Marcílio de Moraes
Marcílio De Moraes
Jornalista formado pela PUC Minas em 1988, com passagem pelos jornais Diário do Comércio e O Tempo. Trabalhou em coberturas de leilões de privatização e em feiras internacionais
BRASIL EM FOCO

Inflação em queda e PIB desaquecido, mas o BC...

Com a decisão do Copom, a Selic saiu de 14% ao ano para 13,75%. Mas diante da amplitude da inflação fica a impressão de que o Copom poderia ter sido mais ousado.

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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu na quarta-feira reduzir a Selic em mais 0,25 pontos percentuais diante dos dados da inflação, que mostram arrefecimento na alta dos preços dos alimentos e do setor de serviços. Ainda que tenha efeitos sazonais, a deflação de 0,32% registrada em agosto foi uma notícia inesperada pelo mercado financeiro, que previa uma deflação de 0,29%. Já o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado horas antes da reunião do Copom, mostra o segundo mês de retração, com queda de 0,22% em julho na comparação com o mês anterior, com ajuste sazonal, mostrando a perda de fôlego da economia. A queda reforçou o quinto corte consecutivo nos juros

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Com a decisão do Copom, a Selic saiu de 14% ao ano para 13,75%. Mas diante da amplitude da inflação fica a impressão de que o Copom poderia ter sido mais ousado. Com o IPCA de agosto, o índice acumulado em 12 meses ficou em em 4,22% – ainda dentro do teto da meta. A grande contribuição do mês foi o grupo de Habitação, que caiu 1,87% graças a um alívio expressivo de 7,63% na conta de energia elétrica, beneficiada pelo chamado “bônus de Itaipu”, um desconto pontual repassado às contas de luz. Como o efeito é passageiro, a energia deve voltar a pressionar o índice já em setembro, o que pode ser compensado pelo início do período chuvoso e a possibilidade de adoção da tarifa verde na conta de energia.


Em agosto, encher o carrinho no supermercado também ficou ligeiramente menos pesado, com o grupo de Alimentação e Bebidas registrando deflação de 0,34% pelo segundo mês consecutivo. Itens sensíveis ao clima de curto prazo despencaram: a batata-inglesa caiu quase 20%, seguida pela cebola (-11,07%) e pelo tomate (-10,94%). Por outro lado, carnes e frutas seguiram em alta. O alerta vermelho, no entanto, fica para o horizonte próximo: o fim da sazonalidade favorável, às fortes chuvas de setembro e os efeitos do El Niño devem trazer nova pressão dos alimentos.


Apesar da queda do IPCA ter surpreendido, o mercado ainda vê riscos e percebe cautela do Copom. “Sem dúvidas, a inflação de serviços, a inflação de demanda tem uma melhora mais lenta do que o ideal. E o ritmo dela, o ritmo corrente dela está incompatível com o centro da meta”, diz o economista-chefe e sócio-fundador da Fórum Investimentos Bruno Perri. “Boa parte da leitura melhor de inflação cheia que a gente teve foi pelo lado da oferta, foi por deflação de oferta em alimentos, então ele traz esse reconhecimento desse cenário”. Mas outro fator que reforça o impacto do índice de preços é o fato de a inflação dos serviços, sempre vista como um termômetro, ter registrado uma forte queda de 0,54% em julho para 0,03% em agosto.


Ainda assim, o mercado financeiro não se rende. Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, a instituição projeta que o IPCA feche 2026 em 4,70%. A visão mais construtiva do indicador no curto prazo sustenta a expectativa para os juros, com a taxa Selic terminal estimada para parar em 13,50%.Mas esse patamar não é consenso. “Em nossa avaliação, a desaceleração econômica se tornará ainda mais evidente nos próximos meses. A taxa de câmbio deve permanecer relativamente estável. Assim, acreditamos que o Copom continuará reduzindo a taxa básica de juros em 0,25 p.p. nas próximas reuniões”, diz o economista-chefe da XP, Caio Megale. “Projetamos a taxa Selic em 13,25% ao final do ano e em 11,50% em meados de 2027, assumindo que o Copom eventualmente acelere o ritmo de cortes para 0,50 p.p. por reunião”, acrescenta.


Sedentarismo

No Brasil, 76,52% dos 839 adultos avaliados em um estudo da Escola de Enfermagem da UFMG relataram utilizar aplicativos de entrega de alimentos. Entre os usuários, foram observados maior comportamento sedentário, como menos horas dedicadas a atividades domésticas, maior inatividade física e maior tempo sentado e diante de telas. O uso regular dos aplicativos, pelo menos uma vez por semana, foi relatado por 27,1% dos adultos.

Divergências fiscais

A Receita Federal identificou quase R$ 300 milhões em divergências fiscais de 3.455 empresas após cruzar eletronicamente valores de PIS e Cofins informados na DCTF com os registrados na EFD-Contribuições. Os contribuintes alcançados pela Malha Fiscal Digital têm até 30 de outubro para corrigir espontaneamente as inconsistências. Após, os valores não regularizados podem ser cobrados em fiscalização, com multa de 75% e juros.

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