Francisco Iglesias
Francisco Iglesias
Fundador da Startup Juventude Reversa | Empreendedor Social | Artista Visual | Engenheiro na Área de Telecom
JUVENTUDE REVERSA

Quando o cuidado muda de direção no envelhecimento de nossas mães

Com o aumento da longevidade, mais mães envelhecem e passam a precisar de cuidado, transformando relações e exigindo novas formas de presença

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No próximo domingo, o Brasil celebra o Dia das Mães. A data costuma vir acompanhada de flores, almoços em família, mensagens emocionadas e campanhas publicitárias. Há mães jovens e idosas, solo, avós, que cuidam e que precisam de cuidado, que trabalham e que já se aposentaram, presentes e ausentes, biológicas, adotivas, afetivas. A maternidade já não cabe em uma imagem única.

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Esse retrato revela uma mudança silenciosa: as mães estão envelhecendo junto com o país. Com o aumento da expectativa de vida, é cada vez mais comum conviver com mães de 60, 70 ou 80 anos, presentes por muito mais tempo na vida dos filhos.

E há uma consequência inevitável nesse processo: em algum momento, essas mães passam a precisar de cuidado.

Nem sempre de forma abrupta. Muitas vezes, acontece aos poucos — um esquecimento, uma limitação física, uma dificuldade nova que se instala quase sem aviso. Em outros casos, chega de forma mais dura, com doenças que afetam a autonomia e, sobretudo, a comunicação.

Acompanhar uma mãe nesse processo é lidar com um tipo de dor silenciosa. A presença continua ali, mas a relação muda. O reconhecimento pode falhar. As palavras podem faltar. E, muitas vezes, o vínculo precisa se reconstruir para além da memória.

Esse movimento expõe algo maior: ainda estamos pouco preparados para lidar com o envelhecimento dentro das próprias relações.

Fomos educados para celebrar a maternidade no início da vida, mas falamos pouco sobre o que vem depois. Sobre o envelhecer das mães. Sobre a dependência que pode surgir. Sobre o momento em que o cuidado muda de direção.

Envelhecer, nesse contexto, não é apenas uma questão biológica. É uma transformação relacional. É quando vínculos se reorganizam, papéis se invertem e o tempo exige outras formas de presença, paciência e compreensão.

Talvez o Dia das Mães seja também um convite para olhar para essa etapa com mais honestidade. Para reconhecer que o cuidado não termina, ele se transforma.

E que, em um país que envelhece rapidamente, aprender a lidar com essa transformação deixou de ser uma experiência privada. Passou a ser um tema central da vida em sociedade.

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Envelhecer não é o fim do cuidado. É quando ele muda de direção.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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