“A poesia não é um luxo, ela vem da urgência de nomear o que dói.” É mais ou menos isso que diz Audre Lorde no ensaio Poesia não é um luxo, texto que explodiu minha cabeça há muitos anos e nunca mais me deixou em paz. Na outra ponta do pensamento, ecoa Gloria Anzaldúa dizendo: “escrever é a única coisa que, quando faço, não sinto que estou desperdiçando meu tempo”. E talvez seja justamente por isso que eu esteja aqui, escrevendo.

Anzaldúa pensava nas mulheres que escrevem apesar do mundo. Mulheres que escrevem em cadernos tortos, em filas, cozinhas, ônibus, intervalos curtos e madrugadas silenciosas. Mulheres que escrevem porque precisam sobreviver. Mulheres que escrevem porque, sem linguagem, desaparecem.

 

 

Por isso é inevitável chegar até Carolina Maria de Jesus e seu incomparável Quarto de Despejo, justamente o primeiro livro escolhido para leitura coletiva no Clube Renault, projeto criado pela professora e bióloga Michelle Louise, acompanhada de fãs, inspirado nas leituras compartilhadas pela jornalista e vencedora do BBB 26, Ana Paula Renault.

Mas não é só a escrita que salva. A leitura e as boas influências também.

Tem dias em que a leitura salva a gente do jeito mais silencioso possível. Não com fogos de artifício, nem com frases motivacionais coladas num pôster bege de LinkedIn. Salva porque alguém escreveu exatamente aquilo que a gente não conseguia dizer. E, de repente, o mundo fica menos apertado.

Milhares de mulheres estão lendo Quarto de Despejo. Tardiamente, talvez. Mas com toda a urgência que essa leitura exige.

Existe algo profundamente político quando mulheres se reúnem para ler juntas. Especialmente quando escolhem começar justamente por Carolina Maria de Jesus. E existe algo muito bonito - e raro - em ver uma figura pública usar a própria visibilidade para incentivar pessoas a lerem mais, conversarem mais e pensarem mais. Em tempos de vídeos acelerados em 2x, opiniões rasas e algoritmos que nos deixam ansiosos até para escolher um filme, defender o livro virou quase um ato de rebeldia. E eu gosto de gente rebelde.

Carolina escrevia sentada no quintal da favela do Canindé, em São Paulo, entre panelas fervendo, filhos correndo, vizinhas brigando e o corpo exausto depois de um dia inteiro catando papel. “Todos os dias eu escrevo. Sento no quintal e escrevo.” É impossível não ouvir Gloria Anzaldúa ecoando aí décadas antes de muitas teorias sobre escrita feminina se consolidarem. A escrita como insistência. Como permanência. Como gesto radical de existir apesar da precariedade.

Por isso Carolina segue tão contemporânea. Toda vez que penso nela, penso também no quão solitário foi seu fazer literário. Se hoje já é difícil ocupar determinados espaços como mulher, imagine há 70 anos, quando o imaginário de escritora habitava outros corpos, outras classes e outros territórios.

Durante muito tempo disseram que literatura legítima vinha dos centros. Mas Carolina escrevia do barraco. Escrevia enquanto catava lixo, enquanto os filhos pediam pão, enquanto tentavam humilhá-la - e ela não se curvava. “Vou escrever um livro referente à favela. Hei de citar tudo que aqui se passa.” Isso não é apenas diário. É projeto político. É construção de memória.

Quando vejo milhares de mulheres reunidas hoje em torno do Clube Renault - até o momento em que termino esta coluna, já são mais de 13 mil pessoas - penso muito nisso.

Penso no quanto ainda incomoda ver mulheres ocupando espaços intelectuais sem pedir autorização. Penso no quanto existe de revolucionário em transformar influência digital em circulação de pensamento crítico. E penso principalmente na potência de ver mulheres chegando até Carolina através de uma comunidade afetiva criada na internet.

Porque talvez o mais bonito seja justamente isso: Carolina continua encontrando leitoras improváveis. Leitoras cansadas, sobrecarregadas, que talvez tenham passado anos sem conseguir terminar um livro. Leitoras que agora se encontram coletivamente através da literatura.

E Carolina continua dizendo coisas que o Brasil ainda não resolveu. “E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual - a fome!”

Como ler isso sem perceber que o país continua girando em círculos?

Como não perceber a atualidade brutal de uma mulher que descrevia São Paulo assim: “O Palácio é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos.”

Talvez seja exatamente por isso que Carolina continue tão viva: porque ela nunca escreveu buscando conforto. Ela escrevia para registrar aquilo que o Brasil tentava esconder. Isso conversa profundamente com Audre Lorde quando ela escreve que a poesia ajuda mulheres a transformarem silêncio em linguagem e ação.

