Anna Marina
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Polêmicas de influenciador e humorista: "cutox" e assédio eleitoral

A repercussão do "cutox" ajuda a mostrar a variedade de aplicações da toxina botulínica, mas a curiosidade não deve substituir a avaliação médica

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Não sou muito ligada em influenciadores, principalmente os de fora do circuito Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Mas, de repente, notícias de um tal de Rico Melquíades começaram a aparecer para mim e fui procurar saber do que se tratava, curiosa que sou.

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Ele é alagoano, humorista e influenciador, ganhou o programa “A Fazenda”, em 2021, e tem mais de 12 milhões de seguidores no Instagram. Nunca tinha ouvido falar, e as notícias que chegaram não foram tão positivas assim.

A primeira foi sobre um procedimento estético que ele fez no último dia 16, que vou falar por último. A segunda, diz que ele foi processado pelo Ministério Público do Trabalho por assédio eleitoral com as empregadas domésticas de sua casa e por ter exposto informações pessoais delas em suas redes sociais, e foi pedida uma indenização de R$ 5 milhões.

Rico aplicou botox em partes do corpo nada convencionais e deu o nome para o procedimento de “cutox”, o que já diz onde foi feita a aplicação do produto.

Li todo o material enviado pelo médico e vi o post do paciente em sua rede social. Segundo o doutor Chris Lima, CRM-PB 15.387, responsável pelo procedimento no influenciador, “além das rugas, a toxina pode controlar suor e secreções, além de reduzir contrações musculares em diferentes regiões do corpo”.

Rico revelou que realizou o “cutox”, aplicação de toxina botulínica na região anal, para reduzir sudorese e relaxar a musculatura para evitar fissuras nas relações sexuais. O procedimento de Rico Melquiades chamou atenção para usos da substância que vão além de sua utilização mais conhecida no rosto. O caso mostrou que ela também pode ser aplicada em outras partes do corpo.

O médico explica que a aplicação na região íntima pode ter finalidades diferentes, conforme a necessidade do paciente. Entre os locais menos associados à toxina botulínica estão a parede da bexiga, as glândulas salivares, as palmas das mãos, as plantas dos pés e músculos da cabeça e do pescoço. Na bexiga, ela pode ser indicada em determinados casos de hiperatividade; nas glândulas salivares, ajuda a controlar a produção excessiva de saliva; nas mãos e nos pés, reduz a transpiração intensa; e, na região da cabeça e do pescoço, integra protocolos para enxaqueca crônica e contrações involuntárias. “É a mesma substância, mas o procedimento não é igual. A dose, a profundidade e os pontos de aplicação mudam conforme a região e a finalidade do tratamento”, explica dr. Chris.

Já escrevi aqui sobre o uso do botox para reduzir o bruxismo. A aplicação é profunda no músculo masseter e no músculo temporal. Para a neuralgia do Trigêmeo a aplicação é para dessensibilizar o nervo, ela é superficial nos pontos de gatilho da face e no trajeto dos ramos afetados.

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Chris afirma que a repercussão do “cutox” ajuda a mostrar a variedade de aplicações da toxina botulínica, mas ressalta que a curiosidade não deve substituir a avaliação médica. “Uma região parecer inusitada não significa que a aplicação possa ser feita sem necessidade. Cada uso exige diagnóstico, conhecimento anatômico e análise dos riscos. O mais importante é saber por que a toxina está sendo indicada e qual resultado ela realmente pode oferecer”, conclui.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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