Manutenção dos juros vai ser teste na black friday
Às vésperas do fim do ano, com as expectativas redobradas pelo comércio e o setor de serviços, a manutenção da taxa de juros num patamar elevado pode ser uma ducha de água fria
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Ao manter a taxa de juros em 13,75% ao ano na sua penúltima reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central atendeu à expectativa do mercado financeiro, mas deu as costas para a expectativa do setor produtivo, que projeta a continuidade da queda, ainda que de forma gradual, com corte de 0,25 ponto percentual. A deterioração do cenário de curto prazo em relação ao ajuste fiscal (visto sempre do ponto de vista do corte de gastos) e em relação ao cenário externo justificam a interrupção da queda, depois de cinco cortes consecutivos. Às vésperas do fim do ano, com as expectativas redobradas pelo comércio e o setor de serviços, a manutenção da taxa de juros num patamar elevado, a decisão do Copom pode ser uma ducha de água fria, enfraquecendo a atividade econômica.
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“O custo financeiro das taxas de juros elevadas provocou perdas financeiras elevadíssimas para empresas, famílias, dívida pública. Com esse cenário mantido, sem mitigantes do futuro próximo, se eleva rapidamente a possibilidade de trimestres de contração do PIB e aumento da crise financeira”, alerta o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas. Para ele e para praticamente todo o mercado financeiro, a chave está no nome do ministro da Fazenda do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E o nome vai sinalizar se o governo vai fazer ajustes no Orçamento (leia-se corte de gastos).
Para as indústrias, os juros elevados afetam a atividade econômica. “A Selic permanece muito alta e isso afeta o crédito, investimentos e a atividade econômica. É verdade que as expectativas para a inflação pioraram, mas o IPCA segue dentro do intervalo da meta no chamado horizonte relevante da política monetária”, afirma o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) , Ricardo Alban.
“Entendemos a preocupação com o controle da inflação, mas é preciso considerar os efeitos dos juros elevados sobre a economia. Uma redução gradual e responsável da Selic seria importante para melhorar as condições de crédito, estimular o consumo e dar mais fôlego às empresas”, acrescenta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva.
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Em meio às reações do mercado financeiro, as explicações dos economista e a reivindicação dos empresários, os consumidores brasileiros, mesmo com o endividamento afetando 82% das famílias e 83,9 milhões de brasileiros inadimplentes, estão decididos a aproveitar a temporada de ofertas da Blacky Friday. Um pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, feita presencialmente com 5.554 brasileiros em maio, revelou que quatro em cada 10 brasileiros pretendem fazer compras na temporada de ofertas, com outros cinco em cada 10 afirmam nunca terem participado da promoção,o que, em tese, poderia representar novos consumidores das ofertas. Resta saber se os juros serão um impeditivo para a entrada no universo dos descontos.
Hoje, a Black Friday no Brasil tem o rosto de um jovem adulto, com diploma na mão e dinheiro no bolso. A intenção de compra dispara entre a geração Z (18 a 24 anos), chegando a 59%. A intenção de compra também cresce à medida que a renda sobe: 57% das pessoas que ganham mais de cinco salários mínimos vão aproveitar as ofertas, uma diferença gritante em relação aos 34% de intenção de compra entre os que recebem até um salário mínimo.
Os dados apontam também que o consumo na Black Friday ainda é predominantemente eventual. Entre as pessoas que já compraram na data em anos anteriores, a grande maioria comprou de forma esporádica: 73% adquiriram produtos em apenas uma edição (33%) ou na minoria das edições (40%). Apenas 4% se declaram consumidores fiéis, que compram em todas as edições, e 22% compram na maioria delas.
Clima
UA$ 387 bilhões
por ano são estimados para executar as medidas de adaptação a eventos climáticos extremos, conforme os 59 indicadores globais aprovados na COP 30
Para a safra
No primeiro trimestre da safra 2026/2027, o Sicredi liberou R$ 22,4 bilhões em crédito aos produtores rurais. O resultado é crescimento de 4,3% em comparação com o mesmo período da safra anterior, quando foram R$ 21,5 bilhões. O desempenho ocorre em um cenário de retração do crédito rural. Segundo dados do Mapa, as operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização caíram 26% no primeiro trimestre da safra.
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Energia solar
A geração própria de energia solar em empresas e propriedades rurais movimentou cerca de R$ 6,5 bilhões em investimentos no Brasil entre janeiro e outubro deste ano, com a instalação de 66,1 mil novos sistemas fotovoltaicos, que somam 1,4 gigawatt (GW) de potência, segundo levantamento da TTS Energia, empresa de engenharia e construção de usinas solares e ativos de energia renovável, com base em dados da Aneel.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.