Lavar roupa nova é mais importante do que você imagina
Campo minado de substâncias nocivas, peças novas ou de segunda mão devem ser lavadas com água fria e detergente antes do uso
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Nunca lavei roupa nova antes de usar, o máximo que fiz é passar para tirar a marca de dobras da embalagem. Tenho alergia a perfume e sempre gostei do cheirinho gostoso da roupa nova, porque eles aspergem a fragrância da loja na sacola. Fica suave, aproveito porque não me incomoda.
Nunca poderia imaginar que essa sensação de roupa recém-tirada da arara poderia vir acompanhada de corantes, produtos químicos de acabamento e germes acumulados pelo caminho.
Recebi material relatando que, no caso de pessoas mais sensíveis, o corante da roupa nova transfere substâncias para a pele, como se ela fosse uma esponja. A pele fica quente, avermelhada e, com o tempo, surge a sudorese intensa, independentemente do tipo de tecido.
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Pesquisas mostram que roupas novas, compradas presencialmente ou online, e roupas de segunda mão podem ser campo minado de substâncias irritantes e nocivas.
Dermatologistas advertem que ninguém conhece o histórico de uma peça de roupa: por onde ela passou, que tratamentos recebeu, quando foi embalada, o que há na embalagem, quem a manuseou. Várias substâncias químicas são adicionadas às fibras durante a produção da roupa.
Tudo começa com o processo químico bastante agressivo de limpeza. Produtos de origem natural, como lã e algodão, contêm sujeira e suor que precisam ser removidos. O branqueamento e a lavagem industrial se dão com uso de surfactantes, explica Karen Leonas, professora de ciências têxteis da Universidade Estadual da Carolina do Norte.
As substâncias irritantes mais preocupantes são os produtos químicos de acabamento. Tecidos frequentemente passam por tingimento e alguns recebem acabamentos para torná-los repelentes à água, retardantes de chama e antimicrobianos. Alguns desses produtos químicos são removidos na lavagem, enquanto outros são projetados para permanecer no tecido.
Um dos principais agentes problemáticos é a resina à base de formaldeído, usada para tornar os tecidos resistentes aos amassados. Já os corantes azoicos, proibidos na produção de vestuário na Europa, estão associados a casos de dermatite em quem fabrica e em quem usa as peças.
Há também preocupação crescente quanto aos possíveis danos das substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS), frequentemente descritas como “produtos químicos eternos”. As PFAS são utilizadas em roupas para conferir resistência a manchas, fazendo com que as peças durem mais.
A solução é simples: lave tudo antes de usar, roupas, lençóis ou toalhas. Isso remove resíduos químicos, permitindo que as substâncias fixadas ao tecido cumpram sua função a longo prazo.
Água fria é a recomendação para conservar as roupas. Combinada com detergente, age melhor sobre os produtos químicos do que água quente isolada. Água fria evita que cores vivas desbotem ou manchem outras peças. Também impede a deterioração prematura do tecido.
A escolha do detergente é mais importante do que a maioria das pessoas imagina. Evite fragrâncias. Elas retiram a umidade da pele, tornando a barreira cutânea mais suscetível a reações.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
