Você sabia que o ator Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, também é cantor? Antes mesmo de iniciar a carreira, ele criou uma banda de rock com um grupo de amigos – a Sua Mãe. Anos depois, já no estrelato, substituiu ninguém menos que Renato Russo (1960-1996), em um tributo ao Legião Urbana, em 2012.
O projeto musical Sua Mãe nasceu em Salvador, em 1992, com Moura, o guitarrista Gabriel Carvalho e amigos da escola e da faculdade. A ideia inicial era simples: tocar covers do The Cure, banda inglesa da qual Wagner era fã declarado. Ele, inclusive, conta que a voz lembrava a de Robert Smith, vocalista do grupo britânico.
Com o tempo, porém, o som ganhou identidade própria. Os integrantes perceberam que a melancolia do post-punk dialogava, curiosamente, com a lírica intensa do chamado “brega” brasileiro. Foi assim que Reginaldo Rossi, Odair José e Bartô Galeno passaram a dividir espaço, conceitualmente, com o The Cure. Nascia ali uma fusão improvável e bem-humorada, batizada pela própria banda de “brega-rock”.
Embora as primeiras composições autorais tenham surgido ainda nos anos 1990, a música sempre foi tratada como hobby. Wagner priorizou a faculdade de jornalismo (cursada entre 1994 e 1998) e, depois, a carreira de ator. Os outros membros também seguiram suas carreiras. Ainda assim, a banda nunca acabou.
Leia Mais
Ao longo de mais de 30 anos, a Sua Mãe fez poucas apresentações abertas ao público, mas manteve-se ativa. O primeiro álbum oficial, “The Very Best Of The Greatest Hits Vol. 1”, só foi lançado em 2010. Depois vieram participações midiáticas relevantes: em 2011, a banda gravou “Outra Vez”, de Roberto Carlos, para uma campanha de Dia das Mães da Coca-Cola, e também contribuiu com uma música inédita para a trilha sonora do filme “O Homem do Futuro”, protagonizado por Wagner Moura.
Em 2023, a discografia ganhou continuidade com “Sua Mãe Vol. 2”, lançado mais de uma década após o primeiro disco. Entre as canções autorais mais celebradas estão “Clóvis”, “Vanessa”, “Lágrimas de Palhaço”, “À Meia Luz”, “Prefixo Solidão” e “É Lindo Amar Alguém”. O repertório também inclui releituras roqueiras de clássicos do brega, como “Eu Vou Tirar Você Desse Lugar” e “Torturas de Amor”.
Atualmente, a formação conta com Wagner Moura (vocal), Gabriel Carvalho e Ede Marcus (guitarras), Serjão Brito (baixo), Claudinho David (violão) e Carlos “Leco” Alessandro (bateria). Nenhum dos integrantes vive exclusivamente de música, mas sempre que Wagner passa por Salvador, o grupo costuma se reunir para ensaiar, compor e, sobretudo, se divertir.
O dia em que Wagner cantou com a Legião Urbana
A maior plateia diante da qual Wagner Moura se apresentou como cantor não foi com a Sua Mãe. Em 2012, ele foi convidado por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá para assumir os vocais em um tributo ao Legião Urbana, exibido pela MTV. O show reuniu cerca de sete mil pessoas em São Paulo e contou com um repertório de 28 músicas, incluindo clássicos como “Tempo Perdido”, “Será” e “Pais e Filhos”.
A apresentação aconteceu um ano após o lançamento de “O Homem do Futuro”, filme em que “Tempo Perdido” tem papel central na trama — há, inclusive, uma cena em que os personagens de Wagner Moura e Aline Moraes cantam a música em uma festa. Além disso, Wagner soltou a voz em várias faixas da trilha sonora, como covers de “Inútil”, do Ultraje a Rigor, e “Creep”, do Radiohead; além de colaborar com Vanessa da Mata na inédita “Homem do Futuro”, do grupo Sua Mãe.
Fã da Legião desde a adolescência, Wagner estava na Alemanha gravando o filme “Praia do Futuro” quando recebeu o convite. “Eles eram meus ídolos. Foi incrível, como se fosse um fã que eles cataram na plateia e colocaram para cantar com os caras”, contou, anos depois, no podcast Mano a Mano, apresentado pelo rapper Mano Brown.
O tributo dividiu opiniões. Houve quem apontasse desafinação; houve quem se emocionasse. Nas redes sociais, as críticas foram duras — algo que o próprio Wagner reconhece. “Disseram que cantei mal para caralho, mas aquilo foi uma das coisas mais legais que eu fiz na minha vida”, afirmou.
No mesmo podcast, ele chegou a dizer que apanhou mais ao participar do projeto da Legião Urbana do que ao dirigir o filme “Marighella”. Ainda assim, reforçou a importância da banda em sua formação musical. Foi por causa da Legião que conheceu grupos como The Smiths, The Cure e New Order.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
