Proteção de ativos: você blinda a empresa, mas quem cuida do seu corpo?
Força, mobilidade, carga de treino, recuperação e acompanhamento são observados antes que uma lesão interrompa a rotina
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
Executivos aprendem cedo a administrar riscos. Protegem caixa, patrimônio, contratos, dados, reputação e operação. Mas há um elemento decisivo que raramente recebe a mesma atenção: o próprio corpo. É ele que sustenta as reuniões, as viagens, as decisões difíceis, o esporte no fim de semana e a disposição para estar com a família. Até que algum limite começa a aparecer.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
É nesse ponto que o fisioterapeuta Wagner Ferreira aproxima dois universos submetidos à mesma exigência por desempenho: o futebol de alto rendimento e o mundo corporativo. No esporte profissional, prevenção faz parte da performance. Um atleta indisponível não treina, não compete e não entrega. Por isso, força, mobilidade, carga de treino, recuperação e acompanhamento são observados antes que uma lesão interrompa a rotina.
- Por que empresas repetem problemas mesmo depois de trocar pessoas?
- A ilusão do faturamento: o risco invisível que derruba gigantes
- Profissionais competentes também fracassam por falta de comunicação
Wagner conhece essa lógica de perto por sua atuação no futebol profissional europeu e pelo trabalho com atletas de alto rendimento. A proposta para o ambiente corporativo não é reproduzir a rotina de um jogador, mas incorporar a mesma cultura de prevenção. “No alto rendimento, ninguém espera o corpo falhar para começar a cuidar dele. A prevenção faz parte da própria performance”, afirma.
A literatura científica ajuda a sustentar essa discussão. Uma revisão publicada em 2025 reuniu 22 estudos e 7.814 trabalhadores de escritório e encontrou associações entre lombalgia, maior tempo sentado e padrões mais prolongados de comportamento sedentário. Isso não significa que permanecer sentado seja, isoladamente, causa de lesão. O que chama atenção é a alternância entre longos períodos de pouca exigência física e momentos em que o mesmo corpo é submetido a demandas muito maiores.
Leia Mais
É o executivo que passa a semana entre computador, carro, reuniões e viagens e, no sábado, exige do corpo aceleração, frenagem, rotação e resistência no tênis, no futebol ou na corrida. A musculatura, os tendões e as articulações respondem à carga recebida, independentemente do cargo.
No esporte profissional, essa diferença entre capacidade física e demanda é tratada como fator de risco. Uma meta-análise com 11.773 jogadoras de futebol mostrou redução de 27% nas lesões gerais e de 45% nas lesões do ligamento cruzado anterior com programas preventivos multicomponentes. Esses programas não se limitavam a alongamentos antes da partida. Combinavam força, equilíbrio e movimentos funcionais dentro de uma estratégia estruturada de preparação.
É nesse ponto que Wagner Ferreira propõe mudar o foco da dor já instalada para a capacidade de permanecer ativo. Para ele, a prevenção não deveria começar quando a lombar dificulta uma viagem, o ombro limita o saque ou o joelho impede uma corrida. Deveria começar antes, com avaliação e acompanhamento. O objetivo não é garantir que uma lesão nunca ocorrerá, algo que a ciência não permite prometer, mas reduzir riscos e preservar a capacidade física.
No futebol, existe um conceito: o atleta precisa estar apto para treinar e competir. Na vida de um executivo, o significado é mais amplo. Estar disponível é conseguir trabalhar, viajar, praticar o esporte de que gosta, acompanhar os filhos e envelhecer com autonomia, sem permitir que a dor determine os limites da rotina.
Wagner Ferreira traduz essa lógica para um conceito familiar a quem administra uma empresa: continuidade. Uma organização precisa ser conduzida preservando a capacidade de funcionar, adaptar-se e seguir adiante. O mesmo raciocínio vale para quem a lidera. Desempenho duradouro depende também da capacidade de continuar.
Talvez essa seja a lição mais útil que o esporte de alto rendimento pode oferecer ao mundo corporativo. No esporte profissional, esperar a lesão para começar não existe. O executivo também não deveria esperar perder movimento, autonomia ou liberdade para compreender que sua capacidade física faz parte da vida que levou anos para construir.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Você pode proteger a empresa, organizar o patrimônio e planejar os próximos 10 anos. Mas seu corpo está preparado para sustentar a vida que você construiu?
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.