John Malkovich brilha na turnê brasileira de 'The infamous Ramírez Hoffman'
Ator norte-americano se apresenta nesta quarta (1º/4) em São Paulo e na sexta (3/4) em Porto Alegre
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Bastou anunciar a única apresentação do ator norte-americano John Malkovich em Porto Alegre, na próxima sexta-feira, no Theatro São Pedro, para que os 600 ingressos acabassem em 27 minutos. Na capital gaúcha, o astro, a pianista Anastasya Terenkova, o violinista Andrej Bielow e o bandoneonista Fabrizio Colombo encerrarão a turnê latino-americana do espetáculo “The infamous Ramírez Hoffman”. Na noite desta quarta-feira (1º/4), Malkovich e o trio fazem a segunda sessão em São Paulo, depois de lotar o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no último domingo. O espetáculo foi apresentado também no Chile e na Argentina.
• TENSÃO
É emocionante ver bem de pertinho um dos maiores atores do mundo, indicado a dois prêmios Oscar (por “Um lugar no coração”, em 1985, e “Na linha de fogo”, em 1994), dono de personagens inesquecíveis como Sebastian Valmont de “Ligações perigosas” (1988) e, claro, protagonista de “Quero ser John Malkovitch” (1999). Ele brilhou também em “Pinguins de Madagascar” (2014) fazendo a voz de Dave, o polvo vilão.
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Aos 72 anos, Malkovich se dedica a novos projetos, como é o caso de “The infamous Ramírez Hoffman”, baseado na obra do escritor chileno Roberto Bolaño. Personagem ficcional, Hoffman vive no Chile dos anos 1970 como poeta, aviador e figura ligada à extrema direita. Em cerca de 90 minutos, de pé, em frente ao laptop sobre a mesa, Malkovich interpreta o texto sobre a ascensão de Hoffman em meio ao golpe militar de Augusto Pinochet. Questões como limites entre criação artística, poder e violência são discutidas com ironia e tensão na peça.
• TRIO
OK! É John Malkovich bem ali no seu nariz, com bom texto, talento, carisma e toda a admiração que merece. Mas o ponto alto do espetáculo fica por conta de Anastasya Terenkova, Andrej Bielow e, sobretudo, Fabrizio Colombo. O trio executa a trilha sonora com músicas de Astor Piazzolla, Vivaldi, The Doors, Alberto Iglesias, Leonid Desyatnikov, Giovanni Sollina e Lera Auerbach.
• FÃ
No Rio de Janeiro, Ana Carolina foi uma das raras pessoas recebidas por John Malkovich. Havia uma razão. Dias antes das apresentações no Brasil, ao responder a um repórter, ele citou a cantora mineira ao falar sobre música independente e idioma. Há algum tempo, ouviu a versão brasileira de “É isso aí”. O astro contou que, mesmo sem entender português, compreendeu o sentido da canção. Ana Carolina, cinéfila de primeira linha, prometeu traduzir a letra e mandá-la para Malkovich.
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• EXÍLIO
Roberto Bolaño (1953-2003) nasceu em Santiago do Chile. Foi exilado e é autor dos romances “Os detetives selvagens” e “2666”, vencedor do Prêmio Rómulo Gallegos e do National Book Critics Circle Award. “The infamous Ramírez Hoffman” faz parte do capítulo final de “A literatura nazista na América”, livro dele lançado em 2019 no Brasil pela Companhia das Letras.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
