Mateus Fonseca: talento brasileiro se destaca mundo afora
O pianista mineiro apresentará o concerto 'Poéticas da transformação', em 15 de julho, no Teatro Sesiminas, em Belo Horizonte
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Semana passada, tive a grata surpresa de receber aqui no jornal a visita da querida Maria Ignez Coutinho Fonseca. A turma da velha guarda a conhece muito bem, mas, para os mais jovens, Maria Ignez criou a Associação Mineira de Decoração (Amide), da qual foi presidente, fortalecendo no estado a profissão de decorador. Atualmente, esses profissionais são chamados de designers de interiores, função absorvida também por arquitetos.
Maria Ignez foi casada com o médico fisiatra Gilberto de Almeida Fonseca, fundador do Hospital Arapiara, de quem ficou viúva. Tem quatro filhos: Gilberto Filho, Ricardo, Cláudia e Ana Paula. Todos são exemplo em suas profissões. Gilberto Filho é neurocirurgião, especializado em cirurgia de Parkinson; Ricardo é médico da área de imagem; Cláudia e Ana Paula seguiram o pai, são fisiatras.
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Quem sai aos seus não degenera. Ana Paula tem um filho que hoje se destaca, com igual competência, em área totalmente diferente do ramo da família: Mateus Fonseca é pianista clássico.
Mateus, de 25 anos, está há sete na Suíça, onde fez faculdade de música. Formou-se com louvor, foi premiado em sua graduação pelo reitor, seu concerto de formatura foi o mais prestigiado de todos. Já concluiu o mestrado em regência de coral e performance em piano. Agora faz o segundo mestrado, em regência de orquestra e música de câmara.
Estou contando essa história para falar que este menino prodígio, tão conhecido na Europa, estará em Belo Horizonte na próxima quarta-feira, 15 de julho, para fazer o concerto de piano clássico “Poéticas da transformação”, às 20h30, no Sesiminas. Apresentará seu recente trabalho, CD com 40 composições do suíço-brasileiro Renato de Aguiar, cujo acervo de manuscritos está catalogado na Universidade de Lausanne.
A estreia do concerto ocorreu na Suíça, Mateus já se apresentou em Portugal, na Bélgica e na Holanda.
O álbum com as 40 faixas inéditas se chama “Dois mundos”, por unir Brasil e Europa, unir dois músicos de idades tão diferentes, e também pelo fato de um ter composto e ao outro caber a interpretação das obras.
Mateus Fonseca deu vida às criações de Renato de Aguiar, e isso levou o autor a querer compor novamente. Por isso, no concerto da próxima semana, Mateus interpretará uma inédita de Renato, inspirada na obra do pintor austríaco Hundertwasser (1928-2000), mais precisamente no quadro “Noite da bebedeira”.
O jovem pianista gosta de música desde criança. Um grande amigo da família, Luiz Aguiar, sempre que visitava os Fonseca, sentava-se ao piano e tocava. Quando Mateus tinha uns 9 anos, Luiz percebeu que ele tinha o dom e lhe deu aulas por cerca de um ano.
O aluno superou o mestre? Talvez. Mateus passou para as aulas de teclado e, adolescente, estudou piano com Carla Reis, que o apresentou à renomada Berenice Menegale, que comanda a Fundação de Educação Artística (FEA).
Na FEA, Mateus participou com os colegas de masterclass com docente do Conservatório de Moscou. O russo aconselhou o rapaz a ir para fora do país se aprimorar.
Desde que se mudou para a Suíça, Mateus Fonseca não parou mais. Criou lá um projeto beneficente que leva música clássica para doentes em hospitais.
O resultado foi tão positivo que ele já levou o projeto para a Bélgica. Todos os meses, o mineiro e 40 musicistas visitam casas de longa permanência, apresentando música de qualidade para as pessoas que moram ali.
Quem gosta de boa música clássica e de novidade não pode perder este concerto. Fica a dica!
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
