Bette Davis (1908-1989) e Joan Crawford (1906-1977) são estrelas em cartaz no Cine Humberto Mauro nesta sexta-feira (30/1) para sábado (31/1), às 23h59. A dupla protagoniza o clássico “O que terá acontecido a Baby Jane?” (1962), dirigido por Robert Aldrich, que será exibido na primeira “Sessão da meia-noite” de 2026.
Esse estilo de exibição é inspirado nos “midnight movies”, associados a obras que desafiam padrões comerciais e narrativos. As sessões da meia-noite se transformaram em espaço para a redescoberta de filmes importantes.
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A escolha do longa de Aldrich se relaciona com a mostra “Marilyn Monroe & Billy Wilder: o encanto ácido de Hollywood”, em cartaz no Humberto Mauro até 28 de fevereiro.
Embora “O que terá acontecido a Baby Jane?” não integre a filmografia de Marilyn e Wilder, ele amplia o recorte da mostra, ao abordar temas centrais do cinema clássico norte-americano, como estrelato, envelhecimento e violências presentes na indústria do entretenimento.
"Crepúsculo dos deuses"
Vitor Miranda, gerente de cinema da Fundação Clóvis Salgado, afirma que o longa tem relação direta com “Crepúsculo dos deuses” (1950), dirigido por Billy Wilder, considerado um dos retratos mais realistas da decadência de estrelas hollywoodianas.
“É um filme sobre a indústria cinematográfica importante para a história do cinema, especialmente para as mulheres. Fala sobre uma estrela do cinema mudo em decadência devido à chegada do cinema falado. É especialmente importante quando a gente pensa no cinema metalinguístico, sobre Hollywood se analisar”, afirma.
Em “O que terá acontecido a Baby Jane?”, duas irmãs, ex-estrelas do entretenimento, vivem isoladas em uma mansão em decadência.
Jane Hudson (Bette Davis) foi atriz mirim marcada pela infância de fama e exploração. A ex-diva Blanche (Joan Crawford) lida com graves limitações físicas após um acidente. As duas convivem em meio a ressentimentos, humilhações e violência psicológica em ambiente doméstico marcado por confinamento e tortura emocional.
Baseado no livro de Henry Farrell, o filme mostra que o sucesso do passado se converte em instrumento de opressão no presente.
Nesse intenso thriller psicológico, a rivalidade das irmãs ganha complexidade ao reunir duas estrelas da era de ouro de Hollywood.
“Existiu o mito de rivalidade entre as duas atrizes. Inclusive, o filme partiu da própria Joan Crawford, que leu o romance e foi atrás da produção do filme. Veio dela o processo de convidar o Robert Aldrich e a Bette Davis. Ele fez muito sucesso, virou referência de terror psicológico, inclusive gerou o subgênero ‘hagsploitation’, que vários filmes tentaram imitar”, diz Miranda.
O termo se refere ao estilo de terror protagonizado por personagens femininas de meia-idade que, de alguma forma, enlouquecem por algum acontecimento do passado. Elas passam o resto da vida nutrindo sentimentos que as transformam em pessoas ruins.
SESSÃO DA MEIA-NOITE
Exibição de “O que terá acontecido a Baby Jane?”, às 23h59 de hoje (30/1) para sábado (31/1), no Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada franca, mediante retirada de ingressos exclusivamente pela plataforma Eventim, a partir das 18h. Classificação: 14 anos.
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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria
