As médias empresas brasileiras, com faturamento anual entre R$ 48 milhões e R$ 300 milhões e com um quadro de pessoal entre 100 e 499 empregados na indústria e entre 50 e 99 pessoas no comércio, somam um universo de cerca de 500 mil, ou 2,38% das 21 milhões de empresas ativas no Brasil atualmente. O anúncio feito nesta semana pelo Itaú BBA, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), lança uma luz necessária sobre esse segmento muitas vezes eclipsado pelas gigantes do Ibovespa: o Middle Market.
O estudo “Empresas que crescem” é um raio-x de como o relacionamento bancário atua como um catalisador de produtividade para empresas com faturamento acima de R$ 50 milhões. Os números impressionam pelo efeito multiplicador. Segundo a pesquisa, o impacto médio anual no Produto Interno Bruto (PIB) chega a R$ 105 bilhões.
Não se trata apenas de crédito na conta; trata-se de uma injeção de R$ 49 bilhões na renda das famílias e R$ 34 bilhões em arrecadação tributária. É a prova de que, quando uma média empresa prospera, o Estado e o cidadão comum prosperam juntos. O estudo identifica três eixos onde a presença de um parceiro financeiro forte altera o DNA da empresa: inserção internacional, inovação e expansão.
No comércio exterior, clientes do banco apresentaram um aumento de 70% nas exportações e 47% nas importações em relação ao período pré-relacionamento. Em um mercado global cada vez mais volátil, ter suporte para navegar em águas internacionais é o diferencial entre o estancamento e a escala. No campo da inovação, o dado é ainda mais emblemático: um aumento de 126% no registro de patentes.
Em 2026, a propriedade intelectual é a verdadeira moeda de troca da nova economia. Quando uma instituição financeira apoia a reorganização de capital, ela libera o empresário para focar no que realmente importa: a criação de valor e a disrupção tecnológica. "O relacionamento bancário transcende o nível individual, contribuindo para a dinâmica de toda a economia brasileira", pontua Daniel da Mata, professor da FGV.
Embora o Sudeste concentre 59% dos impactos (R$ 62 bilhões no PIB), a capilaridade dos efeitos é notável em todo o território nacional. O Sul responde por 21%, seguido pelo Nordeste com 10%. Essa distribuição mostra que o apoio especializado — o chamado "papel consultivo" citado por Fábio Villa, diretor do Itaú BBA — é capaz de atravessar fronteiras estaduais e fortalecer cadeias produtivas locais, desde fornecedores até o varejo final.
Um dos pontos mais reveladores da pesquisa é a capacidade de alavancagem dessas empresas. A probabilidade de abertura de capital (IPO) cresce mais de 200% após o início do relacionamento estruturado com um banco. Mais do que dinheiro novo, o acesso ao mercado de capitais impõe uma disciplina de governança e uma transparência que elevam a média empresa brasileira a um novo patamar de competitividade global. O estudo FGV/Itaú BBA mostra ao empresariado que, em um ambiente de negócios complexo, o banco deixou de ser um mero fornecedor de numerário para se tornar um conselheiro estratégico.
Mas como nem tudo são flores, a situação financeira desse segmento empresarial preocupa o governo federal, que estaria preparando um programa de financiamento com base no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que funcionaria como facilitador na concessão do crédito, oferecendo garantias. Inicialmente voltado para medidas de alívio do endividamento das famílias, o pacote econômico deve ser ampliado para incluir o setor empresarial, atendendo a uma demanda crescente por crédito mais acessível. Com o fundo oferecendo garantias para casos de inadimplência, há uma redução no risco para as instituições financeiras, o que reduz o custo do financiamento para as empresas.
Máquinas
R$ 129 milhões
é o valor do financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberado para a CNH Industrial Brasuk para investimento em pesquisa e inovação
Energia
Segundo estimativa da Associação Brasileira
de Armazenamento de Energia (Absae), o mercado brasileiro de armazenamento por baterias poderá movimentar cerca de R$ 77 bilhões até 2034, com 72 GWh de capacidade instalada. Com isso, a Solufácil registrou crescimento de 304% nas vendas de baterias no segundo semestre do ano passado. Para este ano a empresa projeta aumento na capacidade de armazenamento em projetos residenciais.
Reparação
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