O caso Ciro Nogueira (PP-PI) coloca o destino político da Federação União Progressista na sucessão presidencial em banho-maria. O bloco reúne quase um quinto dos parlamentares do chamado Centrão: responde por 20% do tempo de antena e vai administrar quase R$ 1 bilhão dos R$ 4,9 bilhões destinados ao fundo eleitoral de 2026. Representa a força pragmática do “desempate” em todos os embates do Congresso Nacional polarizado. Era a federação uma aliada cobiçada não apenas da sucessão presidencial, mas também nas sucessões estaduais. Com o velho e apurado faro para projetar expectativas de poder, até aqui, o União Brasil e o PP acompanhavam a evolução do desempenho do governo Lula para decidir se manteriam neutralidade na disputa presidencial ou se apoiariam a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao longo das últimas semanas, considerando as derrotas impostas pelo Centrão e oposição ao governo Lula no Congresso Nacional, a federação União Progressista pendia para Flávio Bolsonaro. Presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, puxava a balança para o filho do ex-presidente da República, depois de não ter tido sucesso em alinhavar, com Lula, em dezembro de 2025, um acordo favorável à sua reeleição no Piauí.
Ciro articulou, em princípio, pela candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à presidência da República e chegou a ser considerado como provável vice para compor a frustrada chapa. Quando anunciada em dezembro de 2025 a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro pelo pai, o presidente do PP passou a trabalhar pela indicação de um vice nessa chapa que não fosse militar e pudesse sinalizar a imagem da “moderação”, que sustentasse a ideia de Flávio como uma espécie de um “Bolsonaro vacinado”.
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Alvo da nova fase da Operação Compliance, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master, Ciro Nogueira recebeu nesta quinta-feira a “solidariedade” de congressistas, que confabularam buscando explicações para o “timing” da operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso, pouco mais de uma semana após a derrota no Senado da indicação de Jorge Messias ao STF.
Algumas das denúncias contra Ciro Nogueira já eram conhecidas entre congressistas. Por exemplo, a emenda apresentada para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, que constituía uma das principais estratégias de negócio do Master para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).
Mas, mesmo aliados que bateram nas costas de Ciro em sinal de simpatia se disseram surpreendidos com os detalhes das “vantagens econômicas indevidas” que teriam sido entregues a Ciro Nogueira pelo dono do Banco Master, listadas pela Polícia Federal, entre outras, pagamentos mensais de R$ 300 mil que chegaram a alcançar R$ 500 mil; custeio de viagens internacionais ao senador e à namorada, com hospedagens no Park Hyatt New York, hotel cinco estrelas com diárias de R$ 10 mil ou mais, a depender da temporada; além de restaurantes. Há ainda suspeita de que o senador teria adquirido uma participação societária, que valeria R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão.
Por onde se olha, as acusações são gravíssimas. No plano político, sobraram manifestações privadas de apoio a Ciro, mas, em público, a poucos meses da eleição, a companhia passa a ser considerada tóxica. A seguir nessa toada, a Federação União Progressista deverá se manter “neutra” na disputa presidencial, não por opção, mas agora por outro motivo: a proximidade pode custar votos. Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, foi o primeiro a gravar um vídeo acusando Vorcaro de pagar viagens e mesadas a “políticos vendidos”.
Em São Paulo, foi cancelado o evento que formalizaria, no próximo dia 11, o apoio do PP à chapa à reeleição de Tarcísio de Freitas. Aguardar o desdobramento do caso é a palavra de ordem. Outras lideranças partidárias, inclusive do União, estão em silêncio com a barba de molho, cautelosas para não se projetar no velho ditado popular: “A primeira galinha que grita é dona do ovo”.
Pioneira
Em sessão marcada por homenagens e referências literárias, a ministra Cármen Lúcia, primeira mulher da história a presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), participou, nesta quinta-feira, da última sessão de julgamentos no comando da Corte. Aplaudida de pé por ministros, procuradores e servidores, a magistrada encerrou seu ciclo à frente do TSE reafirmando o compromisso com a democracia e com a ocupação de espaços de poder por mulheres. Cármen Lúcia antecipou em um mês a sua saída, assim dando tempo para que Nunes Marques, que agora assume o comando do TSE, ganhe tempo para planejar melhor a sua gestão. Cármen Lúcia presidiu o TSE em duas ocasiões: entre abril de 2012 e novembro de 2013 e, neste biênio que se encerra, entre junho de 2024 e maio de 2026.
Posse
A posse de Nunes Marques na presidência do TSE será em 12 de maio. A nova cúpula da Justiça Eleitoral terá o ministro André Mendonça como vice-presidente. Entre os principais desafios do mandato que irá presidir as eleições gerais de 2026, estão a organização administrativa do TSE, a preparação dos próximos pleitos, o reforço na segurança das urnas eletrônicas e o combate contínuo à desinformação.
Plano A, B, C, D...
Ao ser indagado se concorrerá ao governo de Minas na hipótese de o senador Rodrigo Pacheco (PSB) não se candidatar, o empresário Josué Gomes da Silva (PSB) tem sido enfático: “Rodrigo Pacheco é nosso plano A, B, C, D...”. Josué tem afirmado a interlocutores que se filiou à legenda porque quer se engajar em projeto que recoloque o estado em posição de protagonismo nacional. Jarbas Soares Júnior (PSB) almoçou com Josué Gomes da Silva nesta quinta-feira, em São Paulo. “Comida italiana, água gasosa com limão e mineiridade”, postou Jarbas nas redes, em foto ladeado por Josué e por seu filho, João Rafael Soares (PSB).
5 por 2
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), considera que a proposta de redução da escala de trabalho 6x1 tem potencial para ser aprovada por ampla maioria na Casa ainda em maio. O relator na comissão especial é o deputado Leo Prates (Republicanos-PB). Ele pretende apresentar o parecer dia 26 deste mês. Motta afirmou nesta quinta-feira, na Assembleia Legislativa da Paraíba, perceber um ambiente favorável à proposta, independentemente de posições partidárias. Exemplificou lembrando a tramitação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais – pauta defendida pelo governo Lula – e que avançou por beneficiar diretamente a população trabalhadora.
Tramitação
Hugo Motta avalia que aprovar o texto na Câmara ainda neste mês abrirá caminho para que o Senado conclua a votação antes do recesso parlamentar. Apesar de o governo Lula ter encaminhado projeto de lei propondo o fim da escala 6 por 1, quando a proposta chegou, PEC de conteúdo semelhante de autoria dos deputados federais Reginaldo Lopes (PT) e Erika Hilton (Psol-SP) já tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Hugo Motta afirmou que a PEC seguirá como prioridade na Casa. Atualmente, o texto está em análise na comissão especial de mérito, última etapa antes de eventual votação em Plenário.
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CNH automática
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira a Medida Provisória 1327/25, que prevê a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação para inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). Conhecido como cadastro positivo de condutores, o RNPC premia os motoristas que não cometeram infrações de trânsito sujeitas a pontuação nos últimos 12 meses. O cadastro já oferece descontos em tributos, pedágios, estacionamentos e seguros, além de prever a renovação sem custos da carteira de motorista. O texto aprovado, que segue para análise do Senado, é a versão do senador Renan Filho (MDB-AL), relator da comissão mista que analisou a MP. O relator fez vários ajustes em relação à versão enviada ao Congresso pelo Poder Executivo.