Aliás, talvez o maior incômodo em torno de Carolina sempre tenha sido justamente esse: uma mulher negra, pobre e favelada não apenas sobreviver, mas produzir pensamento sobre o país. Produzir linguagem. Produzir literatura.

“Eu gosto de ficar sozinha e lendo. Ou escrevendo!” Essa frase poderia estar num manifesto contemporâneo sobre a escrita feminina. Poderia estar numa newsletter, num poema de slam, numa ecobag de festa literária ou sendo sublinhada agora por alguma mulher dentro do Clube Renault tentando reorganizar a própria vida através da literatura.

Porque no fundo não estamos falando apenas sobre livros. Estamos falando sobre mulheres descobrindo que suas experiências também merecem virar linguagem.

Carolina escreve sem romantizar a fome. Sem transformar miséria em metáfora confortável para classe média consumir com culpa estética.

Carolina escreve a fome como matéria concreta do corpo: “O que eu aviso aos pretendentes à política é que o povo não tolera a fome. É preciso conhecer a fome para saber descrevê-la.”

Essa frase me atravessa violentamente, talvez porque ela continue absolutamente contemporânea num país em que ainda existe gente tratando pobreza como falha moral e não como projeto político. Recentemente, Ana Paula Renault publicou um vídeo falando sobre o Bolsa Família e dizendo algo muito importante: uma das políticas públicas mais mal interpretadas do Brasil virou alvo constante de preconceito justamente por beneficiar pessoas pobres, especialmente mulheres.

No vídeo, Ana Paula lembra que o programa garante o básico - comida, permanência escolar, vacinação, pré-natal - e que muitas famílias conseguem, a partir dele, reorganizar minimamente a própria vida, estudar, trabalhar e até deixar de depender do benefício. Existe uma lucidez muito forte nisso porque ela desloca o debate da caricatura moralista para a dimensão humana da sobrevivência.

E talvez não seja coincidência que um clube inspirado por ela tenha escolhido justamente Carolina Maria de Jesus como primeira leitura coletiva.

Porque Carolina já escrevia exatamente sobre isso décadas atrás: mães tentando alimentar os filhos com ossos fervidos, pedindo gordura emprestada para fazer sopa, sentindo vergonha de não ter pão dentro de casa. “Os meus filhos estão sempre com fome. Quando eles passam muita fome eles não são exigentes no paladar.”

Não é possível ler Carolina honestamente e continuar acreditando que fome é preguiça, escolha ou falta de mérito individual.

Talvez por isso minha trajetória inteira como pesquisadora, jornalista e escritora tenha sido construída ouvindo mulheres que escrevem desde as margens. Em 2016, dirigi o documentário Pelas Margens: vozes femininas na literatura periférica, nascido do encontro com escritoras, slammers, poetas e mulheres da literatura marginal que transformam sobrevivência em linguagem. Mais tarde, esse percurso também se tornou minha dissertação de mestrado, intitulada justamente Pelas Margens: vozes femininas na literatura periférica, em que investiguei como mulheres periféricas constroem suas narrativas a partir de territórios historicamente silenciados pela literatura oficial.

Já se vão dez anos. Muita coisa mudou. Muita coisa permanece exatamente igual. Mas ter um clube de leitura com milhares de mulheres ansiosas para ler e conversar sobre Carolina Maria de Jesus ainda é novidade, e talvez seja uma das novidades mais bonitas que a internet brasileira produziu recentemente.

O mais curioso é que a leitura nunca chega igual para todo mundo. Tem quem cresceu cercado de livros. Tem quem encontrou um romance velho numa biblioteca escolar. Tem quem começou lendo legenda de música, fanfic, horóscopo, tweet ou bilhete de geladeira. Sempre achei engraçado, e triste, esse elitismo que algumas pessoas insistem em colocar na literatura, como se leitor de verdade fosse apenas aquele que cita autores russos enquanto toma vinho caro num sofá de linho cru.

Às vezes o primeiro livro que muda uma vida chega numa promoção da internet, numa mesa de saldos ou indicado por alguém que você admira. E isso importa.

O Clube Renault parece entender justamente isso: leitura como encontro. Enquanto escrevo, são mais de 13 mil pessoas no Instagram e milhares acompanhando discussões no Telegram. Aqui, leitura não aparece como performance intelectual nem campeonato de erudição. Ela surge como troca afetiva, espaço onde um livro deixa de ser objeto decorativo e vira conversa, memória, identificação, desconforto, risada e catarse.

Existe algo muito poderoso quando uma mulher pública fala sobre livros sem transformar a leitura num pedestal inacessível. Ana Paula aproxima as pessoas da literatura porque fala como leitora real: daquelas que se empolgam, se irritam, se emocionam, marcam trechos, indicam livros para amigas às duas da manhã e entendem que ler também é criar comunidade.

E talvez seja justamente isso que mais me interessa. Porque eu acredito profundamente que os livros mudam cidades. Mudam relações. Mudam corpos. Mudam a forma como a gente olha para si mesmo. Um país que lê mais escuta melhor, imagina melhor, sonha melhor e questiona melhor. E, sinceramente, está faltando imaginação no mundo. Imaginação política, afetiva e coletiva.

Eu sou cria da literatura -e da Ana Paula Renault também, confesso. Ler sempre foi uma maneira de continuar humana quando tudo ao redor tenta transformar a gente em máquina cansada. Foram os livros que me ensinaram que pessoas como eu também podiam existir no papel e, sobretudo, fora dele. Foi lendo que entendi que podia escrever. E foi escrevendo que encontrei meu lugar no mundo.

Por isso gosto tanto de iniciativas como o Clube Renault. Elas ajudam a romper essa ideia de que leitura é coisa de uma minoria iluminada. Livro não é prêmio de bom comportamento. Livro é direito. É ferramenta. É possibilidade. É prazer.

Prazer de desligar um pouco o barulho do mundo. Prazer de encontrar uma frase que parece ter sido escrita especificamente para você. Prazer de perceber que alguém, em algum momento, sobreviveu ao caos e decidiu transformar isso em narrativa.

No fim das contas, ler continua sendo uma das formas mais bonitas de companhia. E talvez seja justamente por isso que clubes de leitura façam tanto sentido hoje: porque ninguém quer atravessar o mundo sozinho.

Um livro, quando compartilhado, deixa de ser apenas leitura. Vira abrigo.

Mais feminista do que parece

Tem uma cena que não sai da minha cabeça desde que comecei a acompanhar o crescimento do Clube Renault: milhares de mulheres espalhadas pelo Brasil inteiro, em ônibus lotado, intervalo de almoço, cama bagunçada de domingo, sala silenciosa depois do trabalho, lendo Carolina Maria de Jesus juntas por causa de uma mulher que a televisão tentou reduzir durante anos à caricatura da “barraqueira inteligente”. E talvez exista algo profundamente simbólico nisso tudo, porque enquanto parte da internet ainda insiste em discutir Ana Paula Renault como meme, personagem ou excesso, existe um outro movimento acontecendo silenciosamente nas bordas do algoritmo: mulheres lendo mais, pensando mais, debatendo mais e criando vínculos através da literatura porque ela segue sendo intelectualmente inquieta em público.

Acho bonito quando a influência deixa de ser apenas consumo e passa a ser mobilização afetiva e intelectual. Porque Ana Paula sempre esgotou coisas. Esgota roupa, bolsa, óculos, joias, maquiagem, sapato, capinha de celular, tudo aquilo que a internet transforma rapidamente em desejo. Existe quase um folclore digital em torno disso. Perfis de fãs monitoram as peças que ela usa como quem acompanha drops raros de moda. Mas agora acontece algo mais interessante - e talvez mais forte: Ana Paula começou a esgotar livros. Honestamente? Poucas coisas me parecem tão politicamente interessantes quanto uma mulher fazendo outras mulheres desejarem leitura em pleno 2026, num país em que a desatenção virou linguagem oficial.

Porque não estamos falando apenas de alguém indicando títulos numa rede social. Estamos falando de uma figura pública que construiu sua trajetória ocupando espaço sem pedir licença, argumentando em rede nacional, transformando desconforto em debate público e que, agora, influencia mulheres a quererem acessar também as referências que ajudam a construir sua visão de mundo. Não é só sobre “o que Ana Paula lê”. É sobre o que acontece quando mulheres passam a entender leitura como ferramenta de autonomia, elaboração emocional, pensamento crítico e sobrevivência coletiva. Penso que justamente aí que o Clube Renault se torne maior do que aparenta.

O mais bonito é perceber que ele não nasce de um ambiente tradicionalmente literário, acadêmico ou institucional. Ele nasce da identificação. Da admiração. Do desejo de compartilhar pensamento.

Michelle me disse algo que ficou ecoando muito em mim: “Sempre fui leitora, mas o meu vínculo com as páginas e com o conhecimento não é apenas um hábito acadêmico ou um passatempo: ele é a base da minha trajetória pessoal e profissional. Eu sou professora e, acima de tudo, alguém que teve a própria realidade de vida completamente alterada, expandida e moldada pelo poder transformador da educação”.

