Nada melhor do que aquela melancia geladinha num dia quente de verão. Se estiver docinha, então... É refrescante, hidratante, gostosa. Fruta linda, colorida. Comemos com a leve urgência de quem entende que melancia gelada é uma das poucas alegrias descomplicadas da vida, algo como pular na piscina sob o sol escaldante.

Não entendo quando o povo resolve inventar modas esquisitas. A vida inteira comemos a polpa vermelha.

A casca verde e as sementes jogamos fora com a confiança de quem entende muito bem como as frutas funcionam.

Afinal, todo mundo está careca de ouvir que a parte comestível é o centro vermelho, todo o resto é apenas embalagem estrutural, a “versão da natureza” do plástico-bolha, ou seja, a casca branca e as sementes.

 

Agora estão dizendo que está tudo errado, porque a casca branca e as sementes contêm alguns dos compostos mais úteis da fruta.

Argumentam que a melancia é, na verdade, um sistema totalmente integrado e temos interagido com ela da maneira mais superficial possível. Pode até ser, mas é o jeito mais gostoso.

A casca, aquela parte pálida e sem graça entre o interior vermelho vibrante e o exterior verde duro e escuro, contém altos níveis de citrulina, aminoácido envolvido na circulação sanguínea.

A citrulina ajuda a produzir óxido nítrico, que relaxa os vasos e melhora o fluxo do sangue. Isso é importante, porque a circulação é a forma como o corpo distribui oxigênio e nutrientes.

A casca também contém fibras e menos açúcar do que a polpa vermelha, o que a torna metabolicamente útil. Historicamente, as pessoas a comiam, conservavam em vinagre e a cozinhavam.

A cultura moderna, por outro lado, decidiu que tudo o que exige interpretação é suspeito e deve ser removido imediatamente.

As sementes sofreram “colapso” semelhante em sua reputação. Elas são nutricionalmente densas, contendo magnésio, folato, proteína vegetal e também ácidos graxos benéficos.

O magnésio auxilia na função muscular e nervosa. O folato, por sua vez, age na reparação celular. Os ácidos graxos contribuem para a saúde cardiovascular.

Ou seja, as sementes de melancia são úteis. Quando devidamente torradas, oferecem valor nutricional comparável ao de outras sementes que as pessoas consomem com entusiasmo depois de o produto ser “repaginado”, embalado em pacotes pequenos e caros.

Em última análise, o valor da melancia reside na sua completude. Hidrata, favorece a circulação, mantém o equilíbrio e protege as células.

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*Isabela Teixeira da Costa/Interina

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