Artes cênicas

Fernando Veríssimo volta ao cartaz com o solo dramático 'Scarlet'

Espetáculo discute o amor e as relações afetivas no mundo contemporâneo, com sessões até domingo (1º/2), no Sesc Palladium

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Representada por Annie Ernaux e Édouard Louis, entre outros escritores, a autoficção se destaca na literatura contemporânea, combinando elementos biográficos com narrativa ficcional. “Scarlet”, solo do ator e produtor Fernando Veríssimo, leva essa experiência para o palco. A peça fica em cartaz de hoje (27/1) a domingo (1º/2), no Sesc Palladium, na programação da 51ª Campanha de Popularização Teatro e Dança.

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“Scarlet” é a primeira incursão no drama de Veríssimo, conhecido pelas comédias. “Estava muito apreensivo com a ideia. Nunca tinha escrito um texto com essa densidade”, confessa. O espetáculo estreou em julho de 2024, na Funarte MG. O texto vinha sendo pensado pelo ator há cerca de 10 anos.

A dramaturgia surgiu a partir de conversas de Veríssimo com o diretor Fabiano Lana e tomou forma nos ensaios. Veríssimo levava ideias e cenas, enquanto Lana atuava como provocador, questionando motivações dos personagens e aprofundando os temas debatidos pela dupla. “Era quase uma terapia para o texto sair. Depois foi só peneirar, tirar excessos”, conta o ator.

“Scarlet” propõe reflexões sobre a natureza do amor nestes tempos de relações frágeis e superficiais. Fernando interpreta três personagens: Scarlet representa a emoção; Genuíno, a racionalidade; e Dara, a sexualidade. O trio funciona como fragmentos do conflito interno vivido por uma mesma pessoa.

'E o vento levou'

O título, explica o ator, é inspirado na personagem Scarlett O’Hara, do romance “E o vento levou”, de Margaret Mitchell. “Ela muda, se torna mulher cruel, mas, no fundo, guarda aquela moça ingênua dentro de si e nunca a abandona”, comenta.

A encenação se passa em uma gaiola. É ali que Scarlet dialoga com Genuíno, enquanto Dara surge mais adiante, após uma série de conflitos, trazendo à tona conclusões antes sugeridas.

Segundo Veríssimo, parte do público identificou na montagem referências ao id, ego e superego, as três instâncias freudianas da psiquê humana. Entre os temas abordados estão narcisismo, relações tóxicas e dependência emocional.

“São questões urgentes da nossa sociedade. Muita gente sofre com isso e sente vergonha de falar. Eu mesmo já passei por situações assim. Colocar isso em cena é importante para que as pessoas se reconheçam e entendam que não estão sozinhas”, avalia.

A peça foi indicada ao Prêmio Cenym de Teatro Nacional na categoria Melhor Monólogo e conquistou oito prêmios no Festival de Teatro de Congonhas em 2025, entre eles Melhor Espetáculo e Melhor Direção.

O ator se diz animado com a nova temporada. “O público da Campanha de Popularização é sempre uma delícia. Eles chegam com alegria no olhar. Sempre digo que o sucesso da campanha é deles, que nunca abandonam o teatro, mesmo com tantas opções de lazer na cidade”, afirma Fernando Veríssimo.

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“SCARLET”


Solo de Fernando Veríssimo. Direção: Fabiano Lana. De hoje a domingo (27/1 a 1º/2), às 19h30, no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos: R$ 25, no site Vá ao Teatro e postos do Sinparc, e R$ 60 (inteira), na bilheteria.

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