já exibia inventividade musical, mesclando elementos de diferentes gêneros com ousadia e humor. No entanto, foi o álbum seguinte, “Gol de quem?” (1995), que projetou a banda mineira nacionalmente.
“Depois do ‘Rotomusic’, a gente foi contratado pelo selo Plug/BMG para o segundo disco. Fizemos alguns shows no Rio de Janeiro e tivemos nossa primeira música tocando nas rádios, ‘Sobre o tempo’. Eu me lembro de estar com o single nas mãos, gravado no vinil do tamanho de um LP, e falar: ‘Cara, chegamos lá!’”, recorda o guitarrista John Ulhoa, fundador do Pato Fu.
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“Sobre o tempo” é a sétima faixa de “Gol de quem?”, disco que completou três décadas em 2025. Para comemorar, a banda vem apresentando uma série de shows. Neste sábado (31/1), ela sobe ao palco da Autêntica, a partir das 21h. Os últimos ingressos estão à venda na plataforma Sympla.
Embora lançadas no segundo disco, as canções de “Gol de quem?” já existiam antes mesmo de “Rotomusic de liquidificapum”. Elas faziam parte do repertório dos primeiros shows da banda em casas da capital mineira.
“Só não entraram no primeiro álbum porque ele saiu pela Cogumelo Records, uma gravadora de metal. Então, escolhemos a parte do repertório mais pesada, que se encaixava naquele ambiente”, conta John.
O guitarrista já tinha experiência na estrada. Antes de montar o Pato Fu com a cantora Fernanda Takai, com quem se casou depois, e o baixista Ricardo Koctus, John formou as bandas Assustados por um Gesto e o grupo de pós-punk Sexo Explícito, do qual fez parte entre 1982 e 1991.
Integrantes do Sexo Explícito chegaram a se mudar para São Paulo e lançar álbuns pelas gravadoras Plug/BMG e Eldorado, mas a banda foi perdendo espaço com o declínio do rock e ascensão do sertanejo e da lambada.
Loja de discos
De volta a Belo Horizonte, John Ulhoa abriu uma loja de discos e instrumentos no Centro. Um dos vendedores era Ricardo Koctus. A frequentadora mais assídua, Fernanda Takai, que vez ou outra deixava com o dono da loja fitas cassete em que cantava Suzanne Vega e músicas autorais.
Na época, John pensava em reativar Assustados por um Gesto com o amigo Bob Faria. Chegaram a ensaiar, mas Bob não se adaptou aos sequenciadores e às bases eletrônicas usadas por John e decidiu sair. Koctus entrou no lugar dele, Fernanda completou a formação.
Detalhe da capa de 'Gol de quem?'. Com a dupla de anjinhos, álbum chamou a atenção para o pop mineiro e a criatividade do Pato Fu
Com a experiência de John e a irreverência do trio, Pato Fu acumulou histórias curiosas desde o início. Uma delas, a “Pato FuDemo”, fita enviada a redações de jornais e zines embrulhada no queijo mais fedido que encontraram no Mercado Central. A banda nunca recebeu silêncio como resposta.
O resto é história. E é essa trajetória que o grupo vai revisitar no show deste sábado. O repertório inclui as canções de “Gol de quem?” e hits de outros discos, além de faixas consideradas “lado B” da banda, como “Água”, do álbum “Tem mas acabou” (1996), e “Imperfeito”, de “Isopor” (1999).
“Não fizemos um show só com o repertório do ‘Gol de quem?’ porque percebemos que ele dava umas barriguinhas”, conta John. A turnê começou em agosto do ano passado, em São Paulo, com participações de BNegão, Zélia Duncan, Tom Zé e um coral.
“Optamos pelo repertório que começa com as músicas do disco, que a gente toca quase inteiro, e depois colocamos mais um monte de coisas. Já que o show homenageia um álbum de 30 anos, escolhemos também músicas antigas fora do nosso repertório. São as que chamamos carinhosamente de ‘lado B do coração’”, brinca o guitarrista.
Jovens fãs
Assim como “Gol de quem?” apresentou o Pato Fu ao público de fora de Belo Horizonte nos anos 1990, o disco agora ajuda a apresentar a banda às novas gerações presentes nos shows.
“Vai bastante gente da nossa geração ou um pouco mais nova, tipo 40+, mas tem muito jovem também. É uma turma que chega ao Pato Fu porque o pai ouvia, ou por causa da carreira solo da Fernanda, ou até por causa do ‘Música de brinquedo’”, avalia John. “Mas o fato é que ainda existe gente diferente da massa, que não se pauta só pelo TikTok nem por memes. E o número dessas pessoas é relativamente grande”, conclui.
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PATO FU – 30 ANOS DO ‘GOL DE QUEM?’
Neste sábado (31/1), a partir das 21h, na Autêntica (Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia). Segundo lote: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia e ingresso social), à venda na plataforma Sympla
