Apesar dos enormes avanços nos tratamentos, o câncer de mama continua sendo o mais comum entre as mulheres em todo o mundo, segundo um novo estudo. E a tendência não mostra sinais de desaceleração: os casos globais devem aumentar de 2,3 milhões em 2023 para 3,5 milhões em 2050, de acordo com uma pesquisa do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME) da Universidade de Washington, EUA, publicada recentemente. 

Além disso, o maior aumento nos novos diagnósticos de câncer de mama nos EUA ocorre entre mulheres com menos de 50 anos. Embora a idade e a genética ainda sejam fortes indicadores de quem desenvolverá a doença, a nova pesquisa descobriu que fatores de estilo de vida — incluindo fumar, comer carne vermelha, passar muito tempo sentada e ter excesso de peso — são responsáveis por um quarto dos anos de vida saudável perdidos devido ao câncer de mama. Vamos discutir nesse artigo o que é importante saber. 

Uma história de duas tendências

O câncer de mama afeta os países de maneiras diferentes. Há muito mais casos de câncer de mama diagnosticados em países de alta renda — incluindo os EUA, o Reino Unido e o Canadá — onde sistemas de saúde robustos proporcionam melhor acesso à detecção precoce, em comparação com países de baixa renda, incluindo os da África Subsaariana. No entanto, as taxas de câncer de mama também estão aumentando acentuadamente em países de baixa renda, com um aumento de 147% entre 1990 e 2023, em comparação com os países de alta renda, que registraram um aumento de apenas 1,2% em 2023.

A disparidade é ainda maior quando se trata de mortes por câncer de mama. Desde 1990, as taxas de mortalidade caíram 30% em países ricos, enquanto dobraram em países mais pobres. Mas os EUA e seus pares não estão imunes ao aumento das taxas de câncer de mama: novos casos nos EUA têm aumentado cerca de 1% ao ano desde 2012, com um aumento mais acentuado de 1,4% entre mulheres com menos de 50 anos.

Por que isso está acontecendo?

Quando se trata do aumento constante de casos de câncer de mama, muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo. A incidência está aumentando, mas também estamos vendo que as pessoas estão vivendo mais e uma porcentagem maior de mulheres  com câncer de mama está curada.

Especialistas ainda não conseguiram determinar exatamente por que as taxas estão aumentando nos EUA e em outros lugares, mas uma coisa é clara: não é apenas o resultado de mais pessoas fazendo exames de rastreamento; o aumento nos casos de câncer de mama é real. Existem muitos fatores diferentes que explicam por que uma pessoa desenvolve câncer de mama, mas observamos tendências de aumento de peso e consumo de álcool, todos fatores de risco para o câncer de mama. 

Idade, genética e gravidez também desempenham papel importante

A genética — particularmente as mutações nos genes BRCA, ATM, PALB2, FANC e TP53 — e o histórico familiar podem ter um papel fundamental no risco de câncer de mama. Mas a maioria das pessoas que desenvolvem a doença não tem risco hereditário. Além do sexo feminino, a idade é o fator de risco mais significativo para o câncer de mama, com a maioria dos casos diagnosticados em mulheres com mais de 50 anos.

No entanto, nos EUA, as taxas estão aumentando mais rapidamente em mulheres com menos de 50 anos do que em mulheres mais velhas. Mais de dois terços dos cânceres diagnosticados em mulheres com menos de 50 anos ocorrem em mulheres, e o câncer de mama é o tipo mais comum. Isso levou muitos especialistas a apontarem o dedo para um fator de risco bem conhecido para o câncer de mama: a idade da mulher ao ter seu primeiro filho.

A gravidez a termo e a amamentação causam alterações duradouras no tecido mamário da mulher, reduzindo o risco de mutações celulares que levam ao câncer. Nos Estados Unidos e em muitos outros países desenvolvidos, cada vez mais mulheres estão adiando a gravidez, ou optando por não tê-las, o que prolonga o período em que essas mutações podem ocorrer. Isso provavelmente contribui para o aumento da incidência de câncer de mama, especialmente entre as mulheres mais jovens, mas essa não é toda a explicação.  Estudos recentes não encontram  evidências de que essas tendências possam ser explicadas pelos padrões de fertilidade. Há aumentos semelhantes de câncer de mama mesmo em países onde as taxas de fertilidade ainda são muito altas. 

O que deve ser feito para a redução do risco de câncer de mama 

Não podemos mudar nossa genética, mas podemos mudar hábitos de vida e torná-los mais saudáveis. Isso significa uma alimentação saudável, exercícios físicos regulares e, o mais importante, não fumar. Isso por si só reduziria significativamente o risco de muitos tipos de câncer.

Reduzir o consumo de carne vermelha e outros alimentos cozidos em altas temperaturas também pode ter um impacto significativo no risco de câncer de mama, especificamente. Adotar também uma dieta anti-inflamatória, como a dieta mediterrânea, pode ajudar a reduzir o risco de câncer, incluindo o de mama, além de outras doenças crônicas. 

Embora um estilo de vida sedentário seja responsável por apenas 2% dos anos de vida saudável perdidos devido ao câncer de mama em todo o mundo, de acordo com o novo estudo, duas das maneiras mais claras de reduzir o risco de câncer de mama (e praticamente todas as doenças crônicas) são simples: movimentar-se mais e beber menos (bebidas alcoólicas). Ambas as medidas também podem ajudar as mulheres a terem melhores resultados caso sejam diagnosticadas com câncer de mama.

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