Anna Marina*
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ANNA MARINA

Especialista explica por que a celulite é ligada erroneamente à obesidade

Confusão entre obesidade e celulite alimenta o 'mercado do defeito', em que características fisiológicas são tratadas como anomalias a serem corrigidas

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Hoje, Dia Mundial da Obesidade, a atenção pública se volta para riscos metabólicos, inflamação crônica e políticas de saúde. Preocupação pertinente neste momento social em que as pessoas passaram a assumir sua aparência, sem se preocupar com padrões impostos pela sociedade. Porém, no caso de pessoas com sobrepeso ou obesas, existe o risco de a gordura trazer riscos para a saúde.

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Fora do campo clínico, um fenômeno continua operando de forma silenciosa: a associação automática entre celulite e excesso de peso. Ao longo das últimas décadas, a textura natural da pele foi transformada em marcador visual de descuido, criando aparência estética com condição médica. O resultado é o erro conceitual que reforça leituras simplificadas sobre o corpo feminino.

A indústria da beleza e a comunicação visual padronizaram imagens da pele lisa como símbolo de disciplina e controle corporal. Ao se repetir que a celulite deveria ser combatida, criou-se a ideia de que a presença dela indica gordura excessiva ou falha da pessoa. Isso gerou o arraigado conceito de que a celulite é consequência direta da obesidade.

Do ponto de vista científico, porém, isso não se sustenta. A dermatologista paulista Denise Ozores explica que a celulite decorre da alteração estrutural do tecido subcutâneo, influenciada pela disposição das fibras de colágeno, pela organização dos septos fibrosos e por fatores hormonais.

Não é a quantidade de gordura, isoladamente, que determina a celulite. É a forma como o tecido adiposo se organiza sob a pele. Mulheres magras, atletas e pessoas com baixo percentual de gordura também apresentam celulite.

A médica adverte que confundir celulite com obesidade distorce tanto a discussão estética quanto a discussão de saúde pública.

Denise Ozores explica que obesidade é uma condição metabólica complexa, associada ao risco cardiovascular, à resistência à insulina e à inflamação sistêmica. Já celulite é textura. Quando transformamos textura em diagnóstico social, reforçamos a gordofobia e perdemos a precisão do debate.

A confusão alimenta o chamado “mercado do defeito”, em que características fisiológicas são tratadas como anomalias a serem corrigidas. O discurso de combate absoluto à celulite reforça a ideia de que qualquer irregularidade visual representa falha corporal.

Existem tratamentos para quem deseja melhorar a textura da pele. A especialista ressalta que tecnologias atuais atuam principalmente na qualidade do colágeno, na microcirculação e na reorganização do tecido subcutâneo.

Bioestimuladores e procedimentos minimamente invasivos podem suavizar irregularidades quando há incômodo estético. O importante é compreender que estamos falando de ajuste cosmético, não de cura de uma doença.

No contexto do Dia Mundial da Obesidade, separar estética e saúde é fundamental. A associação automática entre celulite e obesidade simplifica fenômenos distintos e reforça julgamentos corporais baseados na aparência.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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