Os 5 avanços da oncologia que você precisa saber
Os tratamentos não são os únicos a receber destaque. O último ano também trouxe avanços nas técnicas de diagnóstico
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As taxas de sobrevida ao câncer estão melhorando graças a tratamentos mais rápidos e eficazes. Vários avanços importantes podem transformar o tratamento do câncer, incluindo vacinas de mRNA contra a doença, imunoterapia e testes genéticos. Aprimoramentos nos exames — como, por exemplo, testes de sangue — podem ajudar a detectar o câncer mais precocemente e salvar mais vidas.
Em meados da década de 1970, apenas cerca de metade das pessoas diagnosticadas com câncer sobreviviam por mais cinco anos. Hoje, 70% dos pacientes com câncer podem esperar estar vivos cinco anos após o diagnóstico, e muitos vivem muito mais do que isso.
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Um dos motivos para essa tendência positiva é o desenvolvimento de terapias mais novas e melhores para praticamente todos os tipos de câncer. Além disso, esses medicamentos estão chegando à prática clínica mais rapidamente do que nunca. No passado, não muito distante, o intervalo entre o primeiro estudo em humanos e a aprovação da FDA era de cerca de 20 anos. Hoje, esse prazo caiu para aproximadamente 10 anos. As taxas de resposta nos estudos clínicos também estão melhorando. Historicamente, segundo Arend, cerca de 10% dos pacientes em estudos de fase I apresentavam uma redução significativa na carga tumoral. Alguns dos novos medicamentos em fase de testes estão elevando essa taxa de resposta de 10% para patamares entre 50% e 60%.
Listaos assim cinco avanços no tratamento do câncer ocorridos em 2025 e até o momento (em 2026) capazes de transformar o cenário da doença e elevar o índice de 70%.
1. Avanço com novo medicamento para câncer de pâncreas
Não é comum que um artigo científico apresentado em uma conferência receba uma ovação de pé, mas foi exatamente isso que aconteceu na primavera de 2026, durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). Na ocasião, pesquisadores apresentaram evidências de que o daraxonrasibe — um novo medicamento para câncer de pâncreas que atua em mutações KRAS — praticamente dobrou a mediana de sobrevida global em ensaios clínicos. Arend descreveu o anúncio como algo que "causou arrepios" em todos os presentes na reunião.
2. Avanço da imunoterapia no câncer anal
Os tratamentos de imunoterapia contra o câncer vêm registrando avanços há mais de uma década, à medida que diferentes estratégias utilizam as próprias defesas imunológicas do organismo para combater a doença. No entanto, no último ano, a área testemunhou avanços significativos, incluindo a primeira imunoterapia aprovada pela FDA para o câncer anal — uma doença relativamente comum, mas que historicamente recebe poucos recursos.
Em 2025, a FDA também aprovou uma versão subcutânea do pembrolizumabe, um medicamento amplamente utilizado contra o câncer; outros fármacos semelhantes também foram aprovados nessa apresentação. O tratamento com esses medicamentos poderá, em breve, consistir em uma injeção rápida a cada poucas semanas no consultório médico, em vez de uma sessão de meia hora em uma clínica de infusão.
No entanto, o que mais impressiona é a enorme quantidade de novas imunoterapias que estão passando da fase de pesquisa laboratorial para a aplicação clínica. Segundo um relatório do Cancer Research Institute, a FDA aprovou 13 novas imunoterapias contra o câncer apenas no último ano.
3. Avanços no câncer de mama
Nem todas as pacientes com câncer de mama se beneficiam da quimioterapia, mas, até pouco tempo atrás, era impossível saber quem poderia dispensar o tratamento com segurança. Resultados do OPTIMA, um grande estudo clínico, mudaram esse cenário, de acordo com o Journal of Clinical Oncology.
O estudo constatou que um teste de expressão gênica conhecido como Prosigna pode identificar pacientes que talvez consigam evitar a quimioterapia — e seus efeitos colaterais — mantendo taxas de sobrevida e de ausência de recidiva em cinco anos estatisticamente idênticas às de pacientes com perfil genético semelhante submetidos à quimioterapia padrão.
4. A ascensão das vacinas contra o câncer
O que a imunoterapia representou para a década passada, as vacinas contra o câncer poderão representar para a próxima. Assim como as vacinas treinam o organismo para combater infecções, as vacinas de mRNA estão sendo utilizadas no combate ao câncer, segundo a American Cancer Society. Ensaios clínicos com vacinas de mRNA têm demonstrado resultados extremamente promissores no tratamento de melanoma em estágio avançado e de alto risco, conforme apontado por um estudo publicado no Journal of Clinical Oncology.
Resultados divulgados este ano, provenientes de ensaios com uma dessas vacinas, mostraram que a sua combinação com pembrolizumabe resultou em uma redução de 49% no risco de recidiva ou morte e de 62% no risco de metástase à distância ou morte, em comparação com o uso isolado de pembrolizumabe.
Ensaios clínicos de vacinas contra o câncer colorretal e o câncer de pâncreas também apresentam resultados promissores. Segundo um estudo publicado na revista Cancer Discovery, esses resultados positivos podem sinalizar um futuro no qual vacinas personalizadas contra o câncer se tornem uma parte importante do tratamento oncológico.
5. Avanços em exames de sangue e no diagnóstico do câncer
Os tratamentos não são os únicos a receber destaque. O último ano também trouxe avanços nas técnicas de diagnóstico. A biópsia líquida — um exame de sangue capaz de detectar biomarcadores associados ao câncer — pode ajudar os médicos a identificar a doença mais precocemente do que as biópsias de tecido, segundo a Associação de Faculdades de Medicina dos EUA (AAMC).
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Um estudo sobre biópsia líquida publicado na revista Frontiers identificou corretamente 79% dos casos de câncer de pâncreas. Para os chamados cânceres silenciosos, como os de pâncreas e ovário — que geralmente já estão em estágios avançados quando apresentam sintomas —, a biópsia líquida pode salvar vidas.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