Existe exatamente aí uma camada profundamente feminista nesse movimento. Porque feminismo também é isso: juntar mulheres para pensar juntas. Fazer circular conhecimento entre elas, construir espaços onde leitura não seja performance elitista, mas ferramenta de troca, acolhimento, elaboração e questionamento. Durante muito tempo tentaram convencer mulheres de que nossa inteligência precisava ser silenciosa para ser tolerável. Que mulher “demais” incomoda. Que mulher que fala muito é arrogante. Que mulher que pensa publicamente é cansativa. Que mulher que argumenta vira ameaça.

Então imagine o tamanho político de milhares de mulheres organizando leitura coletiva de Carolina Maria de Jesus a partir da influência de uma mulher que há anos incomoda justamente porque pensa alto demais. Isso não é pequeno.

Michelle também comenta que o que a aproximou de Ana Paula foi justamente “o compromisso real dela com o conhecimento. A Ana Paula faz do seu espaço na mídia uma verdadeira trincheira em defesa da educação, valorizando o papel dos professores e usando sua voz para impulsionar a literatura”.

Eu acho muito forte - e bonita - essa palavra: trincheira. Porque talvez seja isso mesmo. Num ambiente digital cada vez mais acelerado, superficial e exausto, defender leitura virou trincheira. Defender pensamento virou trincheira. Defender tempo de elaboração virou trincheira. O algoritmo quer velocidade; um clube de leitura quer permanência. O algoritmo quer reação instantânea; a literatura exige pausa. O algoritmo quer consumo rápido; livros pedem mergulho.

Por isso acho tão simbólico que o primeiro livro escolhido pelo grupo tenha sido justamente Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Não um livro “fácil”, não uma leitura pasteurizada de autoajuda corporativa, não uma obra pensada para caber em frases motivacionais de Instagram, mas o diário brutal de uma mulher negra escrevendo sobre fome, desigualdade, abandono e violência cotidiana enquanto o Brasil fingia não ver a favela.

É muito poderoso imaginar mulheres de diferentes idades, cidades e experiências lendo Carolina juntas porque Ana Paula Renault despertou nelas curiosidade sobre livros.

Michelle explica isso de um jeito muito bonito quando diz que Quarto de Despejo “sintetiza a essência da palavra como ferramenta de resistência, mostrando como a escrita é capaz de dar dignidade e peso à história de quem a sociedade tenta invisibilizar”. E talvez seja justamente isso que clubes de leitura femininos façam quando funcionam de verdade: eles criam espaços onde mulheres podem existir intelectualmente sem precisar transformar conhecimento em disputa de ego.

Penso muito nisso porque cresci entendendo leitura quase como sobrevivência. Livros foram, muitas vezes, os únicos lugares onde determinadas mulheres podiam existir inteiras. Mulheres gordas. Mulheres negras. Mulheres dissidentes. Mulheres difíceis. Mulheres inteligentes demais. Mulheres atravessadas pela raiva, pelo desejo, pela inadequação e pela vontade de viver além do que esperavam delas. Ler sempre foi uma forma de encontrar linguagem para aquilo que ainda parecia sem nome.

Por isso eu acho tão emocionante ver esse movimento acontecendo agora através da cultura pop.

Porque existe uma arrogância histórica da intelectualidade brasileira em relação ao que nasce das redes, dos fandoms, dos realities e das paixões populares. Como se pensamento crítico só pudesse surgir em ambientes legitimados por certas elites culturais. Enquanto isso, mulheres estão descobrindo Carolina Maria de Jesus via Twitter. Estão comprando livros por indicação de uma ex-BBB. Estão organizando debates literários em grupos de WhatsApp. Estão criando cronogramas coletivos de leitura. Estão voltando a ler depois de anos.

E sinceramente? Talvez seja assim que revoluções culturais aconteçam de verdade.

Não necessariamente através das instituições tradicionais, mas através de afetos compartilhados.

Quando Ana Paula mobiliza mulheres para a leitura, ela também movimenta o mercado editorial, fortalece circulação de livros, impulsiona autoras, cria demanda, reacende debates e ajuda a construir uma cultura em que mulheres percebam que pensar profundamente não é defeito.

Num país em que o próprio Plano Nacional do Livro e Leitura reconhece que o número de não leitores ultrapassou o de leitores pela primeira vez, iniciativas assim deixam de ser apenas curiosidade de internet e passam a ocupar um espaço importante dentro da própria formação cultural contemporânea.

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Talvez o que mais me emocione seja imaginar mulheres lendo juntas num tempo em que tudo tenta nos manter isoladas, cansadas e distraídas o suficiente para nunca elaborarmos nada profundamente. Porque no fundo um clube de leitura também é isso: um lugar onde mulheres reaprendem a imaginar juntas. E talvez não exista nada mais feminista do que isso: “A sociedade sempre teve medo de mulheres que voam, sejam elas bruxas, sejam elas leitoras”.

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