Miniousadias femininas: escolhas que transformam a vida das mulheres
Muitas mulheres evitam escolhas não porque não são capazes, mas porque sabem que escolher por si mesmas decepciona muita gente e acabam se colocando de lado
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Domingo que vem é o Dia Internacional da Mulher, discursos sobre força, sucesso e superação se multiplicam. O que raramente entra na conversa é o que fazer com o cansaço, a culpa, o medo de decepcionar e a pressão silenciosa para ser perfeita o tempo todo.
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Para a escritora e palestrante Branca Barão, não são necessárias grandes viradas que transformem a vida das mulheres, mas as miniousadias femininas, as escolhas pequenas, quase invisíveis, que devolvem autonomia, descanso e potência no dia a dia.
Ela diz que são decisões que parecem ter menos importância ou peso para quem olha de fora, mas que exigem uma coragem imensa de quem as vive. Ela vê muitas mulheres evitando escolhas não porque não são capazes, mas porque sabem que escolher por si mesmas decepciona muita gente e acabam se colocando de lado sem perceber.
Branca diz que muitas mulheres vivem hoje uma espécie de saturação emocional, na qual as expectativas culturais são tão pesadas que elas passam a acreditar que não têm o direito de escolher por si. Essa sobrecarga contínua afeta diretamente a capacidade de decisão.
Segundo Branca, quando o cansaço emocional se acumula, a mulher deixa de agir por intenção e passa a apenas reagir. Ela perde a clareza e, sem ela, não há escolha consciente, só sobrevivência. E sem intenção não existe propósito possível.
É nesse contexto que entram as chamadas micropermissões, pequenas autorizações internas que, embora pareçam irrelevantes, funcionam como pontos de virada. Entre os exemplos mais comuns ela cita: mudar o batom que sempre quis usar; testar um corte de cabelo diferente; escolher um sapato confortável; pedir cerveja enquanto todos tomam vinho.
Branca afirma que é 'quase nada’. Mas esse quase nada libera muito. Para sair do piloto automático que agrada ao mundo e entrar no modo intenção, onde a mulher volta a se ouvir, a palestrante destaca cinco miniousadias fundamentais: dizer “não” sem justificar; pedir ajuda sem precisar se explicar; colocar limites sem culpa; admitir cansaço sem se sentir fraca; priorizar descanso sem achar que está falhando.
Segundo ela, quando esse tema é trabalhado em palestras e encontros, os impactos costumam aparecer primeiro em dois territórios sensíveis: o corpo e os relacionamentos. Colocar limite não é falta de amor, é autorrespeito. Para ela, quando uma mulher altera uma micropostura nesses espaços, os efeitos são quase imediatos: menos ressentimento, mais presença, mais energia.
Ao contrário do que muitos discursos pregam, Branca defende que transformação não exige grandes rupturas nem decisões radicais. Não é o grande gesto que liberta é a soma das pequenas autorizações que a mulher passa a se dar todos os dias. O ‘quase nada’, repetido, reconstrói uma vida inteira.
Para mulheres que se sentem exaustas, sem tempo ou sem energia para mudar, ela propõe um gesto mínimo: parar por dois minutos e se perguntar: ‘Se eu fosse gentil comigo agora, o que faria?’. É só isso, algo muito simples, mas libertador.
Um dos exemplos mais simbólicos foi quando ela decidiu subir ao palco de tênis All Star, rompendo com a imagem excessivamente formal que acreditava ser necessária para ser levada a sério no ambiente corporativo.
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O que Branca considera mais urgente é simples e direto: “Você não nasceu para ser perfeita. Nasceu para ser feliz. Talvez esse seja o lembrete mais necessário e ainda esquecido quando se fala sobre a vida real das mulheres”.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
