Um jumento, um cachorro, uma galinha e uma gata maltratados pelos donos fogem de suas casas e se juntam na intenção de formar um grupo musical pautado por liberdade, dignidade e companheirismo. Importado da Itália por Chico Buarque e transformado em teatro no final da década de 1970 – no país europeu, a trama era apresentada ao longo de um LP –, “Os Saltimbancos” é um clássico inconteste, popular há quase cinco décadas.


A estreia foi no Rio de Janeiro, em 1977. Com direção de Antonio Pedro, o elenco contava com Miúcha, Grande Otelo, Marieta Severo e Pedro Paulo Rangel. Desde então, já se perderam as contas de quantas vezes o musical foi montado. Teve até versão mineira. Em 2011, quando a Odeon Companhia Teatral levou para os palcos o espetáculo, que volta a ser apresentado na capital mineira a partir desta quinta-feira (15/1) como parte da 51ª Campanha de Popularização Teatro e Dança. O musical estará em cartaz até segunda-feira (19/1), no Grande Teatro do Palácio das Artes.


“É uma remontagem”, explica o diretor-geral, Carlos Gradim. “Fizemos algumas mudanças conceituais, que fizeram com que o cenário e as coreografias mudassem completamente em relação à montagem anterior, mas sem mudar a estrutura e a base narrativa”, diz.


A história por trás da versão brasileira de “Os saltimbancos” é, no mínimo, curiosa. Tudo começou em 1976, quando o argentino Luis Enríquez Bacalov e o italiano Sergio Bardotti lançaram o disco “I musicanti”, inspirado no conto “Os músicos de Bremen”, sobre quatro animais que fogem dos maus tratos, formam um grupo de música e, ao encontrar os antigos patrões, partem para o enfrentamento.


Chico Buarque já conhecia Bardotti e cultivava um sentimento de gratidão para com ele, que havia traduzido para o italiano diversas de suas canções. Como retribuição, adaptou “I musicanti” para o português. A versão brasileira vendeu tanto que, em pouco tempo, foi transformada em espetáculo de teatro e, posteriormente, em cinema.


Foram para as telonas “Os saltimbancos trapalhões” (1981) e “Os saltimbancos trapalhões: Rumo a Hollywood” (2017), o primeiro estrelado pelo grupo Os Trapalhões e o segundo, por Renato Aragão e Dedé Santana.


Cada montagem tem características próprias. “Trata-se de um texto com muitas camadas e possibilidades de leituras”, afirma Carlos Gradim. Na montagem que ele fez em 2011, por exemplo, o Barão, responsável pela opressão dos protagonistas, era um traficante de animais. Agora, o personagem é um patrão explorador.


“Outra coisa que a gente também traz é a questão do etarismo”, adianta Gradim. “Ao longo desses 15 anos, nossos corpos se modificaram e achei interessante abordar isso. Ninguém deu muita ênfase, mas a personagem da galinha é maltratada porque está velha demais para botar ovos”, comenta.


Gradim afirma que os arranjos das músicas se mantiveram originais, sendo executados por banda ao vivo e pelos solistas Diego Roberto, Marcelo Veronez, Regina Souza e Rose Brant.

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“OS SALTIMBANCOS”
Texto original: Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov. Versão em português: Chico Buarque. Direção Geral: Carlos Gradim. Com Diego Roberto, Marcelo Veronez, Regina Souza e Rose Brant. Em cartaz nesta quinta (15/1), sexta e segunda-feira, às 19h; sábado, às 11h e 17h30; e domingo, às 17h30; no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos à venda por R$ 25 (preço único) no site vaaoteatromg.com.br e nos postos de venda do Sinparc nos shoppings Pátio Savassi, Cidade e Monte Carmo. Na bilheteria do teatro: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

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