Anna Marina
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VIDA MODERNA

O olho do dono engorda o gado

Empreendimento começa a decair quando o dono, depois de fazer sucesso, descansa em leito de ouro e deixa de acompanhar seu negócio no dia a dia

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Não existe ditado mais certo que este: de fato, o olho do dono é que engorda o gado. Quando o dono cuida, acompanha, o negócio progride. Esse cuidado é fundamental, pois a mão de obra está cada vez mais difícil – se o dono não está de olho, o funcionário acaba relaxando. Vou citar mais um ditado: quando o gato sai, o rato passeia no fogão.

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O grande problema é quando o proprietário alcança o sucesso, expande e aí descansa em seu leito de ouro, “abandonando” o gado, ou melhor, o negócio. As coisas começam a decair e todo mundo percebe. Com certeza, isso se reflete no faturamento, mas o dono não enxerga, não age.


Em 2004, foi inaugurado em BH, na região de Lourdes, um restaurante tipo bistrô de culinária contemporânea e confeitaria. Foi um sucesso. Além de ser um local bonito, era extremamente agradável. Abria praticamente o dia todo, então era possível almoçar, fazer lanches à tarde ou jantar. Vivia cheio.


Com o sucesso, os proprietários decidiram abrir outra unidade, depois outra, e foram expandindo. Minhas amigas e eu íamos com certa frequência.


Sempre elogiávamos tudo, até que, certo dia, estranhamos não apenas o serviço, mas a comida, que parecia não ter a qualidade de antes. Comentamos, mas colocamos o fato na conta de o cozinheiro estar de férias, doente ou ter sido trocado.


Passamos um tempo sem ir lá. Quando retornamos, levamos um susto. A unidade estava estranha, com ar de abandonada. Poucos frequentadores, atendimento ruim, comida também. Não deu outra: pouco tempo depois, estava fechada.


Mas ainda restavam outras unidades. Passei a ir mais esporadicamente. E as pessoas começaram a falar que lá era mais como antes.


Na tarde da última quinta-feira, eu e duas amigas fomos a uma loja no Belvedere olhar um vestido para uma delas, que será madrinha de casamento. Nosso plano era sair depois para um café, mas ao deixarmos a maison, caía a maior chuva que só piorava. Optamos pelo BH Shopping por medida de segurança. Resolvemos, com certa dúvida e relutância, ir à unidade que o restaurante/confeitaria mantém lá.


Pedimos sanduíches e esperamos tanto tempo que resolvemos cobrar o pedido. Ninguém falava nada, até que vi o gerente e o garçom conversando no fundo, com os croissants intactos. Não tinham providenciado, até então, o nosso pedido. O gerente veio, deu uma desculpa, perguntou se ainda queríamos os sanduíches. Estávamos com muita fome e confirmamos.


O tempo inteiro em que aguardávamos, o gerente estava lá, mas virado de costas para o salão, batendo papo com os funcionários. Nem sabia qual garçom havia nos atendido. A casa tinha apenas três mesas ocupadas. Não era para ele ficar de olho, indo às mesas perguntar se estava tudo correndo bem?


Sabemos que mão de obra está difícil, mas pergunto: com que frequência o dono tem acompanhado in loco aquelas casas?

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Do jeito que estava vazio, não acredito que não se tenha percebido a queda do faturamento. Se continuar assim, vão acabar fechando as portas de vez.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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