André Murad
André Murad
Diretor-executivo da Clínica Personal Oncologia de Precisão de BH. Oncologista e oncogeneticista da OncoLavras.
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Imunoterapia: um avanço no câncer colorretal - parte 2

A estratégia não se concentra tanto no microambiente tumoral, mas sim em fazer com que o sistema imunológico reconheça que algo está ocorrendo

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Pesquisadores  descobriram recentemente um subtipo menos comum de câncer colorretal metastático que responde bem à imunoterapia. Um estudo recentemente publicado constatou que tumores com um subtipo específico de mutações no gene POLE, chamadas mutações de perda de correção de erros (LOP), são muito responsivos a inibidores de checkpoint imunológico. 

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Essas descobertas são importantes porque nem todas as mutações do POLE se comportam da mesma maneira. Agora sabemos que pacientes identificados com o subtipo LOP podem se beneficiar da terapia com inibidores de checkpoint imunológico.

Superando barreiras no tratamento do câncer colorretal metastático

Acredita-se que os 97% restantes dos pacientes com câncer colorretal metastático que não são MSI-H podem ser divididos em dois grupos. Pesquisadores recentemente desenvolveram uma ferramenta chamada Sistema de Classificação de Subtipos Moleculares Consensuais (CMS) para auxiliar na classificação do câncer colorretal.

Tumores CMS4

Um grupo é composto por pacientes com tumores CMS4. As células T estão ativadas e querem atacar o câncer, mas não conseguem entrar no microambiente tumoral. É como se o tumor criasse uma cerca de arame que as impedisse de entrar. Quando examinadas ao microscópio, as células T se agrupam nas bordas do tumor, tentando penetrar.

Este é o caso de tumores de câncer colorretal que se espalharam para o fígado. Em vez de as células T estarem espalhadas por todo o tumor, elas se concentram principalmente perto da borda, tornando-as menos eficazes. Ao analisar esses tipos de tumores, descobrimos que o microambiente tumoral no fígado é diferente do de outras partes do corpo. Especificamente, ele é repleto de células imunológicas que causam imunossupressão e não ajudam a controlar o câncer.

A pesquisa atual visa romper essa cerca de arame para permitir que as células T entrem no microambiente tumoral. Uma vez lá dentro, espera-se que as células T possam ser eficazes na destruição do tumor com a ajuda da imunoterapia.

Não se trata de ativar o sistema imunológico; isso já é feito graças à imunoterapia. Trata-se de atingir o microambiente tumoral para que as células T entrem primeiro.

Tumores CMS2 e CMS3

Em pacientes com câncer colorretal CMS2 ou CMS3, as células T apresentam pouca ou nenhuma atividade em resposta ao tumor. Refere-se a isso como o "deserto imunológico". Quando observado ao microscópio, o sistema imunológico demonstra pouca evidência de reação.

A estratégia não se concentra tanto no microambiente tumoral – que ainda pode ser um problema – mas sim em fazer com que o sistema imunológico reconheça que algo está ocorrendo.

Uso de vacinas 

Uma abordagem são as vacinas personalizadas. Elas funcionam instruindo as células do paciente a produzirem proteínas com base nas mutações que impulsionam o crescimento do câncer. O sistema imunológico, então, busca outras células com as proteínas mutadas para eliminá-las.

Outra oportunidade reside nas terapias celulares, como a terapia com células CAR-T, a terapia com células T e a terapia com células CAR-NK, que estão sendo exploradas em ensaios clínicos. Com as terapias de células T, seleciona-se as poucas e raras células T presentes no tumor, aumenta-se seu número em laboratório e as mesmas são então devolvidas ao paciente. Ou então, células T são geneticamente modificadas em laboratório para que sejam mais eficazes no combate ao câncer.

Pesquisa para detectar e tratar o câncer colorretal metastático precocemente

Estudos realizados atualmente consistem no desenvolvimento de novas estratégias para tratar o câncer colorretal micrometastático. Trata-se de um câncer que se disseminou do tumor primário em quantidades ínfimas – muito pequenas para serem detectadas em exames de imagem ou de sangue tradicionais. Às vezes, é chamado de doença residual mínima (DRM). Pacientes com DRM têm maior probabilidade de sofrer uma recidiva do câncer.

Os investigadores concentram atualmente esforços em como detectar a DRM por meio de testes de DNA tumoral circulante (ctDNA). Sabe-se  que, à medida que os tumores crescem e o número de células cancerígenas aumenta, eles começam a desenvolver defesas contra o sistema imunológico. É nesse momento que a imunoterapia se torna menos eficaz.

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Com base em pesquisas anteriores, sabe-se também que depósitos micrometastáticos muito pequenos podem ser sensíveis à imunoterapia. Portanto, é vital para se identificar o câncer mais cedo – mesmo antes que os exames o detectem – e encontrar imunoterapias que melhor tratem esses pacientes. Existem algumas combinações diferentes de imunoterapia sendo exploradas em ensaios clínicos neste momento.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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