SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Kanye West pediu desculpas por ter feito apologia do nazismo e outros comportamentos que provocaram controvérsias nos últimos anos em um anúncio publicado no Wall Street Journal nesta segunda-feira (26/1). Em sua declaração, ele nega ser antissemita e afirma ter "perdido o contato com a realidade".
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"Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu", afirmou o músico americano em seu anúncio.
Esta não é a primeira vez que o cantor se desculpa por episódios do tipo. Em seu anúncio, o cantor faz referência a diversas declarações, que tiveram início em 2022, em que West afirmou, por exemplo, ter "amor" pelos nazistas e admiração pelo ditador alemão Adolf Hitler. No ano passado, ele ainda vendeu itens com suásticas, símbolo nazista, e lançou uma canção intitulada "Heil Hitler".
Também em 2025, um show do cantor estava previsto para novembro no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, mas foi cancelado pela prefeitura. Em comunicado enviado à reportagem na época, a gestão paulistana afirmou que desistiu de ceder o autódromo em função do histórico problemático do artista e disse que ninguém que já tivesse feito apologia do nazismo seria autorizado a se apresentar.
"No momento da reserva da data para o evento, os organizadores não informaram ao município qual artista seria contratado para a realização do show", dizia a nota da gestão comandada pelo prefeito Ricardo Nunes, do MBD. Nos últimos anos, ele também perdeu uma série de outros contratos.
Em seu anúncio publicado no Wall Street Journal, West menciona um acidente de carro que sofreu em 2002. Segundo ele, os exames feitos à época priorizaram os danos visíveis do ocorrido e lesões mais profundas, no crânio, teriam passado despercebidas. Ele credita o diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1 que recebeu às "falhas médicas" daquela época.
"O transtorno bipolar vem com seu próprio sistema de defesa. A negação. Quando você está em mania, não acha que está doente. Acha que todo mundo está exagerando. Você sente que está vendo o mundo com mais clareza do que nunca, quando, na realidade, está perdendo completamente o controle", diz ele.
West ainda cita a Organização Mundial de Saúde, a OMS, ao dizer que pessoas com transtorno bipolar têm expectativa de vida reduzida -de dez a 15 anos, em média- e afirma que a doença é "altamente persuasiva" e capaz de convencer as pessoas a pensarem que "não precisam de ajuda".
"Perdi o contato com a realidade. As coisas pioraram quanto mais ignorei o problema. Eu disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais amo, tratei da pior forma. Vocês suportaram medo, confusão, humilhação e o esgotamento de tentar lidar com alguém que, às vezes, era irreconhecível. Olhando para trás, eu me afastei do meu verdadeiro eu", adiciona o músico.
O cantor também afirma que, no começo de 2025, passou por um episódio maníaco de quatro meses que "destruiu a sua vida", durante o qual encontrou refúgio em fóruns online e pessoas que compartilhavam relatos semelhantes ao do seu histórico de saúde mental.
"Não sou só eu que destruí a própria vida inteira uma vez por ano, apesar de tomar remédios todos os dias e ser informado pelos chamados melhores médicos do mundo de que não sou bipolar, mas que apenas estou vivenciando 'sintomas de autismo'", diz ainda o artista.
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Os produtores da Holding Entretenimento & Networking, responsável pela apresentação de West que estava prevista para o ano passado, dizem que ainda estão tentando fazer com que o show aconteça na capital paulista.
