Se rir é o melhor remédio, a “Gongada drag”, espetáculo com única apresentação em 26 de abril, no Cine Theatro Brasil Vallourec, pode ser usado sem contraindicação. No palco, as drag queens Suzy Brasil, Miranda Lebrão, finalista do “Drag race Brasil”; Desirée Beck, Frimes, Aquarella, participantes do Caravana das Drags; e Nayla Brizard, Kayete e Babu Carreira que se divertem com números que surpreendem a plateia. O improviso é que faz a “Gongada” um sucesso desde a sua estreia, em novembro do ano passado.


• AMOR ÀS DRAGS


O espetáculo foi criado pelo humorista, ator e redator Bruno Motta, de 43 anos, natural de Belo Horizonte. Segundo ele, o projeto surgiu pela sua admiração às drag queens e também por acreditar que o público estava sentindo falta de um espetáculo com drags e comédia. "É um show muito completo porque também tem o improviso, os números musicais, os figurinos, a coreografia, as dublagens". O resultado confirma o que Bruno pensava. O público quer se divertir com o humor das drags. Até agora, as 10 edições do “Gongada drag” lotaram. Em São Paulo, por exemplo, o teatro tinha capacidade para 800 pessoas.

 




• PROGRAMA DE AUDITÓRIO


O público sempre aplaudiu a arte e, em muitos casos, o humor sempre escrachado das drag queens. Por décadas, elas eram participações sempre esperadas nos programas de auditório. Para Bruno Motta, “Gongada” tem uma relação com os programas de auditório à medida que une todos os seus talentos como realizador e criador. "E eu amo essa fase dos anos 1980 e 1990, aquele caos criativo, aquela diversão anárquica e tem isso sim", diz.


• VIVA O FUTURO


Comparando os anos 1980, 1990 com os tempos atuais, muita coisa mudou. Incluindo a presença das drags que hoje são protagonistas e não apenas meras convidadas especiais na história. "Isso é importante e ao mesmo tempo é só o começo", afirma Bruno. "Esse espetáculo coloca a arte drag e a comédia com visibilidade em grandes espaços, até então ocupados por arte mais conservadora. E agora a gente tem falado de muitos assuntos que estavam engasgados. E viva o novo, viva o futuro", decreta.

 


• DE CAMAROTE


Com o “Gongada”, Bruno Motta teve um papel fundamental para abrir espaço. "Sou o criador, o realizador e o apresentador, mas acima de tudo acho que sou o espectador número um", observa. "Eu amo sentar ali e dar risada com tudo que acontece e ter o privilégio de assistir a todas edições. É tão engraçado, inesperado e sempre novo que eu fico pensando: 'que bom que alguém inventou isso', e acaba que fui eu mesmo (risos)."

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