Bebel Soares
Bebel Soares
PADECENDO

Infância em risco

Criada sob o pretexto de evitar o afastamento saudável entre pais e filhos, a LAP transformou-se em uma perigosa ferramenta de coerção

Publicidade

Mais lidas

O Brasil assiste, em choque, a uma sequência de barbaridades que expõe a extrema vulnerabilidade de nossas crianças dentro e fora de casa. Em poucos dias, dois episódios brutais reacenderam o alerta sobre a urgência de se repensar os mecanismos de proteção ao menor. 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O ator Marco Furlan foi preso ao ser flagrado e acusado de estupro de vulnerável contra um menino de apenas 5 anos em uma chácara, no interior de São Paulo. Nesta mesma semana, o pequeno Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi assassinado em Palmas (TO).

Gustavo foi encontrado morto com gravíssimas marcas de agressão e violência sexual na casa do próprio pai, o advogado Igor Gustavo Veloso, que se tornou o principal suspeito do crime.

O que torna o caso do menino Gustavo ainda mais doloroso e revoltante é que ele não queria ir para a casa do pai e há um vídeo gravado dias antes de sua morte, no qual ele chorava e implorava para não ir. No vídeo, o menino dizia claramente o motivo: "Porque ele me bate". Diante de um sinal tão claro de socorro, a gente se pergunta: por que a criança foi entregue? A mãe não queria, mas ela foi obrigada. Existe um terror jurídico imposto às mães e protetores, a Lei de Alienação Parental (LAP). Os próprios advogados da mãe relataram que ela não podia privar o pai das visitas para não sofrer sanções judiciais graves decorrentes dessa legislação.

Criada sob o pretexto de evitar o afastamento saudável entre pais e filhos, a LAP transformou-se em uma perigosa ferramenta de coerção. Na prática forense, quando uma mãe denuncia abusos, violência ou expõe o medo real da criança, o agressor frequentemente reverte a narrativa, acusando-a de estar praticando "alienação parental". Sob a ameaça de perderem a guarda dos filhos ou de responderem criminalmente, mães são juridicamente silenciadas e obrigadas pelo Estado a entregar seus bebês de mãos beijadas aos próprios algozes.

A morte de Gustavo Veloso Feitosa é mais uma prova de que a palavra da criança e os indícios de violência estão sendo negligenciados por uma exigência legal burocrática e burra. Relatórios de organizações de direitos humanos e recomendações da própria ONU já apontaram que a LAP perpetua a violência institucional contra mulheres e menores. 

REVOGAÇÃO DIVIDE OPINIÕES

Tramitam no Congresso Nacional propostas para a sua revogação total, uma medida que se mostra cada vez mais vital e inadiável.

Os parlamentares contrários à revogação total da Lei de Alienação Parental (LAP) argumentam principalmente que a extinção total da norma criaria um "vazio jurídico", deixando crianças desprotegidas contra a manipulação psicológica de um dos genitores. 

O fato é que, enquanto a lei não é revogada, crianças seguem sofrendo violências e morrendo pelas mãos dos próprios genitores.

Casos como o de Marco Furlan mostram que a infância corre perigo no ambiente social, mas o caso de Gustavo nos lembra que, muitas vezes, o perigo veste terno, detém direitos legais de visitação e usa a lei como escudo para destruir vidas. Proteger a infância exige punição exemplar na esfera penal e coragem no legislativo. 

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Revogar a Lei de Alienação Parental não é uma questão de disputa de gêneros em varas de família, mas sim o passo mais urgente para estancar o sangue inocente de crianças que imploram para viver, mas acabam sufocadas pelas engrenagens do próprio sistema que deveria salvá-las.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

abuso-sexual criancas estupro filhos morte

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay