A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de cortar a taxa básica de juros (Selic) para 14,25% ao ano, na terceira redução consecutiva, não tira o Brasil do patamar de país com a mais alta taxa de juros reais, mas incorpora um componente que pode alavancar a retomada dos investimentos no segundo semestre deste ano. Há projetos e tudo que o capital, nacional ou internacional, quer é previsibilidade, com regras claras do mercado e estabilidade. E se os investidores podem aumentar o apetite pelo país com o declínio da taxa de juros, projetos de infraestrutura em Minas Gerais e o anúncio do volume recorde de R$ 525,1 bilhões para o Plano Safra, com a destinação de recursos para a transição energética, são as oportunidade no Brasil.
A lógica, como de costume, é que o Brasil tem os ativos certos, mas resta saber se terá a maturidade institucional para sustentá-los. O recente levantamento Termômetro do GRI – Edição Especial Infra Minas GRI 2026 consolida o estado como um dos destinos mais atraentes para o capital privado no país. O dado mais significativo é a confiança: nenhum dos executivos entrevistados planeja reduzir ou encerrar operações no estado, uma melhora significativa em relação ao ano passado.
O grande motor dessa atratividade é o saneamento básico e a infraestrutura hídrica, apontados por 76,09% dos respondentes como a principal oportunidade – um salto frente aos 52,94% registrados em 2025, impulsionado pela corrida rumo às metas de universalização. No entanto, em um ano marcado por eleições estaduais, o mercado enviou um recado direto aos futuros gestores públicos: segurança jurídica em primeiro lugar: 50% dos executivos cobram eficiência regulatória e processos de licenciamento ambiental mais ágeis e estáveis. A continuidade das políticas públicas e o medo de guinadas institucionais preocupam 43,48% dos investidores.
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Para 63,04%, o foco absoluto do próximo governo deve ser a criação de um ambiente favorável ao financiamento de longo prazo com disciplina fiscal. “Os investimentos de longo prazo dependem de um ambiente institucional sólido, com regras previsíveis. É essa combinação que transformará o potencial em desenvolvimento”, resume Moisés Cona, do GRI Institute.
Enquanto Minas planeja o futuro de suas concessões urbanas e logísticas, o agronegócio brasileiro – que já responde por mais de 13% da geração própria de energia solar no país – ganha um reforço para ampliar essa geração própria de energia. O novo Plano Safra 2026/2027, estruturado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) incorpora mais do que um volume de recursos recorde, traz um marco conceitual e tecnológico com, pela primeira vez, o plano financiando sistemas de armazenamento de energia por baterias em linhas de crédito como o Inovagro e o Prodecoop.
Defendida pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a medida pode ampliar a competitividade do produtor rural que passa a contar com a segurança energética para operação contínua de refrigeração de carnes e leite e irrigação e bombeamento, sem as interrupções na rede elétrica convencional. Além disso, o produtor rural passa a ter um blindagem tarifária, uma vez que poderá armazenar a energia solar gerada durante o dia para usar nos horários de pico do sistema elétrico nacional, usufruindo de tarifas mais baixas. E por último concilia a produtividade agrícola com a descarbonização da sua matriz elétricas. Segundo levantamento da Absolar, mais de 806,7 mil propriedades rurais já utilizam energia solar fotovoltaica no Brasil, com 6,3 gigawatts de potência instalada em sistemas fotovoltaicos.
Seja enterrando canos de esgoto em Minas, seja instalando bancos de baterias de íon-lítio em fazendas no Centro-Oeste, o dinheiro está na mesa e as demandas por sustentabilidade e infraestrutura são urgentes. Para que esse potencial bilionário não se perca em cartas de intenção, o setor público precisa entregar o que o setor privado não pode criar sozinho: estabilidade, previsibilidade e paz regulatória. Sem isso, continuaremos a ser o país do futuro, assistindo ao futuro passar de relance.
* A partir desta edição a coluna entra em período de férias
Seguros
R$ 85 bilhões
Foi o valor pago em indenizações, benefícios, resgates e sorteios pelo mercado segurador brasileiro entre janeiro e abril deste ano, segundo dados da Cnseg
No mental
O Brasil já registrou 1.528 afastamentos por esgotamento (burnout) só no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do INSS. O número consolida uma tendência que fechou 2025 em recorde: mais de 530 mil afastamentos por transtornos mentais. Os casos de burnout cresceram 823% entre 2021 e 2025, saindo de 823 para 7.595 registros, um impacto econômico de quase R$ 400 bi por ano em produtividade, ausências e rotatividade.
Estagnada
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A atividade industrial ficou estável em maio em relação a abril, segundo os Indicadores Industriais da CNI. O faturamento registrou expansão de 0,2%, sétimo mês consecutivo sem queda. O resultado, no entanto, reforça o quadro de desaceleração do indicador, que cresceu 3,8% em março e 0,5% em abril. Nos cinco primeiros meses de 2026, o faturamento da indústria de transformação tem queda de 2,7% em relação ao mesmo período de 2025.
