Campanha de Popularização começa hoje (8/1). 'Saga' está de volta ao cartaz
Racismo estrutural é tema da peça da Preqaria Cia. de Teatro, uma das atrações desta quinta-feira, na Funarte MG
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Nos primórdios da humanidade, Anansi, criatura antropomórfica metade homem e metade aranha, pediu a Nyame, o Deus do Céu, que lhe desse o baú que guardava todas as histórias do mundo, pois o ser humano estava triste, sem saber contar histórias. Nyame concordou. Em contrapartida, pediu um leopardo de dentes terríveis, marimbondos “que picam como fogo” e uma fada que nenhum homem viu. Anansi encontrou as criaturas e trouxe o baú de histórias para a Terra.
A lenda de Anansi, popular nos países da África Ocidental, é o ponto de partida de “Saga – Uma história do povo preto”, peça da companhia Preqaria em cartaz desta quinta-feira a domingo (8 a 11/1), na Funarte.
O espetáculo está entre os 11 que abrem hoje a programação da 51ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança em diferentes espaços culturais de Belo Horizonte e Betim.
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Escrita por Nathan Britz e João Valadares, “Saga” procura recapitular a história do povo negro ao longo da humanidade. “O início é bem divertido, brincando com cada um dos personagens da lenda de Anansi”, diz Valadares. Embora a humanidade conte histórias depois de receber o baú de Nyame, ela sente vergonha de narrar o período da escravização, adianta o ator.
“A partir daí, vamos contando desde quando os negros vêm da África para o Brasil, passando pelos trabalhos forçados nos canaviais até chegar aos dias atuais, com situações de racismo estrutural”, acrescenta.
Com estrutura épico-dramática, o espetáculo explora teatro de máscaras, jogo de sombras, teatro de objetos e performatividade poética, entre outras linguagens. Estão em cena apenas o próprio João e Nathan Britz, que vão construindo situações em que comportamentos racistas, explícitos ou implícitos, são denunciados.
Alguns casos, como o do segurança vigiando todos os passos de um homem negro no supermercado e o da pessoa atravessando a rua com medo de cruzar com um negro, são baseados em episódios que ocorreram com Nathan.
Poesia e candomblé
A redenção do personagem principal ocorre pela poesia e o candomblé. São espaços em que o povo negro, representado pelo corpo de Nathan, pode defender as próprias ideias e se sentir parte de um coletivo.
“Uma das preocupações que tivemos foi a de não fazer uma peça que apontasse muito o dedo e nem que fosse política, embora o tema seja extremamente político”, afirma João.
“Queríamos abordar a questão do racismo por meio da arte, sem sermos didáticos e panfletários. Por isso, trabalhamos muito com o lúdico. Até mesmo para as crianças poderem compreender”, acrescenta.
Os pequenos, aliás, são recorrentes entre o público de “Saga”. “Desde que estreamos, em 2022, cerca de seis mil crianças assistiram à peça”, orgulha-se João Valadares.
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“SAGA – UMA HISTÓRIA DO POVO PRETO”
Texto, direção e atuação: João Valadares e Nathan Britz. Desta quinta-feira a sábado (8 a 10/1), às 20h; domingo (11/1), às 19h, na Funarte MG (Rua Januária, 68, Centro). Ingressos: R$ 25 (preço único), exclusivamente no site vaaoteatromg.com.br e nos postos do Sinparc nos shoppings Pátio Savassi, Cidade e Monte Carmo. Programação completa da 51ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança no site do evento.