André Murad
André Murad
Diretor-executivo da Clínica Personal Oncologia de Precisão de BH. Oncologista e oncogeneticista da OncoLavras.
ONCOSAÚDE

Nódulos pulmonares e câncer de pulmão - parte 2

A ausência total de cálcio em um nódulo é sempre considerada um sinal de alerta

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Hoje seguimos falando sobre nódulos pulmonares e câncer de pulmão, com base na divulgação do diagnóstico recente do papa Leão XIV, que foi submetido à retirada de um nódulo no pulmão no último dia 13. 

Como os nódulos pulmonares costumam ser descobertos?

Existem quatro formas principais:

- Por meio de uma radiografia realizada por um motivo não relacionado, como um acidente automobilístico
- Por meio de exames de imagem solicitados devido a um problema pulmonar, como uma tosse persistente ou sintomas de pneumonia
- Por meio de um rastreamento para câncer de pulmão
- Por meio de uma avaliação de saúde realizada antes de uma cirurgia
Além disso, a tomografia computadorizada (TC) rápida do coração — conhecida como exame de escore de cálcio, utilizada para avaliar a doença arterial coronariana — pode, por vezes, captar as bordas dos pulmões, revelando a presença de nódulos. Tomografias computadorizadas do abdômen também podem, ocasionalmente, identificar nódulos localizados no terço inferior dos pulmões.

Os nódulos pulmonares podem desaparecer por conta própria?

Sim, especialmente quando estão relacionados a uma infecção. O mesmo não ocorre com as outras causas possíveis; o câncer, em particular, não desaparece espontaneamente. 

Nódulos pulmonares chegam a causar algum sintoma?

Sim. Mesmo que sejam benignos, os nódulos em si — ou as causas subjacentes a eles — podem provocar alguns dos mesmos sintomas observados no câncer de pulmão, incluindo:
- Tosse persistente
- Falta de ar
- Dor ou pressão no peito
- Infecções das vias aéreas superiores, persistentes ou recorrentes

Como saber se um nódulo pulmonar é cancerígeno?

Se um nódulo aparece completamente calcificado em exames de imagem — como se tivesse se transformado inteiramente em pedra —, ele não é um câncer. Se apresentar apenas alguns pontos de cálcio, pode ser cancerígeno. Por outro lado, a ausência total de cálcio em um nódulo é sempre considerada um sinal de alerta. 
De qualquer forma, existem três abordagens para investigar melhor:
Observação: também chamada de acompanhamento, consiste em monitorar o nódulo ao longo do tempo para verificar se ele aumenta, diminui ou permanece inalterado.
Exames de imagem adicionais: utilizamos técnicas avançadas — como o PET-scan e a tomografia computadorizada de alta resolução — para uma análise mais detalhada.
Coleta de amostra (biópsia): podemos inserir uma agulha no nódulo ou removê-lo cirurgicamente. Em ambos os casos, obtemos uma amostra para realizar uma biópsia do tecido.
A única maneira de confirmar se algo é um câncer é examinando suas células sob um microscópio. No entanto, é preciso equilibrar o risco da biópsia com o risco de o nódulo ser, de fato, um câncer. 
Por isso, geralmente optamos pela observação caso o risco seja muito baixo ou se houver uma causa clara para o surgimento do nódulo — como, por exemplo, um quadro recente de gripe.
Por outro lado, se o paciente apresenta múltiplos nódulos, fuma um maço de cigarros por dia e possui histórico familiar de câncer de pulmão, podemos partir diretamente para a biópsia, já que todos esses fatores elevam o risco de câncer pulmonar.
Quanto mais tempo um nódulo permanece inalterado, menor é o risco de câncer, tornando a observação contínua uma conduta mais adequada do que expor o paciente aos riscos de uma biópsia. Se um nódulo permanecer estável, sem apresentar crescimento ao longo de dois anos ou mais, ele não é um câncer.

Como os nódulos pulmonares costumam ser tratados?

Isso depende da quantidade de nódulos, do tipo de cada um e se eles estão causando algum problema. Mesmo que um nódulo pulmonar não seja cancerígeno, se ele provocar infecções recorrentes ou dificultar a respiração, frequentemente optamos pela sua remoção. 
Mas os cânceres de pulmão e aqueles que se originam em outros locais são tratados de formas bem diferentes. Portanto, não existe uma resposta única que sirva para todos os casos.
 

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As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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