Marcílio de Moraes
Marcílio De Moraes
Jornalista formado pela PUC Minas em 1988, com passagem pelos jornais Diário do Comércio e O Tempo. Trabalhou em coberturas de leilões de privatização e em feiras internacionais
BRASIL EM FOCO

O peso do protencionismo dos EUA nas exportações do Brasil

Os dados levantados pelo Monitor da Amcham, expõem uma divergência. Na indústria de transformação, nossas vendas para os EUA caíram 4,9%, enquanto para os demais países avançaram 6,6%.

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Com as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros em vigor, os números da balança comercial entre os países em agosto trouxeram um alívio aparente para as exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano, com crescimento de 12,1% no faturamento em relação ao mesmo mês de 2025. No entanto, uma leitura atenta do mais recente Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Amcham Brasil, revela que a reação exige cautela. O avanço no valor foi sustentado por uma alta nos preços, mesmo com uma queda de 17,3% no volume exportado . O nível é o menor para o mês desde 2021.

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No acumulado do ano, os dados mostram o impacto das tarifas aplicadas pelo governo Trump. De janeiro a agosto deste ano, as exportações brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 24,1 bilhões, o que significa uma queda de 9,7% (ou US$ 2,6 bilhões a menos) em comparação ao ano passado. É o pior desempenho para o período desde 2023. Além da queda nas exportações, o comércio bilateral como um todo encolheu US$ 5,2 bilhões no ano. Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, o diagnóstico é claro: "Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral.”


Segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA produtos atualmente sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5% sofreram uma retração de 29,1% no ano (caindo de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões), sendo que os mais atingidos forma madeira de coníferas (-55,3%), fumo.não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%).


Os dados levantados pelo Monitor da Amcham, expõem uma divergência. Na indústria de transformação, nossas vendas para os EUA caíram 4,9%, enquanto para os demais países avançaram 6,6%. Na agropecuária, os americanos compraram 26,7% a menos, enquanto o resto do mundo comprou 9,5% a mais. Na indústria extrativa, o tombo nos EUA foi de quase 30%, contra uma alta global de quase 20%.


Para a Amcham, os números não podem ser vistos apenas como uma oscilação passageira. Os Estados Unidos são o destino de 15,5% de toda a exportação industrial brasileira. É o nosso principal comprador de bens de maior valor agregado, justamente o setor que gera os melhores empregos e demanda mais tecnologia aqui dentro. Abrão Neto observa que essa retração traz perdas para ambas as economias.m


“Fica evidente que a diplomacia econômica brasileira precisa tratar o desmonte dessas barreiras como prioridade máxima. Encontrar novos mercados é essencial e os números mostram que o Brasil está fazendo o dever de casa globalmente. No entanto, aceitar a perda silenciosa do nosso parceiro mais estratégico na indústria está longe de ser uma opção sustentável a longo prazo”.


Para Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, quando existe uma mudança relevante na relação comercial entre dois países, o efeito acaba indo além do produto diretamente tarifado. “O comprador fica mais cauteloso e posterga decisões. Mas é importante analisar cada setor separadamente. No suco de laranja, por exemplo, houve uma queda relevante dos preços internacionais. No caso de aeronaves, as entregas são mais concentradas e os números podem variar bastante de um mês para outro”, observa o executivo.

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Apesar das tarifas e da queda nas exportações, a América do Norte continua sendo a terceira maior das exportações brasileiras respondendo, em valor, por US$ 4,6 bilhões em agosto. O maior valor foi representado pela Ásia (exceto Oriente Médio), com US$ 13,6 bilhões, seguido pela Europa, com US$ 7,3 bilhões. Em todos os casos houve aumento no valor exportado pelo Brasil. No mês passado, com a ajuda do petróleo, da soja, do cobre e do café, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% superior ao do mesmo mês de 2025.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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