No ar há muitos anos na TV Globo, o Big Brother Brasil consolidou-se como um fenômeno cultural difíci l de ignorar: mesmo quem não acompanha o programa sabe exatamente quando ele está no ar. Pesquisadores das áreas de comunicação, marketing e psicologia apontam que parte desse sucesso está na identificação do público com os participantes — a sensação de acompanhar “gente como a gente”, como destacou uma reportagem da BBC Brasil, de janeiro de 2025.
Ao longo do tempo, o BBB deixou de ser visto apenas como entretenimento e passou a funcionar como uma arena de debate social. Conflitos, comportamentos e posicionamentos dos participantes transbordam para redes sociais, imprensa e conversas cotidianas, colocando em pauta temas como convivência, preconceito e limites coletivos. Esse deslocamento ampliou a audiência e atraiu públicos que tradicionalmente não acompanhavam a televisão aberta.
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Neste ano, o recorte etário do elenco também merece atenção. Dos 23 participantes iniciais, há três com apenas 21 anos, ao mesmo tempo em que o programa inclui uma participante próxima dos 70 e outras cinco pessoas com mais de 40. A juventude segue predominante, mas a presença de pessoas mais velhas começa a ganhar maior visibilidade.
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Não é a primeira vez que isso acontece: edições anteriores já trouxeram participantes acima dos 60, como Harumi (64), Ieda Wobeto (70), Solange Couto (69), Naná (61), Nonô (63), Geralda (63) e, mais recentemente, Vilma Nascimento, com 68 anos no BBB26. Esses movimentos carregam a expectativa — ainda em construção — de que a maturidade e a experiência possam ampliar repertórios, formas de leitura de mundo e dinâmicas de convivência dentro do jogo.
Mais do que um reflexo da sociedade, o BBB também atua como um dispositivo de produção de imaginários. A maneira como pessoas de diferentes idades são editadas, enquadradas e narradas contribui para definir quem ocupa protagonismo, quem é tratado como exceção e quais comportamentos são valorizados ou deslegitimados. A mídia não apenas mostra o envelhecimento: ela ajuda a modelar o que esperamos dele, quais papéis consideramos legítimos e quais continuamos restringindo ao território da juventude.
E talvez a pergunta mais incômoda seja justamente esta: que tipo de envelhecimento estamos ajudando a produzir como sociedade quando escolhemos quem aparece, como aparece e com quais expectativas aparece na principal vitrine do entretenimento brasileiro?
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