Segundo convidado de uma série de cinco shows comemorativos aos 10 anos do projeto Uma Voz, Um Instrumento, Otto fez, na última quinta-feira (23/4), não só linda homenagem a Luiz Melodia (1951-2017) como reverenciou Lô Borges (1952-2025), Reginaldo Rossi (1944-2013) e Fagner.
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Ele também declarou admiração por Minas Gerais e por muita gente daqui. “É um lugar altamente refinado musicalmente, que eu adoro. Adoro a comida, adoro o povo, a cultura. Sem falar neste sol, que só Minas tem. Parece Los Angeles. Aliás, é melhor que Los Angeles”, disse sob aplausos.
Para aquecer o gogó, abasteceu o copo no palco com o que definiu como “chazinho de Minas lá do Cipó”.
EMOÇÃO DE CONCERTISTA
Acompanhado pelo músico Yuri Queiroga (sucesso absoluto entre as mulheres majoritárias na plateia), Otto contou que a formação voz e violão é algo que só costuma fazer em casa, entre amigos. Diante da plateia que lotou o teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, sentiu-se nervoso e “o próprio concertista”.
“Mas acho que estou nervoso o tempo todo. Só na hora de acordar que estou bem”, disse, em tom confessional. “Vocês cantaram lindamente, como se eu tivesse um coro comigo”, elogiou a plateia.
“TV A CABO”
Otto contou curiosidades sobre algumas de suas obras. “TV a cabo”, por exemplo, nasceu no fim de uma noite de domingo, ao se espantar com o que viu ao zapear a TV. Diante de programas do Gugu, do Faustão, cenas de reportagens sobre Mônica Lewinsky e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e do encontro do papa João Paulo II (“O melhor papa”) com Fidel Castro, em Cuba, se perguntou: “Meu Deus, o que está acontecendo?”.
O público se divertiu com a história da canção lançada no disco “Samba pra burro” (1999). Em um encontro em Botafogo com Zé Renato, na noite em que Moraes Moreira foi homenageado pela Academia Brasileira de Cordel, pediu a ele algo para violão. E assim nasceu “Carinhosa”, que está em “Ottomatopeia” (2017).
VIVA MELODIA!
Luiz Melodia chegou a preparar show inédito para o projeto Uma Voz, Um Instrumento, mas morreu antes de sua apresentação. “É muito emocionante estar aqui comemorando os 10 anos deste projeto maravilhoso. Luiz Melodia viria fazer e não. É como se ele estivesse aqui”, disse.
Do repertório do compositor carioca, o pernambucano cantou “Pérola negra”, “Estácio Holly Estácio” e “Juventude transviada”, e ainda “Codinome Beija-Flor” (Cazuza), para a qual Melodia deu uma interpretação antológica.
SEU CABELO
A relação de Otto com BH é, como ele frisou, dos tempos de (Humberto) Seu Cabelo – dono de um salão de beleza no Santo Antônio, criador da Festa Gentileza, que morreu há 20 anos.
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“Alguém conheceu Seu Cabelo?”, perguntou. Citou também entre seus amigos o músico Marcelo Veronez. “Um dia é sempre pouco em Belo Horizonte.” Da cidade ainda elogiou o carnaval, do qual espera vir participar.
