Se queres paz, prepara-te para a guerra
O império norte-americano está ferido, mas não está morto. Se perder mais esta guerra estará expulso do Oriente, e neste caso lhe restará o seu chamado quintal
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Aos 30 anos, Alexandre III da Macedônia havia conquistado um império que se estendia da Grécia ao Egito e do Egito à Índia. Gengis Khan arrebanhou império duas vezes maior, que se estendia do Oceano Pacífico ao mar Cáspio e, deste ao norte do Mar Negro. O primeiro ficou conhecido como Alexandre, o Grande ou Magno. O segundo é tratado até hoje como um carniceiro voraz que teria assassinado algo como 60 milhões de pessoas. Vale lembrar que ambos conquistaram a Pérsia e, nessa empreitada, Alexandre o Grande saqueou e incendiou toda a cidade de Persépolis.
Nem o túmulo de Ciro, em Pasárgada escapou de tamanha fúria. Por que um tem as graças da história e o outro não? Enquanto Alexandre tinha, à época, o equivalente “às bigtechs e as mídias mainstrean” em seu favor; a história de Gengis Khan nos chegou por relatos de suas vítimas. Alexandre, educado que foi pelos gregos, sabia que a história era tudo e levava seus escribas em suas campanhas. Gengis, que antes de ser Khan nasceu Temujim, não.
A civilização iraniana que ontem escapou de mais uma destruição anunciada por Donald Trump, sabe bem a importância de como se conta a história no tempo presente. Desde 1979 as suas mídias mainstream ou se adequam às leis internas ou perdem público; e as bigtechs adversas sequer têm autorização para atuar dentro de suas fronteiras. Ao chamado de seu ministro da Defesa, milhares de pessoas cercaram as usinas de energia e pontes para defender com a vida o patrimônio público.
O Irã ainda não conquistou uma vitória definitiva, mas foi mais uma. Vale lembrar que a “sugestão” do cessar-fogo veio do Paquistão, ou seja, da China. Agora a negociação será em seus termos. Os Estados Unidos já perderam quase todas as suas bases mais importantes no entorno, além de ter tido baixa de US$ 50 bilhões em equipamentos sofisticados, de radares a jatos, ditos invisíveis. Perdeu credibilidade na região, pois não protegeu os seus aliados árabes que agora se arriscam a perder as suas coroas se a revolta se estender aos seus cidadãos.
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O chamado Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que gera a base de sustentação dos atuais petrodólares teve negócios e paraísos fiscais estilhaçados. Já Israel foi bombardeado em mais de 90 ondas de choques de mísseis e drones. Israel está agora envolvido em três frentes de guerra e uma quarta pode acontecer na Síria. A economia mundial está ameaçada de recessão e inflação de preços, o que desgasta Trump e Benjamin Netanyahu.
É bem verdade que este cessar fogo é frágil e Trump pode voltar à ofensiva. Mas o tempo corre agora para os iranianos. Trump vê internamente uma aproximação perigosa entre a sua base Maga, que defende cessar as guerras dos israelenses e melhorar a vida dos americanos, e a oposição democrata. Tal racha pode inverter a correlação de forças nas eleições de meio de mandato, este ano.
Se no Irã e no Oriente Médio a esperança amanheceu em alta, no Caribe e na América do Sul anda em baixa. O império norte-americano está ferido, mas não está morto. Se perder mais esta guerra estará expulso do Oriente, e neste caso lhe restará o seu chamado quintal. Passa da hora de militares e democratas brasileiros esquecerem o passado e pensarem no futuro desta nação. A guerra do Irã ensina muito e as suas armas também.
Trump sofreu uma derrota, mas a menos que se engalfinham numa luta interna parecida com o pós-Vietnã ou aquela do século retrasado, vai voltar à cena. Uma parte da política brasileira quer logo a anexação aos vizinhos do Norte, assim como Javier Milei que anda a oferecer até seus glaciares, terras na Patagônia e até aposentadoria aos israelenses. Já os paraguaios estão a oferecer bases aos norte-americanos. Certos setores da política nacional, os que mais baratearam o patriotismo, são entreguistas.
Cabe o alerta aos militares realmente patriotas e ao governo de zelar pelo que ainda é nosso. Soberania digital para vencer a guerra da opinião e a mudança de paradigma militar, para não chegar à guerra, estão na ordem do dia. A era da paz e do amor passou faz tempo, e o Executivo brasileiro precisa se lembrar que o Paquistão, digo a China, fica bem longe como o caso Maduro mostrou.
Homenagem
O vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Agostinho Patrus (foto) recebeu nesta quarta-feira, 8, a comenda da Ordem do Mérito Judiciário Militar, concedida pelo Superior Tribunal Militar (STM), no grau Alta Distinção. Ex-presidente da Assembleia Legislativa, a indicação foi da ministra Maria Elizabeth Rocha, primeira mulher a presidir o STM. “Esta medalha é o reconhecimento público daqueles que colaboram com a justiça militar do Brasil. Cada insígnia carrega o peso da nossa história e a esperança do nosso futuro”, destacou a presidente do STM em seu pronunciamento.
Órfãos do feminicídio
O Projeto de Lei (PL) 3.632/22, que busca instituir política estadual de proteção e atenção integral aos órfãos do feminicídio, foi aprovado em 1º turno naAssembleia Legislativa. De autoria da deputada Ana Paula Siqueira (PT), a proposta prevê a proteção integral, a saúde física e mental, e o desenvolvimento de crianças e adolescentes cujas mães ou responsáveis legais foram vítimas de feminicídio. De acordo com o projeto, os menores órfãos devem ter acesso prioritário aos serviços públicos de assistência social, saúde, educação, moradia, alimentação e assistência jurídica gratuita. A proposta também prevê atendimento especializado por equipes multidisciplinares e acompanhamento psicossocial para minimizar os impactos da violência e garantir o desenvolvimento das vítimas indiretas do crime.
Elite do funcionalismo
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) formou maioria nesta quarta-feira para aprovar regulamentação que limitou o pagamento dos chamados “penduricalhos” no Judiciário e no Ministério Público. Em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), as verbas indenizatórias não poderão ultrapassar 35% do teto constitucional, hoje em R$ 46,3 mil. Também foi autorizado adicional por tempo de serviço de até 35%. Com isso, a soma das vantagens fica limitada a 70% do teto, dividida em dois blocos iguais: um de antiguidade e outro de indenizações.
Em números
Pela nova regulamentação, um magistrado em início de carreira poderá receber até cerca de R$ 62,5 mil mensais. No topo da carreira, a remuneração poderá chegar a cerca de R$ 78,5 mil com as verbas indenizatórias. Atualmente, em média, os vencimentos giram em torno de R$ 95 mil.
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Cúpula
O presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe e pré-candidato do partido ao governo de Minas acompanhou em Brasília o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Domingos Sávio ao Senado Federal. Também presentes o deputado federal Nikolas Ferreira e o estadual, Bruno Engler.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
