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Orion Teixeira
Além do fato

Trem descarrila em Ouro Preto e vira palanque

Tarcísio deu lições aos dois mineiros, chamando pela conciliação em vez de polarização política e ideológica

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Em vez de prosperar, o trem do governador descarrilou, durante a solenidade que deveria celebrar os valores libertários e do Iluminismo. Numa demonstração de descontrole emocional, o governador Mateus Simões (PSD) transformou seu discurso numa manifestação hostil ao prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo. Fiel ao estilo ouro-pretano e ao espírito inconfidente, o prefeito sempre marcou seus discursos pelo tom crítico.

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Foi assim quando criticou, diante do então governador Eduardo Azeredo (PSDB), a lei aprovada pelo tucano que ficou conhecida como Lei Robin Hood (tirava recursos dos municípios ricos para os mais pobres). Azeredo teve vontade de pular no pescoço dele, como admitiu depois, mas conteve-se pelo rito e investidura do cargo. Tempos depois, reencontrou-se com o prefeito e o chamou de equivocado. Não houve registro de barraco. Em outras ocasiões, Ângelo Oswaldo, que é prefeito pela quinta vez, alfinetou o então governador Romeu Zema (Novo), que não reagiu.

Outra novidade estranha da cerimônia foram as falas de três governadores. Além de Simões, o anfitrião da festa, o grande homenageado e governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-governador e pré-candidato a presidente Zema. Ao contrário dos mineiros, Tarcísio deu lições aos dois mineiros, chamando pela conciliação em vez de polarização política e ideológica, bem ao estilo do evento.

O paulista assumiu tom de estadista. Simões e Zema transformaram o 21 de Abril em palanque eleitoral. Simões brigou por um projeto inexpressivo do ponto de vista da política pública, mas de forte apelo eleitoral pela extrema direita. Brigou com o prefeito pela chamada escola cívico-militar. Da mesma forma, ou mais grave, brigou pelo mesmo motivo com outro poder inteiro, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Em seu palanque, Zema atacou o Judiciário, via Supremo Tribunal Federal, na mesma linha que já fez o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ex-governador vai se iludindo com o aumento de seguidores, mas deveria se precaver. O último que dobrou a aposta com o STF ficou inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral.


Desafios da nova secretária

A nova secretária da Fazenda, Luciana Mundim, interrompeu às pressas as férias para assumir interinamente, nesta quinta (23), a pasta após a demissão do titular, Luiz Cláudio Gomes. A cerimônia de posse ainda não foi marcada, aguardando o retorno do governador Simões à capital. Seu primeiro desafio será apagar o incêndio junto à cúpula da Secretaria, que chegou a colocar os cargos à disposição caso o antecessor fosse mantido no cargo. A revolta se deu após a demissão coletiva de toda a Corregedoria da pasta, que deixou no ar a impressão de “operação abafa”. A retomada do diálogo e da confiança com a classe deverá ser prioridade.

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Simões apoia Zema, seu partido, não

Como dizem lá no interior, por onde anda o governador Simões desde que tomou posse: “a vaca está estranhando o bezerro”. Falam também que, na política, tudo está ficando possível, mas só não fazem “boi voar”. Hoje, o pré-candidato presidencial do partido do governador, Ronaldo Caiado, cumpre agenda na capital mineira. Não será recebido pelo governador porque ele está viajando, mas Caiado já foi avisado: Simões apoia Zema para presidente; seu partido, não.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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