Violência contra a mulher, luta sem fim?
Estudo aponta as 10 piores cidades brasileiras para as mulheres, com altas taxas de feminicídio, baixa representação política feminina e economias excludentes
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Neste mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, o país se mobiliza pela campanha Agosto Lilás.
Nunca se viu tanto feminicídio como agora. Recebi um estudo feito pela empresa de consultoria Tewá 225, que realiza projetos voltados para problemas socioambientais enfrentados por empresas, organizações e governo, que acho importante divulgar e compartilhar com os leitores.
A Tewá elaborou o ranking “Piores cidades para ser mulher” no Brasil. Ao escancarar uma terrível realidade, o estudo acendeu o alerta: em quase todos os médios e grandes municípios brasileiros, o Estado falha em proteger a vida das mulheres.
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Entre as 319 cidades com mais de 100 mil habitantes analisadas pela Tewá 225, 99% já ultrapassaram a taxa de três mortes violentas por 100 mil mulheres, limite considerado inaceitável pelo Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR).
Esta constatação converge com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que registrou 1.492 feminicídios no país em 2024, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. Em 2025, registrou-se aumento de 4,7%, alcançando o triste número de 1.571 mortes.
O primeiro trimestre de 2026 apresentou alta de 7,55% em comparação ao mesmo período de 2025. Por aí, podemos imaginar a quanto chegaremos se ninguém tomar providências radicais.
Outro alerta: 80% vítimas de 2024 foram mortas por companheiros ou ex-companheiros.
Segundo Luciana Sonck, CEO da Tewá 225, o feminicídio é a expressão mais extrema do persistente ciclo de violência de gênero. Os dados revelam que a maioria das cidades brasileiras falha na prevenção e enfrentamento dessas violências. Mesmo onde existem políticas públicas, faltam mecanismos eficazes de proteção, monitoramento e acesso.
No ranking das piores cidades brasileiras, Paranaguá (PR), São Pedro da Aldeia (RJ) e Camaçari (BA) se destacam como as mais desafiadoras para as mulheres, com altas taxas de feminicídio, baixa representação política feminina e economias fortemente voltadas aos setores agropecuário e industrial, onde historicamente oportunidades para mulheres são mais limitadas e as condições de trabalho menos favoráveis.
O top 10 piores cidades para mulheres no Brasil é composto por: 1º lugar, Paranaguá (PR). 2º: São Pedro da Aldeia (RJ). 3º: Camaçari (BA). 4º: Macaé (RJ). 5º: Parauapebas (PA). 6º: Cabo de Santo Agostinho (PE). 7º: Pindamonhangaba (SP). 8º: Açailândia (MA). 9º: Santana (AP). 10º: Ponta Grossa (PR).
Mas nem tudo é inferno. O estudo apontou também as 10 melhores cidades para as mulheres. Em primeiro lugar está Araras (SP). Em 2º, São Caetano do Sul (SP). 3º: Brasília (DF). 4º: Nova Serrana (MG). 5º: Balneário Camboriú (SC). 6º: Nova Friburgo (RJ). 7º: Londrina (PR). 8º: Birigui (SP). 9º: Sobral (CE). 10º: Brusque (SC).
É de embrulhar o estômago ver todos esses números. Amanhã, retomaremos o assunto dada sua importância.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
